Parte 2 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]

 

Imagem gerada pelo Google AI, 2026.

Marcelo Victor R. Nascimento


Esta é a segunda de uma série de refutações da Declaração de Fé Trinitária, também conhecida como Credo de Atanásio.

Do Artigo nº 3 ao nº 17, o Credo usa as seguintes expressões de cunho filosófico∕científico: “substância”, “coeterna” e “incriado”, além de citar a palavra “incompreensível” por cinco vezes.

No 17º, depois de algumas divagações de cunho filosófico, o Credo termina por impor a seguinte proibição: “Também somos proibidos pela religião católica de dizer: três Deuses, ou há três Senhores”, lembrando da exclusão social para quem desobedecesse.


1. O Problema das Expressões Filosóficas e o Dogma do "Incompreensível"

O uso de expressões filosóficas e a admissão de que trata-se de uma doutrina inconpreensível, referindo-se à natureza do dogma, apresenta os seguintes problemas:

  • Confissão de Obscuridade: ao citar explicitamente o termo “incompreensível”, a Declaração de Fé admite que sua estrutura não é baseada na clareza da revelação divina, mas em um caráter ambíguo.
  • Substituição da Revelação pela Sabedoria Humana: essas expressões são puramente filosóficas e extra-bíblicas, enquadrando-se na reprovação do apóstolo Paulo sobre pregações baseadas em "palavras persuasivas de sabedoria humana" [1 Coríntios 2:4].
  • Barreira ao Relacionamento com Deus: o apelo ao inefável, i.e., ao que a mente humana não pode compreender, contribui para obscurecer a verdadeira natureza de Deus e criar uma confusão mental.
  • Distanciamento Espiritual: essa abordagem leva ao distanciamento entre criatura e Criador, pois a fé deixa de ser um encontro com o Deus revelado para se tornar um enigma científico e filosófico.


2. A Imposição e a Exclusão Social [Artigo 17]

O Artigo 17 impõe que os cristãos eram "proibidos pela religião católica de dizer: Há três Deuses, ou há três Senhores", o que gera contradições severas sob a ótica bíblica unicista:

  • Mascaramento da Ambiguidade: a proibição tenta silenciar a conclusão lógica da divisão trinitária [três pessoas], forçando uma unidade que o próprio credo fragiliza ao usar termos filosóficos complexos.
  • Política de Terror: a imposição, que custava exclusão social, depõe contra os princípios cristãos de convencer e converter pelo amor, apoiando-se no medo e na sabedoria dos homens em vez de no poder de Deus.
  • Apoio na Sabedoria Terrena: a fé não deve ser sustentada por decretos humanos ou ameaças de exclusão, mas pela demonstração do Espírito.


3. Teocracia Espiritual x Hegemonia Religiosa

  • A Complexidade como Ferramenta de Exclusão: ao definir Deus por meio de termos filosóficos "incompreensíveis" e extra-bíblicos, a instituição criou um abismo entre o fiel comum e a divindade. Essa complexidade funcionava como uma barreira de controle: somente o clero possuía a "chave" para interpretar o inefável. Para o Unicismo, isso é o oposto do Evangelho, onde Jesus afirma que o Pai se revelou aos "pequeninos" e não apenas aos sábios e entendidos deste mundo [Mateus 11:25].

  • O Terror como Substituição do Convencimento: a exclusão social imposta contra quem ousasse dizer "Há um só Deus e um só Senhor" [negando a divisão de pessoas] era uma forma de política de terror. Em um mundo onde a Igreja dominava monarcas, ser excluído do meio religioso significava a "morte civil": perda de direitos, de propriedades e, muitas vezes, da própria vida.

Nota: isso prova que o dogma não tinha força para se sustentar apenas na Escritura ou na demonstração do Espírito; ele precisava da espada do Estado para sobreviver.

  • A Fé na Sabedoria dos Homens: o apelo ao conhecimento científico extra-bíblico e à autoridade eclesiástica para silenciar o pensamento Unicista confirma o que Paulo advertiu em 1 Coríntios 2:4-5. Quando a fé de uma sociedade se apoia no medo da exclusão e na complexidade filosófica, ela deixa de se apoiar no Poder de Deus.


Conclusão:

A repetição do termo "incompreensível" é a prova definitiva de que o dogma trinitário busca convencer o fiel através do mistério imposto e do conhecimento extra-bíblico, falhando em apresentar a simplicidade e o poder da natureza de Yahweh.

A imposição de um pensamento religioso complexo sob ameaça de exclusão depõe contra a própria essência do Cristianismo. Enquanto Yahweh se revela de forma simples e poderosa para salvar e unir o homem a Si, a hegemonia religiosa da época usou a obscuridade do dogma para separar, julgar e dominar.

A verdade Unicista, portanto, não é apenas uma correção teológica, mas um resgate da liberdade espiritual contra milênios de confusão mental e tirania religiosa.


“A verdade que liberta não precisa de ameaças para ser aceita; ela se manifesta pelo poder, enquanto o erro se impõe pelo medo.”


Imagem gerada por Google AI, 2026.


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.





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