Parte 3 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]
Marcelo Victor R. Nascimento
Esta é a terceira de uma
série de refutações da Declaração de Fé Trinitária, também conhecida
como Credo de Atanásio.
Do Artigo nº 13 ao nº 17, o Credo trata da “matemática
trinitária”, conhecida como “3 em 1”, algo que sai do campo
teológico e entra no campo filosófico, criando um “mostro” que
desafia a lógica estabelecida pelo próprio Deus no Universo.
Vejamos a clareza dos textos bíblicos, nos quais Yahweh e Jesus são tratados como “deus” e “senhor” distintamente:
(1) "Replicou-lhes Jesus [Deus]: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor [Jesus, o Messias], dizendo: Disse o Senhor [Yahweh] ao meu Senhor [Jesus]: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?” (Mateus 22.43-45);
(2) “Jesus [Senhor e Deus] respondeu: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor [Yahweh], nosso Deus [Yahweh], é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor [Yahweh], teu Deus [Yahweh], de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Marcos 12.29-30);
(3) “No princípio era o Verbo [Jesus], e o Verbo estava
com Deus [Yahweh], e o Verbo [Jesus] era
Deus [Yahweh]” (João 1.1)
Ao confrontar o dogma
trinitário com a premissa de que a Bíblia é a autoridade final, emergem
contradições que, para o pensamento unicista, invalidam a estrutura teológica
do Credo.
Abaixo, detalho a crítica à
incongruência do conceito trinitário e à proibição nele mencionada.
1. A Incongruência
Matemática e Semântica
O Credo de Atanásio afirma a existência de três pessoas distintas, mas proíbe a conclusão lógica de que são três Deuses ou três Senhores, criando um impasse intelectual:
- A Falha Logística: se a identidade de "Pessoa A" é distinta da "Pessoa B", e ambas possuem todos os atributos da divindade de forma autônoma, a negação do plural ["três deuses"] torna-se uma mera barreira semântica que ignora a aritmética da própria afirmação.
- O Testemunho Bíblico: a Bíblia usa os títulos "Senhor" e "Deus" para se referir tanto ao Pai quanto ao Filho, como ocorre em João 1:1 e Mateus 22:44. Ao proibir o uso desses títulos de forma distinta para as supostas "pessoas distintas", o Credo entra em conflito com a própria terminologia das Escrituras, que diferencia as manifestações [Pai e Filho] sem, contudo, criar pessoas metafísicas separadas.
2. A
Dualidade de Senhorio em Mateus 22:43-45
O texto bíblico apresenta um diálogo onde dois são chamados de "Senhor":
- "Disse o Senhor [Yahweh] ao meu Senhor [Jesus]".
- Aqui, a Bíblia é clara ao distinguir o Senhor que fala [Pai/Espírito] do Senhor que ouve [Filho/Messias].
- Crítica Unicista: Se o Credo de Atanásio proíbe dizer que há "dois senhores", ele torna o texto de Mateus ilegal ou confuso. Para o Unicismo, essa distinção não é entre duas pessoas eternas, mas entre o Deus invisível [Yahweh] e Deus manifestado na carne [Jesus]. A tentativa do Credo de proibir a distinção de "Senhores" ignora que a Bíblia usa exatamente essa distinção para explicar a encarnação.
3. A
Identidade de Yahweh no Shema [Marcos 12:29-30]
Neste trecho, Jesus [que é Senhor e Deus] reafirma a centralidade de Yahweh:
- "O Senhor [Yahweh], nosso Deus, é o único Senhor".
- Crítica Unicista: se Jesus, sendo Deus e Senhor, aponta para Yahweh como o "único Senhor", a lógica trinitária de Atanásio cria uma fragmentação: como pode haver três pessoas onde cada uma é Senhor, se Jesus afirma que o "único Senhor" é Yahweh?
Nota:
a "proibição" de Atanásio tenta esconder que, se
houvesse três pessoas, haveria necessariamente três senhores. O Unicismo
resolve isso afirmando que Jesus é o Yahweh do Shema manifestado, e não uma
"segunda pessoa" distinta do Senhor mencionado por
Moisés.
4. A Unidade de
Essência em João 1:1
O prólogo joanino apresenta a maior clareza sobre a distinção e a identidade:
- "O Verbo [Jesus] estava com Deus [Yahweh], e o Verbo [Jesus] era Deus [Yahweh]".
