Análise unicista de expressões intercambiáveis relacionadas à forma de Deus expressar-se
Esta matéria procura desconstruir
a ideia trinitária de pluralidade na divindade [três pessoas distintas e um
Deus], por meio de uma exegese bíblica profunda, considerando algumas expressões
intercambiáveis usadas pelos escritores bíblicos para descrever o ato de Deus exprimir-se
verbalmente [dando ordens, determinando algo, etc.].
O objetivo é demonstrar que “Palavra
de Deus” e “Espírito Santo” são termos distintos para a pessoa do
único e indivisível Deus de Israel.
1. A Intercambialidade dos
Termos
A harmonização das expressões
bíblicas “Palavra de Deus”, “vara da [Sua] boca”, “vara
de ferro”, “espada do Espírito”, “sopro [expiração] de
Deus” e “Espada da [Sua] boca” reflete, de forma magistral, a
ideia dos escritores das Sagradas Letras.
- A Visão Unicista: na teologia unicista, Deus
é um ser singular e absoluto [Deuteronômio 6:4]. Logo, a Sua "Palavra"
[o Logos] e o Seu "Sopro" [o Pneuma
ou Espírito] não podem ser considerados "pessoas"
separadas d’Ele, assim como a palavra ou o fôlego de um homem não são
pessoas separadas do homem. A Bíblia usa essas expressões como sinônimos
literários para descrever o Único Deus em ação.
2. A Natureza Espiritual e a
"Emanação"
O argumento de que Deus é
Espírito [João 4:24] e não possui pulmões literais é uma chave hermenêutica
brilhante para refutar o trinitarianismo literalista, sem que despreze, é
claro, o fato d’Ele possuir um corpo celeste, descrito por diversos profetas
que O contemplaram em visões [1 Coríntios 15:40, Ezequiel 1:26; Daniel 7:9,13].
- A Visão Unicista: ao definir o "sopro
de Deus" como uma figura de linguagem para a emanação do
Espírito Santo, o texto reforça a ideia de que tal o Espírito não é a
suposta "terceira pessoa da Trindade", mas o próprio e
único Deus [Yahweh] agindo de forma invisível por meio da expressão verbal,
em outras palavras, o Espírito é a própria essência de Deus saindo da Sua
boca [do Seu ser] e operando na criação (Salmo 33:6).
3. A Identidade Absoluta de
Jesus e Yahweh
Ao comparar 2 Tessalonicenses
2:8-10, Isaías 11:4-5 e Apocalipse 19:15-21, é possível consolidar um dos
pilares mais importantes do Unicismo: a divindade absoluta de Jesus Cristo.
- A Visão Unicista: a profecia de Isaías fala
de Yahweh, mas Paulo e João, aplicam essa mesma ação redentora e julgadora
a Jesus. Ao mostrar que Jesus usará o "sopro" ou a
"espada" da Sua boca, o texto atesta, de forma
impecável, que Jesus é a manifestação visível do único Deus invisível. Não
há distinção de vontade ou pessoa; o poder que sai da boca de Cristo é o
próprio poder que sai da boca de Yahweh.
4. Refutação Direta da
Pluralidade Trinitária
A afirmação de que "‘sopro
divino” [Espírito] e “espada da Sua boca” [Palavra de Deus] não
são duas pessoas distintas, como acreditam os trinitários, é a base do Unicismo.
- A Visão Unicista: o trinitarianismo comete o
erro de considerar ações e manifestações do Deus único como se fossem entidades
coeternas separadas. O Unicismo corrige esse erro demonstrando que a
multiplicidade de títulos refere-se à multiplicidade de operações
de um único Deus e não a uma multiplicidade de pessoas celestiais.
5. O Uso de Atos 1.8 como Selo
Comprobatório
O escritor de Atos 1:8 define o
Espírito Santo não como uma pessoa individual que "desce"
do céu, mas como uma virtude, i.e., um poder que é recebido do
alto.
- A Visão Unicista: isso corrobora
perfeitamente com a ideia de que ser “cheio do Espírito Santo"
é ser cheio do poder do próprio Jesus/Yahweh. O Espírito Santo é a
emanação da pessoa de Deus na vida do cristão, i.e., a Sua presença sobrenatural e não um indivíduo distinto que fala por si só.
6. Mãos que criam:
A Bíblia Sagrada refere-se ao
Espírito Santo como sendo as “mãos” ou os “dedos”
de Deus em algumas passagens relacionadas à criação e outras
ações divinas, dando a ideia de um artesão que utiliza suas mãos e seus dedos
para realizar o seu trabalho [Salmos 8:3; Salmos 19:1; Lucas 11.20; Mateus
12.28].
- A Visão Unicista: sabe-se que todas as
coisas foram feitas por meio da Palavra de Deus [Sua fala, Sua expressão, Sua
voz, Sua ordem], o que reforça a ideia da unicidade divina [uma única
pessoa na divindade] e inviabiliza a separação daquilo que é inseparável.
Em outras palavras, as Escrituras comprovam que a “Palavra de Deus”
e o “Espírito Santo” são a mesma pessoa e não duas pessoas
distintas.
7. Ordem para os espíritos
imundos
Uma das obras mais notáveis que
Jesus realizou com autoridade divina foi expulsar demônios de pessoas possuídas por espíritos imundos, os quais fugiam mediante o poder contido na voz do Mestre [Lucas 4:36].
- A Visão Unicista: a Unicidade de Deus se faz
presente também nesse milagre, pois as Escrituras Sagradas relatam que a
expulsão ocorria por meio do Espírito Santo [Mateus 12:28], ratificando,
mais uma vez, a verdade unicista de que “Palavra
de Deus” e “Espírito Santo” são a mesmíssima pessoa.
Conclusão da Análise:
Sob a ótica unicista, os
argumentos apresentados são teologicamente exatos, exegéticos e irrefutáveis,
eliminando a necessidade de dogmas extrabíblicos complexos, de cunho filosófico,
como o mistério de "três pessoas em um só Deus".
Além disso, o Unicismo restaura a
simplicidade hebraica quando afirma que há um só Deus, cuja Palavra e cujo
Espírito são, simplesmente, Ele mesmo expressando-se e exercendo Seu poder
infinito para criar o universo e “tornar a congregar em Cristo todas
as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as
que estão nos céus como as que estão na terra” (Efésios
1:10).
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.

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