Parte 3 - A Palavra de Yahweh, o Espírito Santo de Yahweh e o próprio Yahweh são um.
Marcelo Victor R. Nascimento
Nesta “Parte 3”,
da reflexão sobre o tema “A Palavra de Yahweh, o Espírito Santo de Yahweh e o
próprio Yahweh são um”, resta-nos tratar da relação entre Yahweh e Sua Palavra,
explicitada nas Escrituras Sagradas.
Segue uma
análise para demonstrar que a distinção entre Yahweh e a Sua Palavra não
se refere a pessoas distintas em uma Trindade, mas a modos de manifestação
ou ofícios de uma única pessoa divina.
Textos-base:
1. A declaração feita pelo profeta Isaías, em Isaías 6.1-11, afirmando
que o Pai, assentado em um trono numa visão [“ouvi a voz do Senhor que
dizia...”], é dirigida para Jesus [o Filho], em João 12.39-44. Portanto, essa
profecia não está relacionada a duas pessoas distintas, mas a uma única pessoa.
Outrossim, em Atos 28.25-27, o escritor bíblico, comentando acerca da mesma
passagem, reputou a fala ouvida pelo profeta Isaías como sendo a fala do
Espírito Santo de Deus, o que nos mostra que, quando a pessoa de Deus fala, trata-se
da voz do Espírito Santo e não de uma pessoa distinta e separada d’Ele.
2. Filipenses 2:10-11 é o cumprimento de Isaías 45.23, de
sorte que Jesus Cristo [o Filho] é o próprio Yahweh do Velho Testamento [o
Pai], perante quem todo joelho há de se dobrar no fim de todas as coisas.
3. No Livro de Zacarias 12.9-10, Yahweh [o Pai] diz, na primeira pessoa,
que os habitantes de Jerusalém olhariam para Ele no final de todas as coisas, a quem
eles haviam traspassado, algo que João 19.33-37 atribui a Jesus [o Filho], que
foi traspassado em Sua morte na cruz.
4. Em Isaías 8.13-14, está dito que Yahweh dos Exércitos [o Pai] seria
uma “pedra de tropeço” para os reinos de Israel, quando viesse salvar o Seu
povo, algo atribuído a Jesus [o Filho] pelo apóstolo Pedro, em 1 Pedro 2.7-8.
5. O profeta Isaías, quando fala de João Batista, em Isaías 40.3, diz que
ele prepararia o caminho para Yahweh [o Pai], uma profecia que se cumpriu em
Jesus [o Filho], conforme Mateus 3.3.
6. Yahweh, o rei de Israel, diz, em Isaías 44.6, que Ele é “o primeiro e
o último” e que não há Deus além d’Ele. Ocorre que tal título, no Novo
Testamento, é dado a Jesus [o Filho], em Apocalipse 1.17-18.
7. O profeta Joel afirma, em Joel 2.32, que todo aquele que invocar o
nome de Yahweh [o Pai] será salvo. Contudo o apóstolo Paulo, citando tal
passagem, diz, em Romanos 10.9-13, que aquele que invocar o nome de Jesus [o
Filho] será salvo.
8. Isaías 43.11 afirma que fora de Yahweh [o Pai] não há “salvador”, algo
que o escritor de Atos dos apóstolos outorga a Jesus [o Filho], em Atos 4.11-12.
9. O profeta Jeremias diz, em Jeremias 31.33, que Yahweh poria a lei no íntimo da comunidade dos filhos de Israel e a escreveria em seus corações. No entanto, em Hebreus 10.15-16, o Espírito Santo de Yahweh afirmou que Ele é quem realizaria tal feito.
10. No Salmo 95.11, Yahweh [o Pai] disse que aqueles que se rebelaram contra Ele não entrariam no Seu repouso. Todavia, em Hebreus 3.7-11, tal fala é atribuída ao Espírito Santo de Yahweh e não ao Pai, confirmando a unicidade divina.
