A família de Jesus e o Unicismo
Marcelo Victor R. Nascimento
A família escolhida para
trazer o Messias ao mundo requer uma análise que acaba por confirmar a Teologia
da Unicidade de Deus, reforçando a premissa fundamental de que Deus é
absolutamente um, sem distinção de pessoas, e que Jesus Cristo é a manifestação
desse único Deus em carne.
1. A Relatividade dos Termos
Familiares
A Bíblia Sagrada desconstrói a interpretação biológica rígida de termos como "pai" e "mãe" em relação ao Filho de Deus.
- Paternidade de José: se José é chamado de "pai" sem ser o progenitor biológico, isso valida a ideia de que títulos bíblicos descrevem relacionamentos e funções, não necessariamente essência genética.
- Aplicação Cristológica: (1) José é "pai" [um título] por função, (2) Deus é o "Pai" de Jesus [um título] por ser a divindade que o gerou no ventre de uma mulher e (3) "Filho" [um título] é o mesmo Deus manifestado na humanidade [1 Timóteo 3:16]. Não são duas pessoas divinas, mas o Espírito [Pai] habitando na carne [Filho].
2. Crítica ao Hibridismo e à
"Substância"
Para ser em tudo semelhante aos irmãos [Hebreus 2:17] e cumprir a justiça divina, é fundamental rejeitar a ideia de que Jesus tenha sido um ser "híbrido" [metade Deus, metade homem via óvulo de Maria].
Unicismo vs. Trindade: a lógica aqui é que, se Jesus tivesse herdado material genético de Maria [uma pecadora, como todos os demais homens], ele carregaria a natureza decaída.
Pureza Absoluta: ao afirmar que o corpo foi "preparado" diretamente por Deus [Hebreus 10:5], a humanidade de Jesus é uma nova criação, um "segundo Adão" perfeito, e não uma mistura biológica com a linhagem de pecado.
Nota de Contexto: a Declaração de Fé do
Dogma da Trindade afirma que Jesus, em seu nascimento, trouxe a “substância
do Pai” e a “substância da mãe”, formando um ser híbrido,
originando dois graves erros teológicos, quais sejam: (1) Maria não nasceu com
o pecado original e, por isso, pôde gerar o Filho de Deus imaculado; e (2)
Maria teve seu ventre santificado pelo Espírito Santo, para que pudesse
fornecer um óvulo santo para geração de Jesus.
3. A Negação da Participação
Humana
Duas crenças bastante comuns da Trindade acerca da geração de Jesus é a “Imaculada Conceição de Maria” e a “Santificação temporária do óvulo de Maria”.
- O Erro do "Esperma Divino": o Unicismo abomina a ideia antropomórfica de um Deus que "fertiliza" um óvulo. Em vez disso, acredita na afirmação bíblica de que o Verbo que se fez carne [autogeração milagrosa], i.e., na premissa de que o corpo de Jesus é um tabernáculo preparado pelo próprio Yahweh para Si mesmo.
- A Natureza de Maria: ao classificar Maria como uma mulher pecadora como qualquer outra, remove-se qualquer necessidade de mediação humana ou divina-humana complexa na geração de Jesus. Jesus é santo porque sua origem é 100% divina em termos de concepção, embora 100% humana em termos de experiência.
Nota de Contexto: ao dizer
que a Palavra de Deus “esvaziou-se”,
entendemos que houve
uma subtração de algo do Seu ser,
pois o verbo esvaziar-se denota derramar até que tudo
se acabe [se vá]. Portanto, para ser um homem perfeito, a Palavra obrigou-se a esvaziar-se dos Seus atributos incomunicáveis
[auto alienou-se da onipresença, onipotência, onisciência, auto existência,
imortalidade, indivisibilidade, etc.], pois, só assim, na condição humana [em sua totalidade], Ela poderia condenar
o pecado e oferecer-se
em sacrifício. Doutra forma,
isso seria impossível, pois a Bíblia
diz, por exemplo, que Deus
não pode morrer, sendo imortal [1 Timóteo 6.16].
4. O Impacto da Queda e a
Necessidade de um Corpo Preparado
A citação de Gênesis 5:3 e Romanos 3:23 serve para selar o argumento:
- Impossibilidade Biológica: se o pecado é transmitido pela herança de Adão, qualquer participação celular de Maria corromperia a impecabilidade de Cristo.
