Parte 7 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]
Marcelo Victor R. Nascimento
Esta é a sétima de uma série de refutações da Declaração de Fé Trinitária, também conhecida como Credo de Atanásio.
Ao olharmos para o Artigo nº 41 do Credo, temosa clara noção de que se trata de um documento "inquistório", à medida que apresenta um "juízo de maldição eterna" para quem não o aceitar como verdade indiscutível. A julgar pelos fatos narrados em diversos livros de história, que relatam as consequências terríveis que sofreram aqueles que ousaram questionar as "verdades trinitárias" [morte e exclusão social], é razoável entender que uma doutrina recheada de incompreensões não sirva como parâmetros para classificar se determinada instituição é ou não cristã.
Analisemos essas questões.
1. Desconstruindo a Natureza
do Credo
O Credo de Atanásio [século V d.C.] difere dos credos anteriores por seu tom jurídico e excludente. Enquanto os textos bíblicos convidam a crer para a salvação, o Credo de Atanásio impõe uma estrutura metafísica grega como "pedágio" para a vida eterna.
- O Caráter Inquisitório: o artigo nº 41 afirma: "Esta é a fé católica; e quem não a crer fiel e firmemente, não poderá salvar-se".
- A Crítica: diferentemente da Bíblia, que foca na confissão de que Jesus é o Senhor [Romanos 10:9], o Credo foca na aceitação de termos não-bíblicos como "consubstancial", "coeterno", “coigual”, “alma racional” e “substância”.
- Filosofia vs. Revelação: o dogma utiliza a lógica de “substâncias” [ousia] e "pessoas" [hypostasis] para explicar Deus, o que o torna um sistema fechado e punitivo contra quem prioriza a linguagem estritamente bíblica.
2. Refutação dos Pontos
Trinitários à Luz do Unicismo
Abaixo, os principais pontos
de colisão entre o dogma e a verdade absoluta do Unicismo:
|
Ponto do Dogma |
Refutação
Unicista |
Base Bíblica |
|
Distinção de
Pessoas |
Deus é Um em
pessoa e espírito. As "distinções" são modos de
manifestação [Pai na criação, Filho na redenção, Espírito Santo na
regeneração]. |
Efésios 4:5-6;
Tiago 2:19 |
|
Filho Eterno |
O termo "Filho"
refere-se à encarnação. Não existe um "Filho" gerado
na eternidade antes do tempo, mas o Verbo que era Deus e se fez carne. |
Lucas 1:35; João
1:1,14 |
|
Co-igualdade |
Jesus não é "igual"
a Deus como se fosse um segundo ser; Ele é o próprio Deus Manifestado. |
Isaías 9:6;
Colossenses 2:9 |
3. A Divindade de Cristo
como Único Parâmetro
Conforme sugerido, o divisor
de águas entre “ser cristão” e “não ser cirstão” não
deve ser a aceitação de fórmulas filosóficas complexas, mas a identidade de
Cristo.
- Isaías 9:6: profetiza que o
Menino que nasceria é o Pai da Eternidade. Se Ele é o Pai, a distinção de
pessoas cai por terra automaticamente.
- João 1:1-3: o Verbo não estava
apenas com Deus, o Verbo era Deus. Toda a criação
veio d'Ele.
Nota:
nas Escrituras Sagradas, “estar com” não significa, necessariamente,
“em companhia de”, como é possível verificar nesta passagem: “A palavra
está junto de ti, na tua boca e no teu coração” (Romanos 10:8), mesmo porque Jesus mostrou que era uma emanação de Yahweh com as seguintes palavras: “Saí do
Pai e vim ao mundo” (João 16:28).
- João 8:58: ao dizer "Eu
Sou", Jesus assume o nome da divindade absoluta revelada a Moisés
[Yahweh], sem intermediários ou parceiros de divindade.
4. Aplicação Prática: Como
Identificar uma Instituição Cristã?
Para o Unicismo, uma
instituição é genuinamente cristã quando:
1. Reconhece que Jesus Cristo é o único Deus verdadeiro e
a vida eterna [1 João 5:20].
2. Batiza conforme o exemplo apostólico e a determinação dada pelo Espírito Santo: "Em nome do Senhor Jesus Cristo" [Atos
2:38; Colossenses 3:17].
3. Respeita os rudimentos da doutrina de Cristo, descritos em Hebreus 6:1-2.
Conclusão Crítica:
A fé deve ser baseada em
Jesus Cristo e na Sua obra, e não na capacidade intelectual de desvendar
paradoxos filosóficos criados alguns séculos após os apóstolos.
No Unicismo, a complexidade
da Trindade é substituída pela plenitude da divindade habitando em um corpo
de carne que, por infinito amor, esvaziou-se da Sua glória [“aniquilou-se
a Si próprio”] para que pudesse morrer pelos pecadores.
O erro do Credo de Atanásio
foi substituir a revelação do Nome [Jesus] pela explicação
da substância, a fim de sustentar a tese de que existem três pessoas distintas formando uma entidade chamada "deus".
Por fim, ao condenar quem não
compreende suas divisões “matemático-filosóficas", o documento afasta-se do
Evangelho, acessível aos humildes e oculto aos que confiam na
sabedoria humana [Lucas 10:21; 1 Coríntios 1:19-21].
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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