O Amor Ágape de Deus - Refutando Teses Trinitárias Absurdas
Marcelo Victor R. Nascimento
Para a teologia trinitária clássica, aceitar a
existência de um único "Eu" divino (uma única pessoa ou um
único centro de autoconsciência) destruiria a própria essência do que eles
entendem por Deus.
Para o trinitarismo, Deus não é apenas uma
substância única, mas uma comunhão eterna. Se Deus fosse um único "Eu",
eles acreditam que vários atributos divinos e relatos bíblicos colapsariam.
Para a Trindade, as “três pessoas divinas” estão tão
perfeitamente unidas e habitam de tal forma umas nas outras que, onde uma
opera, as três operam em perfeita harmonia, embora mantenham suas identidades
distintas.
É por isso que Jesus pôde dizer "Eu e o Pai somos um"
(João 10:30) e "o Pai está em mim, e eu estou no Pai"
(João 10:38). Os trinitários leem isso como unidade de essência e comunhão, e
não como identidade de uma única pessoa.
Um dos principais motivos pelos quais a
Trindade rejeita categoricamente um único "Eu" divino é
o conceito de amor. Analisemos essa premissa à luz do Unicismo.
1. A Natureza do Amor Eterno
O argumento filosófico e teológico mais forte da Trindade baseia-se na afirmação bíblica de que "Deus é amor" (1 João 4:8).
- A lógica trinitária: o amor, por definição, exige um relacionamento. Exige quem ama (o Amante), quem é amado (o Amado) e o próprio ato de amar (o Amor).
- Se Deus fosse um único "Eu" antes da criação do universo, Ele teria passado a eternidade sozinho. Portanto, Ele não poderia ser essencialmente "amor" na eternidade passada, pois não teria a quem amar. Ele só passaria a amar depois de criar os anjos e os homens. Nesse cenário, Deus dependeria da criação para exercitar Seu amor.
- Para os trinitários, as três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) garantem que Deus sempre foi, em Si mesmo e por toda a eternidade, uma comunidade de amor perfeito, independente da criação.
2. O Amor de Deus é Volitivo e Altruísta, não
uma Necessidade Carente
Como especificado acima, a teologia trinitária argumenta que o amor exige um objeto (um "outro") para existir. O Unicismo responde que essa lógica aplica-se ao amor humano, que é dependente e necessitado, mas não ao amor divino (Agapē).
- Deus não precisa de canais externos para ser amor, porque o amor é a Sua própria essência, Sua natureza inerente. Ele é a própria fonte do amor.
- Dizer que Deus precisava de outras pessoas eternas para "praticar" o amor implica que Ele tinha uma necessidade psicológica ou emocional que precisava ser suprida. Para o unicista, isso fere a plenitude de Deus. Deus “era”, “é” e “sempre será” absolutamente completo em Si mesmo.
3. A Plenitude do "Eu" Divino:
Pensamento, Vontade e Sentimento
Para o Unicismo, o único “Eu” divino não passava a eternidade em um "vácuo de solidão" ou em tédio. Deus é um Espírito infinito, dotado de mente, sabedoria, presciência e vontade perfeitas (absolutamente completas). Antes da criação do tempo, o amor de Deus para com outrem já existia de forma latente e perfeita em Seus decretos eternos:
- A Presciência: Deus, em Sua mente eterna, já conhecia e amava a criação e a humanidade antes mesmo de elas existirem no plano físico. Como diz Efésios 1:4, Ele nos escolheu e nos amou "antes da fundação do mundo".
- Portanto, o "objeto" do amor de Deus na eternidade passada não era uma segunda ou terceira pessoa divina coeterna, mas o Seu próprio plano perfeito e a humanidade que Ele livremente decidiu criar.
Nota:
aquilo que Gênesis chama de "o princípio" é apenas o
princípio daquilo que Deus escolheu nos contar, de sorte que tudo o que aconteceu
antes faz parte das "coisas encobertas" que pertencem
exclusivamente a Ele. A base bíblica para tal premissa encontra-se nas
seguintes linhas: "As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso
Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para
sempre..." (Deuteronômio 29:29). Sabendo que a mente de Deus possui
uma capacidade infinita de criação e realização, pensar na eternidade passada
como um período de "ócio" absoluto até a criação do
homem limita a própria natureza dinâmica de Deus. Ele pode muito bem ter
estabelecido, governado e encerrado eras inteiras de realidades espirituais ou
cósmicas que simplesmente não têm relevância para o plano de salvação do homem
— e, por isso, foram mantidas em segredo. A Bíblia foca estritamente na
história da redenção humana; se Deus decidiu manter em oculto reinos passados,
dimensões espirituais anteriores ou decretos que operaram antes do tempo
existir, isso só engrandece a Sua majestade.