- Conclusão Unicista: para o Unicismo, Jesus não é o "Filho Eterno" [termo puramente trinitário], mas o Pai manifestado como Filho.
Nota de Contexto: para que essa manifestação fosse eficaz para a salvação, o corpo não poderia vir da "semente do pecado", mas ser um invólucro perfeito preparado por Yahweh para que Ele pudesse caminhar entre os homens, sofrer e remir a humanidade.
5. Soberania Divina na
Formação do Corpo
A perfeição de Deus, por certo, conciliou a natureza divina de Jesus [como Deus manifesto] com a necessidade de sua integração social e cultural como judeu. Seu corpo não foi fruto de um acaso biológico ou de uma mistura genética comum.
- Ação Direta de Yahweh: quando Deus "preparou um corpo" para habitar, por certo, determinou soberanamente não apenas o sexo, mas a aparência de Jesus.
- Propósito da Semelhança: a "semelhança física com seus familiares" é apresentada como uma estratégia divina para evitar o "escândalo". Isso explica por que Jesus era reconhecido como "filho do carpinteiro" ou "irmão de Tiago", apesar de sua origem ser puramente espiritual e criativa por parte de Deus [Mateus 13:55].
6. A Analogia com a Criação
Original [Gênesis]
A criação dos animais em Gênesis parece validar a possibilidade de um corpo ser formado sem reprodução biológica padrão, mas ainda assim possuir características específicas.
- Matéria-prima comum, resultados distintos: se Deus pôde fazer animais diferentes a partir da mesma terra apenas pela Palavra, Ele poderia perfeitamente formar o corpo de Jesus com o "DNA visual" judeu sem precisar utilizar o material genético de Maria ou José.
- Poder da Palavra: a estrutura física de Jesus é uma obra de arte biológica criada para que o Deus Invisível se tornasse visível e identificável dentro de uma linhagem específica.
7. A Humanidade Funcional vs. Humanidade Biológica
A aparência física serve a um propósito funcional [identidade e aceitação] em vez de ser uma prova de ascendência sanguínea.
- Identidade Cultural: Jesus precisava parecer judeu para cumprir as profecias e operar dentro da lei mosaica.
- Imaculabilidade: a semelhança com os demais judeus [em especial com os familiares] é mais uma prova de que houve uma "ação sobrenatural" na geração de Jesus, capaz de manter a pureza necessária para que o sacrifício fosse perfeito, mesmo parecendo-se fisicamente com aqueles que descendiam de Adão.
Nota de Contexto: o respeito à individualidade de cada pessoa que vem ao mundo, que a torna única em toda a existência [em termos de comportamento e personalidade], deve ter sido ainda maior no caso de Jesus, pois, se houvesse alguma interferência divina nas Suas decisões, as tentações sofridas por Ele teriam sido um “jogo de faz de conta”, algo inconcebível para um Deus justíssimo. O mesmo ocorre em relação aos "atributos incomunicáveis", pois, se Jesus não tivesse se esvaziado [Filipenses 2:7], o valor da Sua vitória sobre as tentações teria sido nulo, uma vez que, como Deus, Ele teria condições de suportar todos os problemas [físicos, mentais e espirituais] sem a menor dificuldade, diferentemente dos seres humanos “comuns” [Jó 42.2].
Resumo da Análise
A santidade de Jesus não
dependeu de uma "limpeza" prévia de Maria, mas do fato
de que Deus criou para Si um corpo físico sem utilizar o material
genético corrompido da humanidade.
Tal verdade preserva a
unicidade de Deus, eliminando a necessidade de “múltiplas substâncias
divinas”, além de focar na onipotência de um único Deus que se faz
presente na história humana, tornando a história do homem a Sua própria
história e não uma simples aparição entre os mortais.
Quanto às características físicas, por certo, Jesus possuía feições judaicas não porque herdou genes de Maria, mas porque Deus projetou Seu corpo humano para ser visualmente compatível com Sua família terrena.
Tal verdade preserva tanto a Unicidade de Deus [como único criador do corpo] quanto a humanidade real de Cristo [como alguém que se inseriu perfeitamente na sociedade de sua época].
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Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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