Jesus identifica-se ao mundo!!!
Marcelo Victor R. Nascimento
Há quatro passagens das Escrituras Sagradas que tratam de forma cristalina da identidade de Jesus, nas quais Ele identifica-se como sendo o Yahweh do VT. São elas:
1 - "Eu e o Pai somos UM" (João 10:30);
2 - Disse-lhe Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta”. Disse-lhe Jesus: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim VÊ o PAI; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:8,9);
3 - "Antes que Abraão existisse, EU SOU" (João 8:58), identificando-se como o grande Yahweh;
4 - Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém VEM ao PAI, senão por mim” (João 14:6).
Analisemos cada uma delas sob o ponto de vista do Unicismo [a manifestação de Deus de três modos distintos] e da Kenosis radical, i.e., do esvaziamento sofrido pela Palavra de Deus quando se fez carne [Filipenses 2:7].
1.
João 10:30 – "Eu e o Pai somos um"
Jesus utiliza aqui uma estrutura que vai além da concordância de ideias.
- Identificação com Yahweh: no Antigo Testamento, a confissão central do judaísmo é o Shema: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Deuteronômio 6:4). Ao dizer que Ele e o Pai são um (hen), Jesus reivindica para Si a identidade do único Deus de Israel.
Nota: nesta declaração, Jesus não afirma uma unidade de propósito ou de vontade (como
dois aliados), mas uma unidade de natureza e identidade. Para o
Unicismo, isso revela que o Espírito que habitava em Jesus era o próprio Pai.
Se Jesus e o Pai são o mesmo Ser, a distinção entre eles é apenas entre a
Divindade invisível (Pai) e a Divindade visível (Filho).
- A
Reação: Os judeus entenderam exatamente o que Ele disse, pois
pegaram pedras para matá-lo, alegando: "sendo tu homem, te fazes Deus a ti
mesmo" (v. 33). Eles reconheceram que Jesus não estava reivindicando ser
"como" Deus, mas ser o próprio Deus.
2.
João 14:8-9 – "Quem me vê a mim vê o Pai"
Esta é a declaração mais direta de Jesus sobre Sua identidade como o Pai manifestado.
- A Resposta a Filipe: Filipe pediu para ver o Pai (Yahweh). Jesus não respondeu "Vou te apresentar a Ele", mas sim: "Estou há tanto tempo convosco e não Me tendes conhecido?".
- Identidade Visível: Jesus afirma que Ele é a imagem do Deus invisível. Ver a Jesus era a única forma humana de "ver" o Pai. Se Jesus fosse uma pessoa distinta do Pai, dizer "quem me vê, vê o Pai" seria um erro teológico ou uma metáfora confusa; no Unicismo, é uma verdade literal sobre a encarnação.
Nota:
a resposta de Jesus a Filipe é o argumento definitivo contra a pluralidade de
pessoas. Jesus corrige a “miopia teológica” de Filipe ao mostrar
que não há outro Pai a ser buscado fora d'Ele. O Pai é o Espírito Eterno; o
Filho é o corpo [tabernáculo] do Pai.
3.
João 8:58 – "Antes que Abraão existisse, Eu Sou"
Aqui, Jesus identifica-se através do Nome Memorial de Deus.
- O Nome Yahweh: quando Moisés perguntou o nome de Deus na sarça ardente, Deus respondeu: "EU SOU O QUE SOU" (Ehyeh asher Ehyeh).
- A Reivindicação: Jesus não disse "antes que Abraão existisse, eu era", o que indicaria apenas pré-existência. Ele usou o presente eterno: "Eu Sou" (Ego Eimi). Ele estava afirmando ser o próprio Yahweh que falou com Moisés. A gramática de Jesus rompe o tempo linear para mostrar que Ele é o Ser Eterno que agora habita em um corpo sujeito ao tempo.
Nota:
essa fala vincula Jesus diretamente ao Yahweh do Antigo Testamento, sugerindo
que o Deus que falava através das sarças agora falava através de lábios
humanos.
