Parte 5 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]

 

Imagem gerada por Google AI, 2026.

Marcelo Victor R. Nascimento


Esta é a quinta de uma série de refutações da Declaração de Fé Trinitária, também conhecida como Credo de Atanásio.

Do Artigo nº 29 ao nº 34, o assunto do Credo é a constituição de Jesus, com afirmações que procuram manter as “substâcias” separadas [a divindade e a humanidade], sem que se perca a unidade da “pessoa eterna do Filho”, criando uma divisão metafísica desnecessária, contrária à simplicidade bíblica.

Segue, abaixo, a crítica estruturada em três pontos fundamentais:


1. A Divisão de Pessoas vs. A Unicidade de Deus

O Credo afirma que Jesus é "igual ao Pai quanto à divindade" e "inferior ao Pai quanto à humanidade".

  • Crítica: essa estrutura pressupõe a existência de duas pessoas distintas coexistindo em pé de igualdade eterna. Do ponto de vista unicista, não existem dois seres divinos; existe apenas um único Deus [o Espírito] que se manifestou na carne [como um homem]. A "inferioridade" mencionada não é de uma pessoa [Filho] para outra [Pai], mas sim a relação da natureza humana limitada perante a natureza divina onipresente.

Nota: ao focar em "pessoas", o Credo abandona o monoteísmo estrito em favor de uma construção filosófica pluralista.

2. A Perfeição Divina e a Realidade da Kenosis

O Credo declara Jesus como "Deus perfeito", sugerindo que ele operava na Terra com a plenitude ativa de todos os atributos divinos.

  • Crítica: embora Jesus fosse perfeitamente Deus em essência [origem], a exegese bíblica aponta para o fato da Palavra de Deus ter sofrido uma kenosis [esvaziamento] de Seus atributos incomunicáveis. Ele não usou Sua onisciência ou onipotência originais por não as possuir [como os demais homens], dependendo  inteiramente do Pai [o Espírito], que desceu sobre Ele no batismo.

Nota: ao dizer que Jesus era "igual ao Pai quanto à divindade" durante seu ministério terreno, sem mencionar esse esvaziamento, o Credo ignora a realidade do sacrifício e da limitação voluntária de Deus, quando tornou-se verdadeiramente homem [Hebreus 2:17].

3. "O Verbo se fez Carne" vs. "Levar a Humanidade a Deus"

O Credo afirma que Cristo "levou a humanidade a Deus" e nega a "conversão da divindade em carne".

  • Crítica: esta é a contradição mais severa com o texto bíblico de João 1:14. A Bíblia diz explicitamente que o Verbo se fez carne. O termo "fez-se" indica uma transformação milagrosa no ventre de Maria, onde o ser espiritual [o Verbo] tornou-se matéria por meio da palavra criadora de Deus.
  • A afirmação católica de que Ele apenas "levou a humanidade a Deus" soa como uma adição externa, como se Deus tivesse "vestido" uma humanidade pré-existente ou independente. A Bíblia diz que a humanidade de Jesus foi gerada pelo Espírito, sendo Deus manifestado em um novo estado de existência, e não apenas uma união de duas naturezas que permanecem distintas em autoridade e "postos".


Conclusão:

O Credo de Atanásio, ao tentar evitar o que chama de "conversão da divindade", acaba negando o poder criativo do Espírito de Deus de se tornar sua própria criação. Ao dividir Cristo em categorias de "igual" e "inferior" baseadas em pessoas, o dogma falha em reconhecer que Jesus é a face visível do único Deus invisível, esvaziado dos atributos incomunicáveis para a redenção humana.

Dizer que Deus manteve-se plenamente divino, sem se esvaziar de fato, faz com que a encarnação se reduza a uma simples “aparição” de Deus entre os homens, sem que se possa afirmar que a história humana foi a Sua própria história.

Entretanto, a Bíblia não ensina a existência de um ser híbrido, como se Jesus fosse um “semideus”, ou um “deus-menor”, ou um “deus-homem”, ou um “super-homem” [com superpoderes]. Ao contrário, as Escrituras revelam-nos um homem em tudo semelhante aos demais [Hebreus 2.17], que foi ungido pelo Espírito Santo com virtude e poder [no momento em que foi batizado por João], que Lhe capacitou a realizar as obras maravilhosas e cumprir Sua missão.

O fato de Deus ter entrado verdadeiramente no sofrimento humano, por meio de Sua manifestação em carne, autolimitando-se, não anula Sua divindade, antes a torna ainda mais manifesta e admirável, fazendo-O plenamente Deus, ainda mais soberano, maior e mais glorioso do que antes se podia imaginar.


Imagem gerada por Google AI, 2026.



Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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