A “santíssima trindade”: um breve histórico de sua origem.
Coliseo de Roma, onde os cristãos eram jogados aos
leões pelo Império Romano.
O Histórico da Origem do Dogma
da Santíssima Trindade
O texto abaixo apresenta uma
análise crítica e histórica sobre a formulação do Dogma da Santíssima Trindade,
mostrando que essa doutrina não teve origem nos ensinamentos originais de Jesus
ou dos apóstolos, mas sim em um processo de sincretismo religioso, influências
filosóficas e imposições políticas do Império Romano ao longo de séculos.
Abaixo estão os principais pontos
abordados pelo autor da obra “Santíssima Trindade: quase dois mil anos de
engano religioso”, divididos cronologicamente:
1. A "Era das
Trevas" Pós-Apostólica e a Corrupção Interna
- Perseguição e Desvio: após o primeiro século
[período pós-apostólico], a igreja cristã primitiva sofreu intensas
perseguições do Império Romano. Internamente, falsos líderes assumiram o
controle, marginalizando os cristãos genuínos.
- Sincretismo e Filosofia Grega: para ganhar
poder ou adaptar-se, líderes religiosos começaram a misturar a fé cristã
com religiões pagãs e com a filosofia grega [especialmente os pensamentos
do filósofo Platão].
- Tertuliano: o texto defende que as primeiras
formulações da Trindade surgiram das tentativas de teólogos, como
Tertuliano (155–220 d.C.), um influente teólogo, apologista e escritor
cristão primitivo de Cartago, no norte da África, de explicar Deus através
de conceitos jurídicos e filosóficos gregos, alheios às Escrituras
Sagradas.
2. O Fator Político: Imperador
Constantino e o Concílio de Niceia [325 d.C.]
- Cristianismo como Ferramenta Política: o
Imperador Constantino (272-337 d.C.), que historicamente nunca se converteu
verdadeiramente, permanecendo adorador do deus Sol, legalizou o
cristianismo para unificar o Império.
- A Disputa Ariana: para conter a divisão
gerada pelo debate se Jesus era uma criação [visão de Ário, diácono de
Alexandria] ou parte de uma divindade triúna [visão embrionária de
Atanásio, bispo e teólogo católico], Constantino convocou o Concílio de
Niceia.
- Decisão Arbitrária: sem entender de
teologia, Constantino pressionou os bispos a adotarem a visão de Atanásio.
Isso não encerrou os conflitos; pelo contrário, resultou em décadas de
perseguições violentas e mortes entre os próprios autodenominados
cristãos.
3. A Consolidação: Imperador
Teodósio e o Concílio de Constantinopla [381 d.C.]
- O Espírito Santo: a natureza do Espírito
Santo ainda não estava definida nesse período. Os "Padres
Capadócios" propuseram a ideia de que Pai, Filho e Espírito Santo
eram coiguais.
- O Concílio de 381: Convocado pelo Imperador
Teodósio e presidido em parte por um político não batizado [Nectário],
este concílio oficializou a divindade do Espírito Santo.
- Imposição pela Força: sem base teológica
sólida [descrito no texto como um processo de "tentativa e erro"],
Teodósio transformou o dogma em lei imperial. Aqueles que discordavam
foram taxados de hereges e punidos severamente pelo Estado e pela Igreja
Católica Romana em formação.
Notas Finais do Texto:
Alterações Bíblicas
O autor conclui afirmando que os
defensores da Trindade chegaram ao ponto de alterar as próprias Escrituras
Sagradas para forjar uma base bíblica para o dogma político. As notas destacam
duas supostas adulterações católicas:
1.
1 João 5:7: A passagem explícita sobre a
Trindade [“o Pai, a Palavra e o Espírito Santo são um”] é apontada como um
acréscimo tardio feito por Jerônimo na Vulgata Latina, não existindo nos
manuscritos gregos originais, que diz apenas que o três são concordantes nos
diversos textos das Escrituras Sagradas.
2.
Mateus 28:19: A fórmula batismal [“em
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”] é descrita como uma inserção
litúrgica do século IV, argumentando que o Livro de Atos e diversas enciclopédias
históricas, incluindo uma nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, comprovam que os
apóstolos batizavam exclusivamente “em nome do Senhor Jesus Cristo”.
Conclusão
A história mostra que o Dogma da
Trindade foi um processo de “tentativa e erro” que levou séculos para se
estabilizar. Mais do que uma revelação súbita, foi uma construção que misturou
fé, filosofia e, principalmente, a necessidade dos imperadores de manter o
controle sobre o povo.
E você, já conhecia esse lado
"político" da história da igreja? Deixe seu comentário!
Link para o livro:

Comentários
Postar um comentário