Alarido, Voz de Arcanjo e Trombeta de Deus: a Magnífica Volta Unicista de Jesus
Marcelo Victor R. Nascimento
Na antiguidade, a descida de um monarca ou a movimentação de um exército seguia um protocolo imperial rígido e barulhento. Em 1 Tessalonicenses 4:16, o apóstolo Paulo usa exatamente essa linguagem técnica militar, a fim de descrever a parusia (a chegada imperial de Cristo) para uma colônia sob forte influência cultural grega e administração romana, dizendo algo que fazia parte do cotidiano secular, militar e cívico daquela população: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus” (1 Tessalonicenses 4:16).
Para dar um embasamento incontestável a essa afirmação, recorramos a
três fontes e realidades históricas do primeiro século.
1. A Base Filológica e Histórica do
Alarido (Keleuma)
A palavra grega kéleuma não era um termo originalmente religioso; era um termo técnico de comando civil e militar.
- A Prova Histórica (Tucídides e Xenofonte): historiadores gregos clássicos usavam keleuma para descrever gritos curtos, secos e firmes dos comandantes. Na marinha antiga, era o sinal vocal dado pelo keleustes (o mestre dos remadores) para que todos os homens batessem os remos em perfeita sincronia. No exército, era o grito do general para iniciar a carga de batalha.
- O Contexto do Século I: quando os tessalonicenses liam essa palavra, eles não pensavam em um "canto suave", mas sim no grito de comando ordenando que o exército marchasse ou que os marinheiros forçassem os remos (um "grito de guerra").
2. O Protocolo da Parusia
Imperial Romana
A palavra utilizada para a "vinda" de Jesus em Tessalonicenses é Parusia. No Império Romano, Parusia era o termo técnico oficial para a visita de um imperador ou rei a uma cidade.
- A Prova Histórica (Papiros e Historiografia Romana): quando o Imperador (o Rei) se aproximava de uma cidade, o protocolo imperial exigia uma sequência exata de eventos sonoros e cívicos:
1. O Alarido (Keleuma): o arauto real ou
o próprio imperador emitia o decreto de chegada nos arredores da cidade.
2. A Voz de Comando (O "Arcanjo" Funcional): os oficiais de
mais alta patente (como os legados e tribunos) bradavam repassando as ordens
para organizar a comitiva militar e as autoridades locais.
3. A Entrada Solene: os cidadãos da cidade saíam ao
encontro (apantesis) do imperador nos arredores para escoltá-lo
triunfalmente para dentro dos portões. Paulo usa exatamente a palavra apantesis
no versículo 17 ("para o encontro do Senhor nos ares").
3. O Uso Militar e Jurídico da
Trombeta (Salpinx / Tuba)
No primeiro século, a trombeta (no grego, salpinx; no latim, tuba) era o principal sistema de comunicação em massa do mundo antigo, funcionando como a "sinalização" de decretos.
- A Prova Histórica (Flávio Josefo): o historiador judeu do primeiro século, Flávio Josefo, em sua obra A Guerra dos Judeus (Livro III, Capítulo 5), descreve detalhadamente o protocolo militar do exército romano. Ele relata que nada era feito sem o som da trombeta:
1. A primeira
trombeta: dava o sinal para desarmar as tendas.
2. A segunda
trombeta: dava o sinal para que os soldados se posicionassem e aguardassem as
ordens do comandante.
3. O arauto: ficava à direita do general e perguntava três vezes se o exército estava pronto para a guerra, ao que os soldados respondiam com um grande alarido (grito de guerra).
- O Uso Jurídico/Cívico: no mundo romano, a trombeta também abria as sessões dos tribunais públicos e convocava a assembleia dos cidadãos (ekklesia) para ouvir os editais do magistrado.
Cristofania: Um pensamento
Herético
O pensamento de que a relação de Deus com a humanidade no Velho Testamento ocorria, em alguns casos, através de “cristofanias” (aparição de Jesus) é um erro teológico grave, à medida que dá respaldo indireto ao trinitarismo, pois sugere que o Filho já existia como uma pessoa distinta e separada de Yahweh antes do Seu nascimento em Belém. Contudo, a Bíblia afirma que Jesus não é uma "segunda pessoa" preexistente, mas sim a encarnação da eterna Palavra de Deus (João 1:14; Apocalipse 19:13), que em determinado momento da história seria gerada como Filho: “Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?” — Hebreus 1:5.
Salvo melhor juízo (das Escrituras), os verbos no futuro ("serei" e “será”), em Hebreus 1:5, são claros em revelar que não há eternidade nos títulos "Pai" e "Filho", mas se trata de algo circunstacial, como parte do plano de redenção para a humanidade caída.
Apesar dessa verdade bíblica transparente e cristalina, determinadas religiões insistem em defender as "cristofanias" no Velho Testamento, pois suas teologias dependem desse conceito herético para sobreviver. Para algumas delas, a expressão "voz de arcanjo", de 1 Tessalonicenses 4:16, comprova, por exemplo, que o arcanjo Miguel é Jesus.
Para o Unicismo Apostólico, no entanto, o que operava no passado não era um "Filho eterno" em corpo espiritual, mas o Deus Único que manifestava o Seu poder por meio de agências angelicais (Atos 7:35-38, 53; Gálatas 3:19; Hebreus 2:2). De sorte que a "voz do arcanjo" é tão somente um dos elementos que compõe a vinda gloriosa do grande "Rei dos reis" e "Senhor dos senhores" no final dos tempos (Apocalipse 19:16).
Conclusão
Para o leitor do primeiro século, a sequência de 1 Tessalonicenses 4:16 descrevia perfeitamente a chegada de um Imperador Romano ao tribunal de uma cidade conquistada, composta das seguintes etapas:
(1) O soberano emite o decreto de comando (keleuma);
(2) O oficial de mais alta patente (a voz de comando/do arcanjo) repassa a ordem às fileiras; e
(3) A trombeta militar (salpinx) convoca oficialmente os cidadãos para a assembleia legal.
Jesus, portanto, parece ter apropriado-se dessa linguagem para mostrar que Sua volta será a chegada do verdadeiro e único “Imperador do Universo".
Clique no vídeo para ouvir uma narrativa sobre o propósito de 1 Ts 4:16
No próximo estudo, falaremos mais especificamente sobre a crença de que Miguel é um dos títulos de Jesus. Confira!!!

Comentários
Postar um comentário