- Crítica Unicista: o texto utiliza "Deus" para o Pai e "Deus" para o Verbo. São dois usos do mesmo título no mesmo verso. A proibição do Credo de Atanásio de tratar cada um como "um deus [distinto]" entra em colisão com a estrutura de João 1:1.
- Se o Verbo estava com Deus, há uma distinção de modo; se o Verbo era Deus, há uma identidade de pessoa. Estar “com” não significa “em companhia”, pois Jesus deixa claro Sua origem quando diz “Saí do Pai e vim ao mundo” (João 16:28).
Nota: é curioso o fato
de que, em momento algum, o Credo fala da terminologia usada para Jesus antes
da encarnação [a Palavra de Deus] e não cita a Kenosis [o
esvaziamento, descrito em Filipenses 2:7].
5. A Inviabilidade de Servir
a "Dois Senhores"
Olhando para Mateus 6:24 ["Ninguém pode servir a dois senhores"], é possível desconstruir a pluralidade de pessoas:
- Lealdade Absoluta: se o trinitarismo define o Pai como Senhor e o Filho como Senhor [distintos entre si], ele estabelece, na prática, uma dualidade [ou tríade] de comando.
- A Perspectiva Unicista: a única forma de obedecer ao mandamento de Cristo e manter a Shema ["O Senhor nosso Deus é o único Senhor"] é entender que o Pai e o Filho são a mesma e única Pessoa.
Nota: a distinção não é de
"almas" ou "centros de consciência"
diferentes, mas de modo de existência: Deus como Espírito onipresente [Pai], assentado no trono celestial, e Deus manifestado na carne [Filho].
6. A Proibição como
Construto Filosófico
A proibição contida no nº 17 do Credo é vista como uma ferramenta de controle dogmático para evitar que o trinitarismo descambe explicitamente para o triteísmo.
- Artificialidade: tal proibição é uma confissão de que a Trindade é uma "construção filosófica". Ao tentar harmonizar a multiplicidade de pessoas com a unidade de essência através de proibições terminológicas, o Credo abandona a simplicidade bíblica em favor de uma metafísica complexa que a Bíblia nunca descreve explicitamente.
- A Manifestação Simultânea: o Unicismo resolve a "incongruência" proposta pelo texto ao explicar que o Verbo se fez carne. Não houve a adição de uma segunda pessoa, mas a automanifestação de Deus.
Nota: o diálogo entre Pai e
Filho [como descrito em Mateus 22:43-45] é interpretado como a relação profética
entre a Divindade [Espírito] e a Humanidade [Carne], apontando para a dupla
manifestação simultânea que ocorreria na plenitude dos tempos, e não para um
diálogo entre duas entidades eternas.
Conclusão da Crítica
Sob o prisma unicista, o
Credo de Atanásio tenta "tapar o sol com a peneira". Ao
declarar que há três pessoas, ele cria uma pluralidade [um politeismo] e, ao
proibir que se diga "três deuses", ele tenta resgatar o
monoteísmo, mas o faz de forma artificial e contrária à lógica de Jesus sobre a
exclusividade do senhorio.
A
clareza dos textos bíblicos citados demonstra que a Bíblia não tem "medo"
de usar os títulos de “Deus” e “Senhor” para
descrever a relação entre o Espírito e a Carne, e não uma relação politeísta.
Para
o Unicismo, a Bíblia é clara: Yahweh e Jesus são tratados distintamente porque
um é o Pai [Origem] e o outro é o Filho [Manifestação],
mas ambos são o único e mesmo Senhor. A proibição de Atanásio é, portanto, uma
regra humana imposta sobre a clareza da revelação divina.
Finalizando, fica claro que
a lógica do Unicismo expõe o fato de que a única solução para as passagens
citadas é aceitar que Jesus é o próprio Yahweh manifestado [Deus conosco], eliminando a
necessidade de proibições linguísticas ou ginásticas teológicas para manter a
unidade divina.
A imagem ilustra a censura dogmática imposta pelo Credo de Atanásio. Enquanto a Bíblia chama Yahweh e Jesus de "Deus" e "Senhor" distintamente, o clero impõe o silêncio para ocultar a incongruência de existir três pessoas sem que existam três senhores. Esse gesto de "calar a boca" representa a proibição de questionar uma construção filosófica que carece de lógica matemática e fundamentação nas Escrituras. Sob a ótica unicista, a imposição do silêncio é a única forma de sustentar um dogma que colide com a unicidade absoluta de Deus.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.
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