4. O Paradoxo Trinitário da Dependência
Coeterna
O Unicismo inverte o argumento e aponta para aquilo que considera uma fragilidade lógica na visão trinitária:
- Se o Pai só é "amor" porque tem o Filho para amar, e o Filho só existe porque é gerado pelo Pai, então nenhuma das pessoas é totalmente autossuficiente sozinha. O Pai dependeria do Filho para ser plenamente quem Ele é (Amor).
- O Unicismo defende a asseidade estrita: Deus não depende de absolutamente nada nem de ninguém fora de Sua própria e única consciência existencial para possuir todos os Seus atributos divinos. Ele é o Eu Sou o que Sou (Êxodo 3:14).
5. O Amor como Essência
À luz do texto bíblico e da sã doutrina sobre o caráter de Deus, Ele é
absolutamente autônomo, completo e não depende de "objetos"
para validar Seus atributos. A ideia de que Deus precisaria de um objeto ou de
"outra pessoa" para conseguir amar é uma projeção da
limitação humana sobre a mente de Deus, e não o que as Escrituras ensinam.
O argumento bíblico e lógico que confirma a sua afirmação funciona da
seguinte forma:
A. Ser versus Fazer:
Quando 1 Joâo 4:8
diz que "Deus é amor", o texto usa o verbo de ligação.
Não diz que Deus "pratica" o amor ou que Deus "reage"
com amor. Diz que o amor é a Sua própria substância e essência.
- Um
objeto só é necessário para o amor quando o amor é visto estritamente como uma
ação ou um sentimento direcionado a alguém ou alguma coisa.
- Se
o amor em Deus dependesse de um objeto para existir, o amor não seria a essência
de Deus, seria um atributo dependente. Deus seria dependente da
existência de outra coisa (seja o Filho trinitário ou a criação) para conseguir
ser Quem Ele é. Isso violaria o princípio bíblico de que Deus basta a Si mesmo
(“EU SOU O QUE SOU” - Êxodo 3:14).
B. O Amor Ágape não é Carente:
O amor humano (como o eros
ou a philia) necessita de reciprocidade e de um objeto externo
para se realizar; ele busca preencher um vazio. O amor de Deus, descrito no
Novo Testamento, é o Ágape (α˙γα˙πη).
- O
amor Ágape é puramente doador, soberano e incondicional. Ele não
nasce da necessidade de se relacionar, mas sim da própria plenitude.
- Deus
não ama porque o objeto é amável ou porque Ele precisa amar; Deus ama porque
Ele tem a plenitude do amor em Si mesmo. A existência ou não de um receptor não
altera a natureza da fonte. O sol não deixa de emitir luz e calor se não houver
um planeta para recebê-los; a luz faz parte da natureza do sol. Deus é a fonte
inesgotável.
C. A Autossuficiência Absoluta de
Deus (Asseidade)
A Bíblia é clara ao mostrar que Deus
não tem carências de nenhuma espécie. Em Atos 17:25, o apóstolo Paulo afirma
categoricamente:
"Nem tampouco é servido por
mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá
a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas."
Se aplicarmos a lógica de que Deus
precisa de "alguém" para amar, criamos um paradoxo onde
Deus tem uma necessidade afetiva ou relacional que precisa ser suprida.
Conclusão
Dizer que Deus é o amor completo e que não precisa de objetos para amar
é a única afirmação que preserva a perfeição e a total independência de Deus.
Ele não criou o universo porque Lhe faltava algo, nem opera em Si mesmo uma
dinâmica de dependência mútua.
A criação foi um ato de pura graça e
transbordamento do Seu maravilhoso ser. Deus, sendo a fonte inesgotável de
amor, bondade e glória, decidiu livremente criar seres humanos para que nós
pudéssemos participar e desfrutar da Sua plenitude, e não porque Ele precisasse
de nós (ou de parceiros divinos) para ser completo. Ou seja, Ele cria por
soberania, não por carência.
Antes de qualquer coisa existir, o único "Eu"
divino já era a definição perfeita, completa e absoluta de Amor. Não havia nem
mesmo silêncio, pois Sua Palavra já ecoava por “toda parte”, como
uma emanação dos Seu maravilhoso ser. Além do que, a Bíblia diz que Deus sempre
foi Rei, possuindo, portanto, um reino eterno (Salmos 10:16).
O certo é que a revelação
bíblica é suficiente para a nossa salvação, mas não esgota quem Deus é ou tudo
o que Ele já fez. Aceitar que Deus pode ter governado reinos invisíveis e
anteriores ao nosso universo é um ato de humildade exegética: significa reconhecemos que o único Deus soberano é infinitamente maior do que as páginas da história humana conseguem registrar. Aquilo que Gênesis chama de "o
princípio" é apenas o princípio daquilo que Ele escolheu nos
contar.
"As
coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos
pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre..." (Deuteronômio 29:29).
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


Não conhecia este conceito trinitária. Belo argumento! Vamos em frente!!!
ResponderExcluirToda essa divagação sobre Deus é a confirmacao do eterno vácuo de aceitação do próprio ser que nos criou.
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