"A glória que eu tinha contigo" (João 17:5)
Marcelo Victor R. Nascimento
Esta análise propõe uma perspectiva fundamentada no Unicismo
Teológico e na Kenosis, oferecendo uma alternativa à interpretação
trinitária tradicional. A argumentação foca na natureza do Verbo e na
capacidade de Yahweh manifestar-se sem comprometer Sua unidade indivisível.
Abaixo, apresento a exaltação desses
conceitos, refutando o uso pelos trinitários de expressões como “contigo”
e “com” [ditas por Jesus] para assegurar a existência de um “Filho
eterno” [João 1:1; João 17:5].
1. Refutação da Distinção de Pessoas (Exegese de João 1:1 e 17:5)
A doutrina da Trindade interpreta preposições como "com" [pros ou para] em João 1:1 como evidência de comunhão entre duas pessoas distintas. No entanto, o Unicismo refuta essa ideia ao demonstrar que a "Palavra" não é uma pessoa separada, mas o pensamento, plano ou expressão intrínseca de Deus.
- O Verbo como Emanação: assim como o sopro de Jesus em João 20:22 simboliza a saída do Espírito Santo de Seu próprio ser, o Verbo [Logos] é a emanação de Yahweh, i.e., o "Espírito da Sua boca" (Salmos 33:6). A passagem de João 16:28 ("Saí do Pai") não indica um deslocamento espacial de uma pessoa ao lado de outra, mas a manifestação da substância divina na carne [um homem gerado pelo poder de Yahweh].
- A Contraposição de Momentos: a expressão "estava com Deus" em João 1:1 serve como um contraponto narrativo. O Verbo, que é o próprio Deus, manifestou-se aos homens e, após cumprir Seu propósito, "voltou" para a plenitude da divindade. Não se trata de companhia, mas de proveniência e retorno.
2. Paralelos Escriturísticos de Personificação
A Bíblia frequentemente personifica atributos ou
palavras de Deus para enfatizar sua eficácia, sem sugerir uma pluralidade de
seres:
|
Passagem |
Linguagem de "Distinção" |
Realidade Unicista |
|
Isaías 55:11 |
"A palavra... não voltará para mim vazia" |
A palavra é uma emanação da vontade de Deus, não um
agente autônomo. |
|
Romanos 10:8 |
"A palavra está junto de ti, na tua boca
e no teu coração" |
Indica acessibilidade e presença no coração, não uma
entidade física ao lado do homem. |
3. O Mistério da Kenosis e a Onipresença
A solução para o dilema da encarnação reside na
capacidade de Yahweh de atuar simultaneamente em diferentes estados através de
Sua Onipresença (Salmos 139:8-12).
A. A Dualidade de Manifestação: para o unicismo bíblico, Deus não se dividiu,
mas se manifestou:
1.No Trono: como o Espírito Infinito [Pai],
preservando a ordem do universo e Sua glória inacessível.
2.Na Terra [Kenosis]: como o Filho, sendo o próprio Yahweh esvaziado.
B. O Esvaziamento Real [Filipenses 2:7]: diferentemente da visão trinitária que tenta manter
todos os atributos divinos no Filho [gerando paradoxos sobre Sua fome, cansaço
ou ignorância de certos fatos], a verdade bíblica da Kenosis é o
esvaziamento real dos atributos incomunicáveis.
C. Atributos Incomunicáveis: Yahweh esvaziou-se de Sua onipotência, onipresença e onisciência
para experimentar a limitação humana de forma genuína. Ele se tornou o "homem
perfeito" ao abrir mão voluntariamente da imortalidade, auto existência e
indivisibilidade para sofrer a morte em favor da humanidade.
