Unicismo e Teologia Paulina


Catholic Shrine Church of Ss. Peter & Paul and St. Philomena

Marcelo Victor R Nascimento


A teologia do apóstolo Paulo, acerca da "imagem divina" organiza-se da seguinte maneira: "Cristo, imagem de Deus; o homem, imagem de Cristo; o homem, imagem de Deus" [Colossenses 1:15; 1 Coríntios 15:49-54].

A teologia unicista [ou Unicismo] fundamenta-se na crença do monoteísmo estrito, i.e., na ideia de que Deus é único e indivisível, e Jesus Cristo [o Filho] é a manifestação em carne desse próprio e único Deus [o Pai].

Assim sendo, os unicistas rejeitam as premissas do Dogma da Trindade que estabelecem a existência de três pessoas distintas e coeternas na divindade. Em outras palavras, para o Unicismo, Jesus é o "Pai" encarnado e o “Filho" refere-se estritamente à humanidade que o próprio Deus assumiu.

Importante ressaltar que, na visão unicista, o trono de Deus não ficou vazio [no céu] quando Ele se fez carne e habitou entre os homens, como um ser humano perfeito, mas houve uma dupla manifestação simultânea da pessoa de Deus, em virtude do atributo da onipresença divina que O capacita a estar em mais de um lugar ao mesmo tempo.

Segue, abaixo, reflexões acerca da relação entre o Unicismo e a Teologia Paulina.


1. A Autocomunicação de Deus em Jesus

"Jesus não é uma imagem plagiada [...] mas é a realidade fidedigna de um Deus que, por amor, autocomunicou-se exteriormente."

Para o Unicismo, essa frase é teologicamente exata, pois as Sagradas Letras indicam que não há uma "cópia" ou uma "segunda pessoa" divina. De sorte que Jesus é o próprio Deus invisível [Espírito] que se fez visível [Carne].

O termo "autocomunicou-se" é perfeito para a visão unicista, pois indica que o próprio Deus, singularmente, projetou a Si mesmo na história humana, diferentemente da teologia trinitariana clássica que fala de uma suposta "segunda pessoa" [o “deus filho”] como sendo a imagem de uma suposta "primeira pessoa" [o “deus pai”].

 

2. A Pré-existência do Filho na Onisciência (O Plano de Yahweh)

"Quando Yahweh estava modelando o barro, a fim de formar Adão, já pensava em Jesus. [...] Em Adão, Jesus já estava latentemente presente, em virtude do atributo da onisciência divina..."

Esse é, talvez, o ponto central do unicismo. Na teologia trinitária, Jesus [como o Filho Eterno] estava ativamente presente na criação como um co-criador distinto do Pai. No entanto, a teologia unicista ensina que o "Filho" [a encarnação] não tinha uma existência pessoal literal antes de nascer em Belém.

Como “Palavra de Deus”, antes da encarnação [João 1:14; Apocalipse 19:13], o Filho existia apenas na mente, no plano e na presciência [onisciência] de Deus.

Para o Unicismo, o Cordeiro foi morto "desde a fundação do mundo" nos conselhos e planos da mente do único Deus, não como uma pessoa divina separada, passeando pelo Éden [Apocalipse 13:8].

 

3. A Teleologia e o Propósito da Imagem

"A figura de Adão não tinha um fim em si mesmo, mas era um meio que apontava teleológica e escatologicamente para o Messias..."

O unicismo concorda que o “primeiro Adão” foi criado com o propósito de apontar para o "último Adão" (Jesus). Como Deus sempre soube que o homem falharia, o projeto original da humanidade foi desenhado para ser perfeitamente habitado pelo próprio Deus no futuro.

A humanidade de Jesus é o ápice do que Deus pretendia quando criou o homem: um tabernáculo perfeito para abrigar Seu próprio Espírito.

 

4. A Reconciliação como Ação do Próprio Deus

"...não porque tivesse determinado que tal tragédia haveria de ocorrer para Sua glória, mas como o caminho para restaurar e trazer Sua própria imagem para junto de Si."

Para o Unicismo, a salvação não é uma transação entre duas pessoas divinas, i.e., um Filho apaziguando a ira de um Pai. É o único Deus resolvendo o problema do pecado por Si mesmo e não por uma terceira pessoa [como está em 2 Coríntios 5:19: "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo"].

Quando o texto acima diz que Yahweh queria trazer Sua imagem "para junto de Si", o Unicismo lê isso como o próprio Criador assumindo a forma da criatura para resgatá-la, unindo novamente o divino e o humano em uma só pessoa.


Resumo da Análise:

O Unicismo afasta a ideia de múltiplos atores divinos na criação e na redenção, centrando-se no único Deus [Yahweh] que planejou, desde o princípio, autocomunicar-se em carne para restaurar a humanidade caída.



Você gostaria de explorar como a teologia unicista interpreta passagens bíblicas específicas, como o batismo de Jesus, à luz dessa ideia de autocomunicação de um Deus único?

 



Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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