O custo, o risco e a liberdade de escolha de Yahweh ao esvaziar-se.
Marcelo Victor R. Nascimento
Vamos analisar o custo, o risco e a liberdade de escolha de Yahweh
ao esvaziar-se e tornar-se um homem, em tudo, semelhante aos demais (Filipenses
2:7; Hebreus 2:17).
1. O que custou a Deus para realizar esse
sacrifício?
Dizer que Deus é todo-poderoso pode fazer parecer que a cruz
foi "fácil" ou um mero teatro. Mas a teologia afirma que o custo foi
incomensurável.
Para realizar esse sacrifício, custou a Deus o esvaziamento de Si mesmo e a submissão total à fragilidade humana (o que os teólogos chamam de Kenosis).
- Custou a humilhação: o Criador do universo aceitou ser cuspido, zombado e julgado por Suas próprias criaturas.
- Custou a dor física e psicológica real: Jesus não usou "anestesia divina". Como homem genuíno, Ele sentiu o horror dos cravos, a asfixia da cruz e a angústia do abandono.
- Custou o preço de sangue: para a visão unicista, a Bíblia afirma algo impressionante em Atos 20:28: que Deus resgatou a Igreja “com o seu próprio sangue”. O preço pago não foi a vida de um terceiro, foi a entrega de Sua própria manifestação humana.
2. Ele correu risco?
Se olharmos pelo atributo da Divindade (o Pai), que
habita em luz inacessível, é onisciente e eterno, Deus nunca esteve em risco de
deixar de existir ou de falhar, pois Seus planos são perfeitos.
Contudo, se olharmos pela perspectiva da Humanidade de Jesus (o Filho), o cenário muda:
- Jesus foi tentado em tudo como nós (Hebreus 4:15). Para a tentação ser real, a possibilidade de ceder precisava ser real na carne.
- Se Ele estivesse operando apenas no "modo divino automático", a tentação no deserto ou a agonia no Getsêmani teriam sido encenações. O "risco", portanto, estava na batalha diária da carne contra o Espírito, onde a carne de Jesus teve que ser perfeitamente subjugada à vontade divina todos os dias.
3. Jesus podia ter negado?
Sim, na Sua condição humana, Ele tinha o
livre-arbítrio para dizer "não". Se Ele não pudesse negar, a Sua
obediência não teria valor moral e o Seu sacrifício não seria um ato de amor
voluntário, mas de programação.
A maior prova de que Ele tinha a faculdade de recusar — e de que sentiu o peso esmagador dessa escolha — aconteceu no Jardim do Getsêmani:
- A Batalha da Vontade: Naquela noite, a vontade humana de Jesus (que, como qualquer homem, recuava diante da tortura e da morte) clamou: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice” (Mateus 26:39).
- A Escolha Voluntária: Logo em seguida, Ele submete Sua vontade humana à soberania divina: “Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.”
Jesus tinha o poder de clamar ao Pai pedindo-Lhe que enviasse uma legiões de anjos, descendo daquela cruz maldita (Mateus 26:53). Aliás, essa era a Sua vontade, como foi citado acima: “Não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele não ficou preso ao madeiro por causa dos pregos romanos; Ele ficou preso ali por causa do Seu próprio compromisso e amor.
A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.
Referência
Bibliográfica:
NASCIMENTO,
M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano
religioso. Joinville: Clube de Autores.


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