O custo, o risco e a liberdade de escolha de Yahweh ao esvaziar-se.

Imagem gerada por Google AI, 2026.
 

Marcelo Victor R. Nascimento

Vamos analisar o custo, o risco e a liberdade de escolha de Yahweh ao esvaziar-se e tornar-se um homem, em tudo, semelhante aos demais (Filipenses 2:7; Hebreus 2:17).


1. O que custou a Deus para realizar esse sacrifício?

Dizer que Deus é todo-poderoso pode fazer parecer que a cruz foi "fácil" ou um mero teatro. Mas a teologia afirma que o custo foi incomensurável.

Para realizar esse sacrifício, custou a Deus o esvaziamento de Si mesmo e a submissão total à fragilidade humana (o que os teólogos chamam de Kenosis).

  • Custou a humilhação: o Criador do universo aceitou ser cuspido, zombado e julgado por Suas próprias criaturas.
  • Custou a dor física e psicológica real: Jesus não usou "anestesia divina". Como homem genuíno, Ele sentiu o horror dos cravos, a asfixia da cruz e a angústia do abandono.
  • Custou o preço de sangue: para a visão unicista, a Bíblia afirma algo impressionante em Atos 20:28: que Deus resgatou a Igreja com o seu próprio sangue. O preço pago não foi a vida de um terceiro, foi a entrega de Sua própria manifestação humana.


2. Ele correu risco?

Se olharmos pelo atributo da Divindade (o Pai), que habita em luz inacessível, é onisciente e eterno, Deus nunca esteve em risco de deixar de existir ou de falhar, pois Seus planos são perfeitos.

Contudo, se olharmos pela perspectiva da Humanidade de Jesus (o Filho), o cenário muda:

  • Jesus foi tentado em tudo como nós (Hebreus 4:15). Para a tentação ser real, a possibilidade de ceder precisava ser real na carne.
  • Se Ele estivesse operando apenas no "modo divino automático", a tentação no deserto ou a agonia no Getsêmani teriam sido encenações. O "risco", portanto, estava na batalha diária da carne contra o Espírito, onde a carne de Jesus teve que ser perfeitamente subjugada à vontade divina todos os dias.


3. Jesus podia ter negado?

Sim, na Sua condição humana, Ele tinha o livre-arbítrio para dizer "não". Se Ele não pudesse negar, a Sua obediência não teria valor moral e o Seu sacrifício não seria um ato de amor voluntário, mas de programação.

A maior prova de que Ele tinha a faculdade de recusar — e de que sentiu o peso esmagador dessa escolha — aconteceu no Jardim do Getsêmani:

  • A Batalha da Vontade: Naquela noite, a vontade humana de Jesus (que, como qualquer homem, recuava diante da tortura e da morte) clamou: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice (Mateus 26:39).
  • A Escolha Voluntária: Logo em seguida, Ele submete Sua vontade humana à soberania divina: Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

Jesus tinha o poder de clamar ao Pai pedindo-Lhe que enviasse uma legiões de anjos, descendo daquela cruz maldita (Mateus 26:53). Aliás, essa era a Sua vontade, como foi citado acima: “Não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele não ficou preso ao madeiro por causa dos pregos romanos; Ele ficou preso ali por causa do Seu próprio compromisso e amor.


Imagem gerada por Google AI, 2026.

    A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.







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