4. A Tabela da Diferenciação Funcional (Modos de Manifestação)
|
Atributo |
Yahweh
no Trono (Pai) |
Yahweh
na Terra (Filho) |
|
Presença |
Onipresente |
Limitado
ao espaço físico |
|
Conhecimento |
Onisciente |
Crescia
em sabedoria (Lucas 2:52) |
|
Poder |
Onipotente |
Dependente
do Espírito do Pai |
|
Imortalidade |
Imortal |
Sofreu
a morte na cruz |
5. A Glória como Atributos Aniquilados
Nesta perspectiva, a "Glória" é a soma da perfeição dos atributos de Deus [onipotência, onisciência, onipresença, auto existência, imutabilidade, indivisibilidade, imortalidade, eternidade, etc.]. Para que Jesus fosse verdadeiramente um "homem perfeito" e se tornasse "em tudo semelhante aos seus irmãos" (Hebreus 2:17), Ele precisou passar por um processo de aniquilação desses atributos [esvaziamento de si mesmo].
- A Realidade do Esvaziamento: não foi um "disfarce" de Deus em forma de homem. A Palavra de Yahweh aniquilou Sua prerrogativa de agir como Deus. Ao abrir mão do "poder inigualável", Ele não operava milagres por Sua própria divindade intrínseca enquanto homem, mas como um homem cheio do Espírito Santo.
- O Risco Real: se Jesus tivesse mantido o uso de Seus atributos divinos [como a onipotência], a tentação seria um teatro. Para que a tentação fosse real e o mérito da vitória fosse legítimo, Ele precisava ser passível de falha, tendo capacidade de efetuar escolhas [Isaías 7:15]. A glória foi esvaziada para que a fragilidade fosse total, no mesmo nível da humanidade de Adão antes da queda.
6. Jesus: O Homem Perfeito [Sem "Faz de Conta"]
A análise dos textos bíblicos, sob este prisma, revela um Cristo que correu riscos. A missão de Jesus não foi um "jogo de cartas marcadas".
- A Fragilidade Humana: Ao assumir a "glória dada aos homens", Jesus submeteu-se à vontade, às limitações intelectuais humanas [crescer em sabedoria] e à possibilidade de sofrimento extremo.
- A Tentação Genuína: como afirma o texto ao mencionar que Ele "não possuía o poder inigualável", entende-se que Ele enfrentou o deserto e o Getsêmani contando apenas com a oração e a obediência. A vitória sobre o pecado só tem valor porque a possibilidade de desobediência era real. Se não houvesse risco de não cumprir a missão, não haveria necessidade de "receber poder" (Mateus 28:18) após a ressurreição; o poder já seria d'Ele o tempo todo.
7. A Conquista da Glória pela Vitória
Jesus passou a possuir algo que, como homem, não possuía. Isso é crucial para entender que a exaltação foi uma conquista.
- O Recebimento do Poder [Ap 5:12]: o Cordeiro é digno de receber o poder porque o venceu na condição de fraqueza. A glória que Ele "aniquilou" para encarnar foi "devolvida" a Ele, estando no meio do trono [Apocalipse 7:17].
- A Honra Devida ao Pai [João 5:22-23]: esta honra é outorgada ao Filho porque o homem Jesus triunfou onde o primeiro Adão fracassou. Yahweh, em Sua manifestação como Pai, estava convergindo em Jesus todas as coisas e julgando a humanidade, através do testemunho de fidelidade.
Conclusão: A Unidade Absoluta
A refutação à Trindade baseia-se na premissa de que
Deus não divide Sua essência em pessoas, mas manifesta Sua plenitude de formas
distintas.
O Unicismo preserva o Shema ["O
Senhor nosso Deus é o único Senhor"] ao entender que o Filho não é
alguém "ao lado" de Deus, mas o próprio Deus
"conosco".
A kenosis não é a prova de uma distinção de
pessoas, mas a prova do amor de Yahweh, que foi capaz de se autolimitar na
forma de servo enquanto permanecia, simultaneamente, como o sustentador de toda
a criação através de Sua magnífica onipresença.
Imagem gerada por Google AI, 2026.
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A grande verdade das Escrituras sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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