N'Ele habita a plenitude da divindade (Colossenses 2:9)
Marcelo Victor R. Nascimento
Há um texto muito usado pelos adoradores da Trindade par assegurar
que Jesus possuía "duas naturezas" (união hipostática). Trata-se de Colossenses
2:9 que diz o seguinte: “Porque nele habita corporalmente toda a
plenitude da divindade” (Colossenses 2:9).
Contudo,
uma análise um pouco mais profunda de tal passagem revela-nos as falhas
exegéticas da visão trinitária, demonstrando como a tradição dogmática, no afã
de sustentar a união hipostática, é capaz de ignorar a gramática e o contexto
bíblico.
1. O Erro Cronológico: O
Tempo Presente vs. O Jesus Terreno
O primeiro grande equívoco trinitário é ignorar que Paulo escreve Colossenses 2:9 no presente do indicativo ("nele habita"e não "nele habitou").
- A Falha Trinitária: os trinitários tentam projetar essa "habitação da plenitude" para o período em que Jesus caminhava na Terra, tentando provar que ele era "totalmente Deus" enquanto humano, mas Paulo falava de Jesus cerca de 30 anos depois que Ele já havia subido ao céu.
- A Realidade Unicista: durante o seu ministério terreno, Jesus estava em estado de esvaziamento (kenosis), conforme Filipenses 2:7. Só por essa informação, já fica clara a impossibilidade de usar a palavra “plenitude da divindade” para Jesus.
Nota: se a plenitude
divina — com seus atributos incomunicáveis como a onisciência — estivesse
operando naquele corpo de carne, a afirmação de Jesus de que não sabia o dia ou
a hora da sua vinda (Marcos 13:32) seria uma mentira ou uma contradição lógica
insustentável.
2. A
Interpretação de "Plenitude" (Pleroma) como Suficiência
Os defensores da trindade interpretam "plenitude" como uma definição de essência metafísica (substância divina). Contudo, o contexto de Colossenses 2:8-10 aponta para a suficiência soteriológica.
- O Erro Trinitário: focar na constituição bi-natureza de Cristo.
- A Verdade Bíblica: Paulo está combatendo o gnosticismo e as filosofias que sugeriam que o cristão precisava de "algo a mais" (anjos, ritos, filosofias). Ao dizer que a plenitude habita em Cristo, ele afirma que Jesus é suficiente, i.e., que n’Ele habita todo o tesouro da sabedoria e da ciência, e tudo que diz respeito à vida, sem que falte coisa alguma para a salvação e remissão dos pecados, possuindo, em Suas “mãos” (e nas mãos de nenhum outro), as chaves do inferno e da morte.
3. A Negação da Kenosis
Radical
A doutrina trinitária da "união hipostática" afirma que Jesus nunca deixou de usar seus atributos divinos, apenas os "ocultou". Isso anula o conceito bíblico de esvaziamento (Filipenses 2:7).
- A Contradição: se Jesus era "menor que os anjos" (Hebreus 2:7), ele não poderia estar em posse da plenitude dos atributos incomunicáveis da divindade simultaneamente.
- O Erro de Interpretação: os trinitários forçam a palavra "plenitude" para significar "posse de atributos onipotentes na carne", o que contradiz diretamente a humilhação de Cristo. A kenosis radical exige que o Verbo tenha se esvaziado de tal forma que sua divindade na terra era manifesta pela unção e presença do Pai (o Espírito), e não por uma natureza divina intrínseca e ativa que coexistia com uma natureza humana limitada.
Nota: dizer que Jesus
acrescentou a natureza humana à divina significa dizer que houve um acréscimo e
não um esvaziamento. Contudo, a Bíblia assegura que o “rico” se tornou verdadeiramente “pobre”, sendo impossível que Ele tenha participado de um “jogo de faz de conta” (2
Coríntios 8:9).
4. Confusão entre Imagem e
Essência
Ao citar Colossenses 1:15 e Hebreus 1:3, os trinitários tentam provar uma "coeternidade" de pessoas.
- A Falha: ignoram que uma "imagem" ou um "resplendor" são derivações visíveis de uma fonte única. João disse que os apóstolos viram a glória do Verbo que se fez carne, por causa da graça e da verdade que contemplaram nas palavras e obras por Ele realizadas, revelando a essência do Criador.
- A Perspectiva Unicista: Jesus é a face visível do Deus invisível (Yahweh). Ele não é uma "segunda pessoa" que compartilha a plenitude; ele é o corpo no qual a plenitude do Único Deus decidiu se manifestar. A "união de duas naturezas" é uma invenção filosófica que tenta explicar o que a Bíblia resolve de forma simples: Deus (Espírito) manifestado em carne (Homem).
Conclusão da Análise
O erro fundamental dos adoradores da trindade é a obstinação em ignorar o contexto preventivo de Paulo. Enquanto Paulo usa Colossenses 2:9 para afastar a igreja das "vãs sutilezas", a Trindade se tornou a maior de todas as sutilezas humanas, criando um sistema complexo que impede o indouto de enxergar a simplicidade de Cristo: que n’Ele, e somente n’Ele, temos tudo o que Deus é e tudo o que o homem precisa.
Jesus não era uma mera sombra, ou um conto inventado pela mente humana, mas a plenitude para os que estavam irremediavelmente condenados à morte eterna, trazendo, em si, o resplendor da glória de Yahweh e a imagem exata (e perfeita) do Seu maravilhoso ser (Colossenses 1.15; Hebreus 1.3-5), pois, como está escrito, “foi do agrado do Pai que toda a plenitude n’Ele habitasse” (Colossenses 1.19).
O homem Jesus era: (1) A realidade divina (em toda a sua plenitude), descrita nas profecias; (2) A imagem exata das coisas: o nosso altar, o nosso sacrifício, o nosso sacerdote, o nosso incenso, o nosso tabernáculo, o nosso tudo em todos (Hebreus 10.1 e Colossenses 3.11); (3) A expressão perfeita da glória de Yahweh (Hebreus 1.3); e (4) O princípio e o fim de todas as coisas (enquanto Palavra de Deus), em quem, por quem e para quem foram criadas todas as coisas que estão nos Céus e na Terra (João 1.3; Colossenses 1.16; Apocalipse 2.8).
A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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