Façamos o homem conforme nossa imagem
Esta peça apologética trata de algumas
interações divinas complexas presentes na Bíblia Sagrada que revelam a forma de
Deus trabalhar, atribuindo missões específicas à corte angelical e utilizando,
por vezes, expressões no plural, como "façamos" e “desçamos”
[Gênesis 1:26; Gênesis 11:7].
1. A Existência do Conselho
Celestial (Jó 38:4-7)
O livro de Jó estabelece uma
premissa lógica: Deus não estava sozinho durante a criação.
- Visão Unicista: ao identificar que as "estrelas da alva" e os "filhos de Deus" [anjos] jubilavam na fundação da terra, está anulada a necessidade de uma "pluralidade de pessoas na divindade" para explicar diálogos divinos.
- A literalidade o Simbolismo Envolvidos: quando Deus diz "Façamos",
Ele está se dirigindo à Sua corte celestial. Embora os anjos não tenham o
poder criador inerente, eles foram testemunhas e participantes ativos na execução da vontade
divina. Basta considerar o exemplo de um empreendedor que diz, por exemplo, que
criou determinado produto ou tecnologia, quando, na verdade, foram seus
funcionários que o fizeram efetivamente. O fato das Escrituras dizerem, por
exemplo, que os céus são “obra das mãos de Deus” [Salmo
102:25; Salmo 19:1] e são “obra dos Seus dedos” [Salmo 8:3],
comprova a linguagem figurada para as obras de Deus, pois sabemos que eles
foram criados pela Sua Palavra [João 1.3; Colossenses 1.16; Hebreus 11.3]. Conjecturando, é possível imaginar que os anjos tenham modelado o barro e Deus tenha "soprado" nas narinas do boneco [Gênesis 2:7].
2. A Lei da Agência [Shaliah]
e a Primeira Pessoa
Há passagens que registram seres
celestiais falando com os seres humanos em nome de Yahweh e usando o pronome "Eu" como legítimos representantes d’Ele [Êxodo 3:7-8], i.e., usando a “Lei da
Agência”.
- O Anjo de Yahweh: na teologia unicista, o
"anjo do Senhor" não é uma suposta “segunda
pessoa” pré-encarnada, mas um mensageiro que porta o Nome de Deus
(Êxodo 23:21). Até mesmo as tábuas da Lei foram entregues nas mãos de
Moisés pelo ministério dos anjos [Atos 7:53; Gálatas 3:18-19; Hebreus 2:2].
- Representação Total: a autoridade delegada é
tão absoluta que a voz do anjo é a voz de Deus. Isso explica por que
Moisés viu a "semelhança do Senhor" [Sua forma] através
de uma manifestação angelical [Números 12:8], já que a essência plena de
Deus é invisível para o homem [João 1:18]. Esse fato revela algo profundo:
os anjos possuem a “semelhança” de Yahweh, assim como os
seres humanos.
3. A Semelhança Compartilhada
O compartilhamento da semelhança
com os seres angelicais resolve a questão das expressões no plural usadas nas Escrituras
Sagradas.
- Implicação Teológica: se os anjos
compartilham dessa semelhança [ou imagem], a frase "Façamos o
homem à nossa imagem e semelhança" torna-se perfeitamente
coerente dentro do monoteísmo unicista. Se os homens foram criados para refletirem a
imagem de Deus, os anjos já possuíam-na no reino espiritual.
4. Soberania e Delegação
(Daniel 4:35 e 1 Reis 22)
Enquanto Daniel mostra que Deus
escolheu agir na história basicamente por meio do exército celestial e dos
moradores da terra, a citação de 1 Reis 22:20-22 é crucial para demonstrar que
Deus não só interage, mas consulta Sua criação.
- Participação Ativa: o fato de Yahweh
perguntar para os anjos "Quem induzirá Acabe?",
aceitando a sugestão de um espírito, mostra que Deus, embora onisciente,
escolhe operar através de um governo participativo. Quando disse “desçamos
e confundamos as línguas dos homens”, Yahweh não poderia fazê-lo
pessoalmente, pois as Escrituras atestam que é impossível que alguém veja a face de Yahweh e sobreviva [Êxodo 33.20].
- Argumento contra o Trinitarianismo: para o Unicismo,
esses diálogos provam que Deus interage com seres subordinados [anjos], e
não com "coiguais". Isso reforça a ideia de que qualquer
pluralidade bíblica refere-se à relação entre o Criador e Suas criaturas
celestiais, e não com supostas “pessoas divinas”.
Resumo da Análise
|
Conceito |
Aplicação no
Texto |
Justificativa
Unicista |
|
Pluralidade |
"Façamos",
"Nossa imagem". |
Diálogo entre Deus
e o conselho de anjos [Jó 38]. |
|
Teofania |
Anjo falando como
Deus [Êxodo 3]. |
Agência angelical:
o anjo representa Yahweh plenamente. |
|
Invisibilidade |
"Deus nunca
foi visto" [João 1:18]. |
As aparições de
"Deus" no Antigo Testamento eram mediações
angelicais. |
|
Soberania |
Deus consulta o exército do céu [1 Reis 22]. |
Deus é único em
essência, mas usa anjos como ministros [Hebreus 1:14]. |
Conclusão
Os argumentos apresentados são
biblicamente consistentes, pois oferecem uma explicação exegética coerente para
a pluralidade de pronomes e manifestações, sem ferir o princípio definido em Deuteronômio
6:4 ["O Senhor nosso Deus é o único Senhor"]. Eles deslocam o
foco da "comunhão interna na divindade" para a "comunhão
externa de Deus com Sua corte celestial", mantendo a monarquia
absoluta de Yahweh.
O argumento final é claro: se
anjos podem portar o Nome de Yahweh, falar em primeira pessoa e agir com
autoridade sob ordem divina, não há necessidade teológica de postular múltiplas
pessoas na essência de Deus para explicar os relatos bíblicos.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.

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