Parte 6 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]
Marcelo Victor R.Nascimento
Esta é
a sexta de uma série de refutações da Declaração de
Fé Trinitária, também conhecida como Credo de Atanásio.
Os Artigos
nº 33 e nº 34, tratam da pessoa de Jesus que traz uma certa confusão na
tentativa de manter as “substâcias” separadas [a divindade e a humanidade], sem
perder a unidade da “pessoa eterna do Filho”, terminando por esvaziar a
humanidade de Jesus de sua autenticidade e transformando sua jornada terrena em
uma encenação teológica em vez de uma experiência humana genuína.
Aqui está a análise crítica
baseada nas premissas de que a identidade de Yahweh foi preservada, mas seus
atributos foram voluntariamente restringidos.
1. A Negação da Humanidade
Real: O "Jogo de Faz de Conta"
O Credo de Atanásio insiste que Jesus é "Deus perfeito" em igualdade absoluta de atributos com o Pai durante sua vida terrena.
- A Crítica: ao rejeitar a kenosis [o esvaziamento dos atributos incomunicáveis], o Credo cria um Jesus que possui onisciência e onipotência plenas e ativas. Contudo, se Ele já possuía todo o conhecimento e poder divino de forma irrestrita, a passagem de Isaías 7:15 ["quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem"] perde o sentido
- O Conflito: se Jesus não pudesse, em sua humanidade, tomar decisões próprias ou enfrentar a possibilidade real de escolha, sua resistência à tentação não seria uma vitória moral, mas um resultado mecânico de sua divindade.
Nota: o Credo transforma a
vida de Cristo em um "teatro", onde Ele finge aprender,
finge cansar-se e finge decidir, quando, na verdade, estaria apenas executando
um programa divino imutável.
2. Identidade de Caráter vs.
Plenitude de Atributos
Para que tudo tenha sido real, Yahweh manteve Sua identidade e individualidade, assim como Adão era livre.
- A Crítica: o Credo de Atanásio confunde quem Deus é [personalidade/caráter] com o que Deus pode fazer [atributos]. Para o Unicismo kénótico, Jesus é Yahweh em caráter e santidade, mas um Deus que aceitou assumir as limitações humanas [Filipenses 2:7].
- A Incongruência do Credo: ao exigir que Jesus fosse "igual ao Pai quanto à divindade" no sentido de exercício de poder, o catolicismo nega a capacidade soberana de Deus de se autolimitar. Se Deus foi poderoso para criar Adão com livre-arbítrio, Ele é igualmente poderoso para manifestar-se em um corpo onde Sua vontade humana tivesse que "aprender" a se alinhar à vontade espiritual do Pai.
3. A Autonomia da Decisão e
o Exemplo de Adão
A comparação com Adão é fundamental: Jesus possuía independência de decisão, conforme Isaías 7:14-15 sugere.
- A Crítica: o trinitarismo atanasiano, ao postular duas naturezas perfeitas em uma só pessoa, muitas vezes funde as vontades de tal modo que a humanidade de Jesus é absorvida pela divindade.
- A Verdade Bíblica: a Bíblia mostra Jesus orando para que a vontade do Pai prevalecesse sobre a sua ["não se faça a minha vontade, mas a tua"]. Essa é a prova cabal de que havia um espaço de decisão real. O Credo, ao manter Jesus "carregado" com todos os atributos divinos incomunicáveis, anula essa distinção.
Nota: sem a kenosis,
a submissão de Jesus ao Pai não seria um ato de obediência de um filho, mas uma
redundância lógica de um Deus que não pode ser diferente de si mesmo.
Conclusão
A estrutura do Credo de
Atanásio falha por não permitir que Deus seja verdadeiramente humano. Ao tentar
proteger a divindade de Jesus através da negação do esvaziamento, o Credo acaba
por invalidar o sacrifício. Se Jesus não operasse sob a dependência do Espírito
[por estar "cheio" de seus próprios atributos divinos],
Ele não seria o "Emanuel" [Deus “conosco”, na nossa
limitação], mas um intruso divino imune à experiência de escolha que
define a humanidade desde Adão.
Assim sendo, o Unicismo,
aliado à kenosis, é a única via que preserva a identidade de Yahweh
sem destruir a verdade do Cristo que escolheu o bem por decisão própria,
e não por imposição de atributos latentes.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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