"Eu estou no Pai e o Pai está em mim" (João 14:10)
Marcelo Victor R Nascimento
Ao estudarmos as Escrituras sob a lente do Unicismo (Deuteronômio 6:4) e da Kenosis radical (Filipenses 2:7), o esvaziamento de Yahweh, deparamo-nos com mistérios profundos sobre a natureza de Cristo e o Seu relacionamento com a Igreja. Duas das expressões mais marcantes de Jesus nos Evangelhos — “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (João 14:10) e “Para que todos sejam um” (João 17:21) — frequentemente geram confusão teológica.
No entanto, quando
compreendemos que existe um único Deus absoluto que se esvaziou inteiramente de
Seus atributos incomunicáveis (onipresença, onisciência, onipotência, imutabilidade,
imortalidade, eternidade, auto existência, indivisibilidade, infinitude,
eternidade, soberania suprema, etc.) para viver como
homem, essas passagens revelam uma distinção cirúrgica entre duas realidades: a
unicidade divina e a unidade da Igreja.
1. "Eu
estou no Pai": A Unicidade Absoluta na Carne
Em João 14:10-11,
Jesus declara a Sua união mútua com o Pai. Para o unicismo, essa afirmação vai
muito além de um mero acordo de cavalheiros ou de uma sintonia de propósitos.
Ela aponta diretamente para a unicidade essencial de Deus.
A kenosis
radical nos ensina que o Criador esvaziou-se de Si mesmo (das Suas
prerrogativas divinas para operar dentro dos limites humanos (Hebreus 2:17).
Contudo, Sua identidade pessoal permaneceu intocada (o caráter divino), tendo recebido
o Espírito eterno do Pai sem medida que O preencheu inteiramente. A carne
(Filho) estava imersa na divindade, e a divindade (Pai) operava através daquela
humanidade. Não são duas pessoas divinas dividindo o mesmo espaço, mas o único
Deus agindo em duas dimensões simultâneas.
2. A
Prerrogativa de Responder Orações
A prova
definitiva de que essa união com o Pai é de identidade (unicidade) e não apenas
de parceria ocorre logo em seguida no texto. Jesus afirma categoricamente: “E
tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no
Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” — João 14:13,14
Caso Jesus fosse
uma "segunda pessoa" subordinada ou apenas um profeta altamente
capacitado que se esvaziou de Seus poderes, seria teologicamente incoerente Ele
prometer que atenderia às orações por Si mesmo. Ele direcionaria o clamor
estritamente ao Pai.
Ao declarar “Eu
o farei”, o Cristo esvaziado na carne reassume Sua identidade como Yahweh —
o Deus Todo-Poderoso que ouve, processa e responde ao clamor do Seu povo. O
homem que pisava o chão da Galileia era, em essência e pessoa, o próprio
Destino das nossas preces.
3. Unicidade
vs. Unidade: O Verdadeiro Sentido de João 17
Alguns teólogos
tentam rebaixar a divindade de Jesus utilizando João 17:21, onde Ele ora para
que os crentes “sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti”. O
argumento pluralista afirma que, se os crentes são "UM" apenas em
propósito, a união de Jesus com o Pai também seria meramente moral.
Essa interpretação ignora a diferença fundamental entre dois conceitos:
- A União da Igreja é de UNIDADE: os crentes tornam-se "UM" em caráter, sentimentos, pensamentos e missão. Isso ocorre devido à presença do Espírito Santo habitando no coração dos verdadeiros adoradores. Os membros da Igreja continuam sendo indivíduos numericamente distintos entre si e distintos de Deus. Não há fusão de essências.
- A União de Jesus com o Pai é de UNICIDADE: Jesus e o Pai não são indivíduos numericamente distintos. Eles são o mesmo Ser. A distinção que vemos nos Evangelhos ocorre estritamente entre a mente e o corpo humanos de Jesus (o Filho) e o Espírito Onipresente e Infinito de Deus (o Pai).
|
UNICIDADE |
UNIDADE |
|
Mesma
Identidade |
Indivíduos
Diferentes |
|
Um
único Deus manifesto em carne |
Harmonia
de Caráter e Mente |
Conclusão
Enquanto a Igreja
atinge uma linda unidade ministerial e relacional através da habitação
do Espírito, Jesus compartilha com o Pai uma unicidade absoluta de
identidade.
O Deus que se
esvaziou radicalmente na kenosis para se fazer Caminho não abriu mão de
ser o Deus que atende a nossa voz. Ele personificou o Pai perante os homens
para que, hoje, transformados em nossa mente e caráter, pudéssemos caminhar em
perfeita unidade uns com os outros e em comunhão eterna com o nosso único
Salvador.
Referência
Bibliográfica:
NASCIMENTO,
M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano
religioso. Joinville: Clube de Autores.


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