Parte 2 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]
Marcelo Victor R. Nascimento
Esta é a segunda de uma
série de refutações da Declaração de Fé Trinitária, também conhecida como Credo de Atanásio.
Do Artigo nº 3 ao nº 17, o Credo usa as seguintes
expressões de cunho filosófico∕científico: “substância”, “coeterna”
e “incriado”, além de citar a palavra “incompreensível”
por cinco vezes.
No 17º, depois de algumas divagações de cunho
filosófico, o Credo termina por impor a seguinte proibição: “Também somos proibidos pela religião
católica de dizer:
Há três Deuses, ou há três Senhores”,
lembrando da exclusão social para quem desobedecesse.
1. O
Problema das Expressões Filosóficas e o Dogma do "Incompreensível"
O uso de expressões filosóficas e a admissão de que trata-se de uma doutrina inconpreensível, referindo-se à natureza do dogma, apresenta os seguintes problemas:
- Confissão de Obscuridade: ao citar explicitamente o termo “incompreensível”, a Declaração de Fé admite que sua estrutura não é baseada na clareza da revelação divina, mas em um caráter ambíguo.
- Substituição da Revelação pela Sabedoria Humana: essas expressões são puramente filosóficas e extra-bíblicas, enquadrando-se na reprovação do apóstolo Paulo sobre pregações baseadas em "palavras persuasivas de sabedoria humana" [1 Coríntios 2:4].
- Barreira ao Relacionamento com Deus: o apelo ao inefável, i.e., ao que a mente humana não pode compreender, contribui para obscurecer a verdadeira natureza de Deus e criar uma confusão mental.
- Distanciamento Espiritual: essa abordagem leva ao distanciamento entre criatura e Criador, pois a fé deixa de ser um encontro com o Deus revelado para se tornar um enigma científico e filosófico.
2. A
Imposição e a Exclusão Social [Artigo 17]
O Artigo 17 impõe que os cristãos eram "proibidos pela religião católica de dizer: Há três Deuses, ou há três Senhores", o que gera contradições severas sob a ótica bíblica unicista:
- Mascaramento da Ambiguidade: a proibição tenta silenciar a conclusão lógica da divisão trinitária [três pessoas], forçando uma unidade que o próprio credo fragiliza ao usar termos filosóficos complexos.
- Política de Terror: a imposição, que custava exclusão social, depõe contra os princípios cristãos de convencer e converter pelo amor, apoiando-se no medo e na sabedoria dos homens em vez de no poder de Deus.
- Apoio na Sabedoria Terrena: a fé não deve ser sustentada por decretos humanos ou ameaças de exclusão, mas pela demonstração do Espírito.
3. Teocracia Espiritual x Hegemonia Religiosa
A Complexidade como Ferramenta de Exclusão: ao definir Deus por meio de termos filosóficos "incompreensíveis" e extra-bíblicos, a instituição criou um abismo entre o fiel comum e a divindade. Essa complexidade funcionava como uma barreira de controle: somente o clero possuía a "chave" para interpretar o inefável. Para o Unicismo, isso é o oposto do Evangelho, onde Jesus afirma que o Pai se revelou aos "pequeninos" e não apenas aos sábios e entendidos deste mundo [Mateus 11:25].
- O Terror como Substituição do Convencimento: a exclusão social imposta contra quem ousasse dizer
"Há um só Deus e um só Senhor" [negando a divisão de pessoas] era uma
forma de política de terror. Em um mundo onde a Igreja dominava monarcas, ser
excluído do meio religioso significava a "morte civil": perda de
direitos, de propriedades e, muitas vezes, da própria vida.
Nota: isso
prova que o dogma não tinha força para se sustentar apenas na Escritura ou na
demonstração do Espírito; ele precisava da espada do Estado para sobreviver.
- A Fé na Sabedoria dos Homens: o apelo ao conhecimento científico extra-bíblico e à autoridade eclesiástica para silenciar o pensamento Unicista confirma o que Paulo advertiu em 1 Coríntios 2:4-5. Quando a fé de uma sociedade se apoia no medo da exclusão e na complexidade filosófica, ela deixa de se apoiar no Poder de Deus.
Conclusão:
A
repetição do termo "incompreensível" é a prova definitiva de
que o dogma trinitário busca convencer o fiel através do mistério imposto e do
conhecimento extra-bíblico, falhando em apresentar a simplicidade e o poder da
natureza de Yahweh.
A
imposição de um pensamento religioso complexo sob ameaça de exclusão depõe
contra a própria essência do Cristianismo. Enquanto Yahweh se revela de forma
simples e poderosa para salvar e unir o homem a Si, a hegemonia religiosa da
época usou a obscuridade do dogma para separar, julgar e dominar.
A
verdade Unicista, portanto, não é apenas uma correção teológica, mas um resgate
da liberdade espiritual contra milênios de confusão mental e tirania
religiosa.
“A
verdade que liberta não precisa de ameaças para ser aceita; ela se manifesta
pelo poder, enquanto o erro se impõe pelo medo.”
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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