1. A
Identidade de Yahweh e Jesus
O argumento
central dos itens 2, 3, 4, 5, 7 e 8 baseia-se na transferência de títulos
e prerrogativas exclusivas.
- A Lógica: se o Antigo Testamento afirma que
apenas Yahweh é “Salvador”, “Pedra de Tropeço”
e “o Primeiro e o Último”, e o Novo Testamento atribui esses
exatos títulos a Jesus, a conclusão unicista é que Jesus é o próprio
Yahweh manifestado em carne.
- O "Eu" de Zacarias 12.10: quando o
texto diz "olharão para mim, a quem traspassaram",
o Unicismo entende que o Deus invisível [“Pai”] tornou-se
visível e passível de sofrimento físico [“Filho”]. Não são
duas pessoas, mas o único Deus esvaziando-se dos atributos incomunicáveis e assumindo a forma humana para cumprir a
redenção, numa dupla manifestação simultânea da pessoa de Deus, sem que o trono celestial ficasse vazio por causa do atributo da onipresença [Filipenses 2:7, Salmo 139:7-12; Salmo 33:13-14].
2. A Unidade
entre o Senhor e o Espírito Santo
Os itens 1, 9 e
10 focam na relação entre o Senhor [Pai/Jesus] e o Espírito
Santo.
- Substitutibilidade de Sujeitos: uma fala
atribuída a Yahweh em Isaías ou nos Salmos é creditada ao Espírito Santo
em Atos ou Hebreus.
- Visão Unicista: o Espírito Santo não é uma
terceira pessoa, mas a própria presença onipresente de Deus em ação [uma
emanação do Seu ser]. O termo "Espírito Santo"
descreve, tão somente, o que Deus é [Espírito] e sua natureza [Santo]. Portanto,
quando o Espírito fala, é o Pai falando em Sua forma espiritual [com Seu corpo celeste].
3. O Colapso
da Distinção de Pessoas (Exegese Cruzada)
O item 1 traz um
exemplo clássico da hermenêutica unicista ao cruzar Isaías 6 com João
12.
- Se Isaías viu o "Pai" no trono, mas João afirma que
Isaías viu a glória de Jesus, para o Unicismo isso prova que a glória do
Pai e a glória de Jesus são a glória de uma única pessoa. A distinção
seria apenas de perspectiva: o Deus que está acima de nós [Pai] é o Deus
que está conosco [Filho].
Síntese dos
Conceitos Unicistas no Texto
|
Conceito |
Explicação
na Ótica Unicista |
|
Manifestação |
Deus se
manifestou como Pai na criação, como Filho na redenção e como Espírito Santo
na regeneração [1 Timóteo 3:16]. |
|
Imanência vs. Encarnação |
As visões do
AT [como a de Isaías 6] seriam vislumbres da imanência celestial daquele que viria a encarnar
plenamente em Jesus. |
|
Monoteísmo
Estrito |
Rejeição da
"substância compartilhada" por três pessoas; defesa de uma única
mente, vontade e consciência divina. |
Conclusão da
Análise
Utilizando a
técnica de Tipologia e Cumprimento Profético, esta análise
termina por anular a tese trinitariana, mostrando que a pluralidade na divindade é de função
e não de ser.
A conclusão lógica
é a seguinte: se "há apenas um Deus" [Isaías 44.6], se "Jesus é esse Deus" e se "o
Espírito é esse Deus", então Jesus, o Pai e o Espírito são nomes e manifestações
de um único indivíduo.
A "pedra de
tropeço", mencionada no item 4, torna-se, assim, a própria revelação
da unicidade de Deus, que muitos não conseguem processar por estarem presos a
dogmas de pluralidade pessoal.
Mediante tais verdades, é possível admitir
a pluralidade de ofícios, manifestações, papéis e atributos na divindade, mas,
jamais a pluralidade de pessoas, caindo por terra
a concepção filosófica da Trindade.
Você está preparado(a) para apresentar-se diante do Juiz de toda a Terra?
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