A paternidade de Jesus
Marcelo Victor R. Nascimento
No que se refere à
paternidade de Jesus, o Unicismo [Monoteísmo Estrito] oferece uma
solução lógica e teológica para a confusão causada pela Trindade. Isso, porque,
para o Unicismo, Pai, Verbo e Espírito Santo são manifestações [modos de ser] do único e mesmo Deus.
Reflitamos sobre o assunto.
1. A Identidade entre o Pai
e o Espírito Santo
Os textos de Salmo 2:7 e Mateus 1:18 falam da existência de duas pessoas distintas gerando Jesus [dois pais biológicos/espirituais], um absurdo teológico.
- Análise Unicista: a Bíblia afirma, categoricamente, que "Deus é Espírito" (João 4:24). O Espírito Santo é a natureza de Deus em ação [emanação do Seu ser]. Portanto, não são dois seres gerando um filho; é o único Deus [o Pai] agindo por meio da Sua própria essência [o Espírito] para realizar o milagre da encarnação.
- Conclusão: Jesus é o "Filho de Deus" porque foi concebido pelo Espírito de Deus, de sorte que "Pai" e "Espírito Santo" são o mesmo Ser [uma única pessoa].
2. O Verbo se fez Carne: Auto
manifestação
O texto de João 1:14 diz que o Verbo se fez carne "por si mesmo". Há um verbo reflexivo, indicando uma ação realizada pelo sujeito da frase, que redunda em algo sobre ele próprio. Na visão trinitária, isso criaria uma terceira fonte de paternidade.
- Análise Unicista: O "Verbo" [Logos] não é uma segunda pessoa eterna ao lado de Deus, mas o pensamento, o plano e a expressão de Deus postos em ação [uma emanação do Seu ser]. Quando João diz que o "Verbo" era Deus, ele está identificando a Palavra com a própria identidade do Pai.
- A Paternidade Única: não foi uma "segunda pessoa" que encarnou, mas o próprio Deus Pai que se manifestou em carne. Como diz a Escritura: "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo" (2 Coríntios 5:19). O Verbo é a face visível [para os humanos] do Pai invisível.
3. A Resolução do
"Problema" da Paternidade
Ao analisar os três pontos
citados, o Unicismo harmoniza as passagens da seguinte forma:
|
Título/Ação |
Perspectiva Trinitária [Conflito] |
Perspectiva Unicista [Unidade] |
|
Pai (Salmos 2:7) |
1ª Pessoa gerando o Filho. |
Deus, em Sua relação de
aliança e autoridade. |
|
Espírito Santo (Mt 1:18) |
3ª Pessoa realizando a
concepção. |
O método de operação: Deus
é Espírito em ação. |
|
Verbo (João 1:14) |
2ª Pessoa tornando-se
carne. |
A expressão visível do
único Deus Pai. |
Conclusão da Análise
Para o unicismo, o texto
fornecido não prova a existência de três pessoas distintas, mas sim a atuação
multifacetada de um único Deus.
Se o "Espírito Santo" gerou a "Jesus", e "Jesus" é "Filho do Pai", então o Espírito Santo é o Pai. Se o "Verbo" era Deus e se fez carne, então "Jesus" é a manifestação humana desse mesmo
e único Deus.
A paternidade de Jesus pertence exclusivamente a Yahweh, que é (1) o Pai por relação, (2) o Espírito pela Sua natureza santa e (3) o Verbo pela Sua expressão na humanidade. Portanto, Jesus não é o filho de uma "comunidade divina", mas a encarnação do Deus Único.
A grande
verdade das Escrituras sagradas é que, de uma maneira real e concreta,
em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo;
o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao
poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus
cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável
Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se
revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não
pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez
maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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