Façamos o homem conforme nossa imagem

 

Imagem gerada pelo Google AI, 2026.

 Marcelo Victor Rodrigues do Nascimento


Esta peça apologética trata de algumas interações divinas complexas presentes na Bíblia Sagrada que revelam a forma de Deus trabalhar, atribuindo missões específicas à corte angelical e utilizando, por vezes, expressões no plural, como "façamos" e “desçamos” [Gênesis 1:26; Gênesis 11:7].


1. A Existência do Conselho Celestial (Jó 38:4-7)

O livro de Jó estabelece uma premissa lógica: Deus não estava sozinho durante a criação.

  • Visão Unicista: ao identificar que as "estrelas da alva" e os "filhos de Deus" [anjos] jubilavam na fundação da terra, está anulada a necessidade de uma "pluralidade de pessoas na divindade" para explicar diálogos divinos.
  • A literalidade o Simbolismo Envolvidos: quando Deus diz "Façamos", Ele está se dirigindo à Sua corte celestial. Embora os anjos não tenham o poder criador inerente, eles foram testemunhas e participantes ativos na execução da vontade divina. Basta considerar o exemplo de um empreendedor que diz, por exemplo, que criou determinado produto ou tecnologia, quando, na verdade, foram seus funcionários que o fizeram efetivamente. O fato das Escrituras dizerem, por exemplo, que os céus são “obra das mãos de Deus” [Salmo 102:25; Salmo 19:1] e são “obra dos Seus dedos” [Salmo 8:3], comprova a linguagem figurada para as obras de Deus, pois sabemos que eles foram criados pela Sua Palavra [João 1.3; Colossenses 1.16; Hebreus 11.3]. Conjecturando, é possível imaginar que os anjos tenham modelado o barro e Deus tenha "soprado" nas narinas do boneco [Gênesis 2:7].

2. A Lei da Agência [Shaliah] e a Primeira Pessoa

Há passagens que registram seres celestiais falando com os seres humanos em nome de Yahweh e usando o pronome "Eu" como legítimos representantes d’Ele [Êxodo 3:7-8], i.e., usando a “Lei da Agência”.

  • O Anjo de Yahweh: na teologia unicista, o "anjo do Senhor" não é uma suposta “segunda pessoa” pré-encarnada, mas um mensageiro que porta o Nome de Deus (Êxodo 23:21). Até mesmo as tábuas da Lei foram entregues nas mãos de Moisés pelo ministério dos anjos [Atos 7:53; Gálatas 3:18-19; Hebreus 2:2].
  • Representação Total: a autoridade delegada é tão absoluta que a voz do anjo é a voz de Deus. Isso explica por que Moisés viu a "semelhança do Senhor" [Sua forma] através de uma manifestação angelical [Números 12:8], já que a essência plena de Deus é invisível para o homem [João 1:18]. Esse fato revela algo profundo: os anjos possuem a “semelhança” de Yahweh, assim como os seres humanos.

3. A Semelhança Compartilhada

O compartilhamento da semelhança com os seres angelicais resolve a questão das expressões no plural usadas nas Escrituras Sagradas.

  • Implicação Teológica: se os anjos compartilham dessa semelhança [ou imagem], a frase "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" torna-se perfeitamente coerente dentro do monoteísmo unicista. Se os homens foram criados para refletirem a imagem de Deus, os anjos já possuíam-na no reino espiritual.

4. Soberania e Delegação (Daniel 4:35 e 1 Reis 22)

Enquanto Daniel mostra que Deus escolheu agir na história basicamente por meio do exército celestial e dos moradores da terra, a citação de 1 Reis 22:20-22 é crucial para demonstrar que Deus não só interage, mas consulta Sua criação.

  • Participação Ativa: o fato de Yahweh perguntar para os anjos "Quem induzirá Acabe?", aceitando a sugestão de um espírito, mostra que Deus, embora onisciente, escolhe operar através de um governo participativo. Quando disse “desçamos e confundamos as línguas dos homens”, Yahweh não poderia fazê-lo pessoalmente, pois as Escrituras atestam que é impossível que alguém veja a face de Yahweh e sobreviva [Êxodo 33.20].
  • Argumento contra o Trinitarianismo: para o Unicismo, esses diálogos provam que Deus interage com seres subordinados [anjos], e não com "coiguais". Isso reforça a ideia de que qualquer pluralidade bíblica refere-se à relação entre o Criador e Suas criaturas celestiais, e não com supostas “pessoas divinas”.

Resumo da Análise

Conceito

Aplicação no Texto

Justificativa Unicista

Pluralidade

"Façamos", "Nossa imagem".

Diálogo entre Deus e o conselho de anjos [Jó 38].

Teofania

Anjo falando como Deus [Êxodo 3].

Agência angelical: o anjo representa Yahweh plenamente.

Invisibilidade

"Deus nunca foi visto" [João 1:18].

As aparições de "Deus" no Antigo Testamento eram mediações angelicais.

Soberania

Deus consulta o exército do céu [1 Reis 22].

Deus é único em essência, mas usa anjos como ministros [Hebreus 1:14].

 


Conclusão

Os argumentos apresentados são biblicamente consistentes, pois oferecem uma explicação exegética coerente para a pluralidade de pronomes e manifestações, sem ferir o princípio definido em Deuteronômio 6:4 ["O Senhor nosso Deus é o único Senhor"]. Eles deslocam o foco da "comunhão interna na divindade" para a "comunhão externa de Deus com Sua corte celestial", mantendo a monarquia absoluta de Yahweh.

O argumento final é claro: se anjos podem portar o Nome de Yahweh, falar em primeira pessoa e agir com autoridade sob ordem divina, não há necessidade teológica de postular múltiplas pessoas na essência de Deus para explicar os relatos bíblicos.



Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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