A “santíssima trindade”: um breve histórico de sua origem.

 


Coliseo de Roma, onde os cristãos eram jogados aos leões pelo Império Romano.

Marcelo Victor R. Nascimento


O Histórico da Origem do Dogma da Santíssima Trindade

O texto abaixo apresenta uma análise crítica e histórica sobre a formulação do Dogma da Santíssima Trindade, mostrando que essa doutrina não teve origem nos ensinamentos originais de Jesus ou dos apóstolos, mas sim em um processo de sincretismo religioso, influências filosóficas e imposições políticas do Império Romano ao longo de séculos.

Abaixo estão os principais pontos abordados pelo autor da obra “Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso”, divididos cronologicamente:

1. A "Era das Trevas" Pós-Apostólica e a Corrupção Interna

  • Perseguição e Desvio: após o primeiro século [período pós-apostólico], a igreja cristã primitiva sofreu intensas perseguições do Império Romano. Internamente, falsos líderes assumiram o controle, marginalizando os cristãos genuínos.
  • Sincretismo e Filosofia Grega: para ganhar poder ou adaptar-se, líderes religiosos começaram a misturar a fé cristã com religiões pagãs e com a filosofia grega [especialmente os pensamentos do filósofo Platão].
  • Tertuliano: o texto defende que as primeiras formulações da Trindade surgiram das tentativas de teólogos, como Tertuliano (155–220 d.C.), um influente teólogo, apologista e escritor cristão primitivo de Cartago, no norte da África, de explicar Deus através de conceitos jurídicos e filosóficos gregos, alheios às Escrituras Sagradas.

2. O Fator Político: Imperador Constantino e o Concílio de Niceia [325 d.C.]

  • Cristianismo como Ferramenta Política: o Imperador Constantino (272-337 d.C.), que historicamente nunca se converteu verdadeiramente, permanecendo adorador do deus Sol, legalizou o cristianismo para unificar o Império.
  • A Disputa Ariana: para conter a divisão gerada pelo debate se Jesus era uma criação [visão de Ário, diácono de Alexandria] ou parte de uma divindade triúna [visão embrionária de Atanásio, bispo e teólogo católico], Constantino convocou o Concílio de Niceia.
  • Decisão Arbitrária: sem entender de teologia, Constantino pressionou os bispos a adotarem a visão de Atanásio. Isso não encerrou os conflitos; pelo contrário, resultou em décadas de perseguições violentas e mortes entre os próprios autodenominados cristãos.

3. A Consolidação: Imperador Teodósio e o Concílio de Constantinopla [381 d.C.]

  • O Espírito Santo: a natureza do Espírito Santo ainda não estava definida nesse período. Os "Padres Capadócios" propuseram a ideia de que Pai, Filho e Espírito Santo eram coiguais.
  • O Concílio de 381: Convocado pelo Imperador Teodósio e presidido em parte por um político não batizado [Nectário], este concílio oficializou a divindade do Espírito Santo.
  • Imposição pela Força: sem base teológica sólida [descrito no texto como um processo de "tentativa e erro"], Teodósio transformou o dogma em lei imperial. Aqueles que discordavam foram taxados de hereges e punidos severamente pelo Estado e pela Igreja Católica Romana em formação.

Notas Finais do Texto: Alterações Bíblicas

O autor conclui afirmando que os defensores da Trindade chegaram ao ponto de alterar as próprias Escrituras Sagradas para forjar uma base bíblica para o dogma político. As notas destacam duas supostas adulterações católicas:

1.     1 João 5:7: A passagem explícita sobre a Trindade [“o Pai, a Palavra e o Espírito Santo são um”] é apontada como um acréscimo tardio feito por Jerônimo na Vulgata Latina, não existindo nos manuscritos gregos originais, que diz apenas que o três são concordantes nos diversos textos das Escrituras Sagradas.

2.     Mateus 28:19: A fórmula batismal [“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”] é descrita como uma inserção litúrgica do século IV, argumentando que o Livro de Atos e diversas enciclopédias históricas, incluindo uma nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, comprovam que os apóstolos batizavam exclusivamente “em nome do Senhor Jesus Cristo”.


Conclusão

A história mostra que o Dogma da Trindade foi um processo de “tentativa e erro” que levou séculos para se estabilizar. Mais do que uma revelação súbita, foi uma construção que misturou fé, filosofia e, principalmente, a necessidade dos imperadores de manter o controle sobre o povo.


E você, já conhecia esse lado "político" da história da igreja? Deixe seu comentário!


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