4.
João 14:6 – "Ninguém vem ao Pai senão por mim"
Esta passagem estabelece Jesus como o único caminho, mas também como o único destino.
- O Caminho e o Objetivo: ao utilizar "vem", Ele sinaliza que o Pai se manifesta plenamente em Sua própria pessoa. Ele não é um mediador que aponta para um terceiro; Ele é o ponto de encontro onde o Pai está presente, i.e., não há outra "face" de Deus a ser encontrada fora de Jesus.
- Unicidade: se fosse possível chegar ao Pai sem passar por Jesus, ou se o Pai fosse uma pessoa operando separadamente na redenção, a exclusividade de Jesus seria invalidada. Ele é a porta e, ao mesmo tempo, aquele que está dentro da casa.
Nota: se Jesus diz que ninguém vem ao Pai senão por Ele, a implicação lógica é que o Pai está onde Jesus está. Ao utilizar "vem", Ele sinaliza que o Pai se manifesta plenamente em Sua própria pessoa.
|
5.
Kenosis Radical: A Humanidade como o Único Caminho
A Kenosis Radical sugere que Deus não apenas "se vestiu" de homem, mas esvaziou-se de Seus atributos divinos incomunicáveis (onipresença, onisciência, onipotência, imutabilidade, imortalidade, eternidade, auto existência, indivisibilidade, infinitude, eternidade, soberania suprema, etc.) para viver uma experiência puramente humana.
- A Face Humana de Deus: para que o homem possa "vir" a Deus, Deus precisou se tornar o caminho em uma forma que pudéssemos tocar e compreender. Jesus, em Seu estado de esvaziamento (kenosis), torna-se o portal [para Si próprio].
- O Tabernáculo: o uso do verbo "vem" indica que o Trono de Deus se deslocou para a terra na pessoa de Cristo. Não subimos ao Pai por esforços próprios; nós nos aproximamos do Homem Cristo Jesus e, ao fazê-lo, já chegamos ao Pai.
6.
Resumo Teológico
Nessas
passagens apresentadas, Jesus demonstra que Sua humanidade (o Filho) era o
tabernáculo e Sua divindade era o próprio Pai (Yahweh).
|
Passagem |
O
que Jesus afirma |
Identidade
com Yahweh |
|
João
10:30 |
Unidade
de essência |
Ele
é o Único Deus do Shema. |
|
João
14:9 |
Unidade
de pessoa |
Ele
é a manifestação visível do Pai invisível. |
|
João
8:58 |
Eternidade
própria |
Ele
assume o Nome revelado no Êxodo. |
|
João
14:6 |
Exclusividade
total |
Ele
é a única via porque Ele é a própria face de Deus. |
Síntese
da Argumentação
A
união dessas passagens aponta para uma verdade singular: Jesus Cristo é
Yahweh manifestado em carne.
A Kenosis
Radical explica como o Todo-Poderoso pôde dizer "o Pai é maior
do que eu" (referindo-se à sua condição humana limitada) ao mesmo
tempo que afirmava "Eu e o Pai somos um" (referindo-se
à sua essência divina).
O
Unicismo, portanto, não divide a divindade, mas exalta a humildade de um Deus
que se tornou Sua própria criação para resgatá-la [Jesus = Yahweh é salvação].
Nota:
ainda que o céu dos céus não possa conter Yahweh [1 Reis 8:27], ainda que Ele
transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9], e ainda que n'Ele vivamos, nos
movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos 16:28], o magnífico
atributo da onipresença de Yahweh [Salmos 139:8-12] permitiu-Lhe manifestar-se
às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8;
Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], d'onde preside sobre a
assembleia celestial e sobre o Universo [Salmos 82:1]. Foi por esse mesmo
atributo, que Yahweh foi capaz de manter-se assentado no trono da Sua glória e,
ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta
terra e, como um homem perfeito, morrer pelos pecadores, pagando-lhes a dívida
do pecado. Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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