O batismo de Jesus
Marcelo Victor R. Nascimento
Esta análise aprofunda a compreensão do batismo de Jesus sob a ótica do Unicismo e da Kenosis completa, onde a divindade não é vista como uma segunda pessoa em Cristo agindo independentemente, mas como a plenitude do único Deus [o Pai] operando através de um homem totalmente autolimitado.
1. A Kenosis e a Necessidade
do Batismo Capacitador
O ponto de partida é o fato de Jesus, ao manifestar-se em carne, ter se esvaziado dos atributos incomunicáveis [onipresença, onisciência, onipotência, imortalidade, auto existência, indivisibilidade, imortalidade, eternidade, etc.]. Diante dessa autolimitação real, Jesus, em sua humanidade, não possuía "poder próprio" latente para realizar milagres.
- O Batismo como um Marco: o batismo no Jordão [Mateus 3.16; Lucas 3.22] não foi um ritual de purificação da pessoa de Jesus, mas um ato de investidura e capacitação.
- A Unção Profética: no momento do batismo, cumprem-se as profecias de Isaías [11.2, 42.1 e 61.1]; o Espírito do Senhor repousa sobre o Messias para habilitá-lo ao ministério.
Nota:
como foi dito acima, no caso específico de Jesus, o batismo claramente não estava
relacionado ao perdão de pecados, pois Ele havia sido gerado sem a participação
da humanidade caída, mas por obra divina do Espírito Santo. O ato do batismo tratou-se, tão
somente, do cumprimento da Lei Mosaica que determinava que o sacerdote fosse
lavado em água, conforme a seguinte passagem: “Então farás chegar a Arão e a seus
filhos à
porta da tenda da congregação, e os lavarás com água”
(Êxodo 29:4). Sendo sacerdote (segundo
à ordem de Melquisedeque), Jesus, aos 30 anos de idade, cumpriu tal ordenança,
tendo dito à João Batista que era necessário que fosse batizado para que se
cumprisse “toda a justiça”, i.e., os preceitos da Lei Mosaica
(Mateus 3:15; Lucas 3:23; Hebreus 7:17). Portanto, não foi por acaso que o
escritor bíblico deixou registrada a idade de Jesus, em Lucas 3:23, pois,
segundo a mesma Lei, o sacerdócio iniciava-se exatamente aos 30 anos, de tal
forma que, como Ele próprio garantiu na Sua jornada na terra, nem um jota ou um
til passaria (da referida Lei) sem que tudo tivesse o total cumprimento
(Números 4:3; Mateus 5:18).
2. A Fonte do Poder: O Pai no Filho
Dentro do Unicismo, a distinção não é entre duas pessoas divinas, mas entre o Pai (Espírito/Divindade) e o Filho (Carne/Humanidade).
- A Dependência Total: Jesus afirmou que "o Filho de si mesmo nada pode fazer" (João 5.19) e que "o Pai, que está em mim, é quem faz as obras" (João 14.10).
- A Operação por Meio do Espírito: os sinais, prodígios e maravilhas eram realizados por Yahweh, operando através do véu da carne de Jesus. Jesus era o instrumento perfeito e o poder era a plenitude da divindade que desceu sobre Ele sem medida [João 3:34; Atos 10:38].
3. Conhecimento e Palavras por Revelação
A onisciência de Jesus durante seu ministério terreno é explicada não como um atributo intrínseco de sua mente humana, mas como revelação contínua do Espírito.
- A Sondagem de Corações: o poder para conhecer pensamentos e mistérios vinha da unção recebida no batismo, que lhe permitia penetrar nas profundezas de Deus [João 3.34; João 8.55].
- As Palavras Inspiradas: até mesmo o que Jesus falava era fruto da instrução do Pai, cumprindo Deuteronômio 18.18. Ele não falava de si mesmo, mas transmitia o mandamento e a glória do Pai que O enviou e O encheu [João 12.49].
Conclusão: A Glória da
Humanidade Dependente
Ao aceitar que a kenosis foi completa, a soberania de Deus torna-se ainda mais admirável. Jesus não realizou milagres "como Deus", mas como o Homem Perfeito ungido pelo Espírito Santo. Isso valida o batismo como o ponto de inflexão onde o Cristo autolimitado recebe a plenitude necessária para manifestar a glória de Yahweh ao mundo, provando que Deus pode triunfar plenamente através da fragilidade humana, quando esta é totalmente submissa ao Seu Espírito.
O fato de Deus ter entrado verdadeiramente no sofrimento humano, por meio de Sua manifestação em carne, autolimitando-se, não anula Sua divindade, antes a torna ainda mais manifesta e admirável, fazendo-O plenamente Deus, ainda mais soberano, maior e mais glorioso do que antes se podia imaginar.
Nota Teológica:
Ainda que o céu dos céus não possa conter Yahweh [1 Reis 8:27], ainda que Ele transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9] e ainda que n'Ele vivamos, nos movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos 17:28], o magnífico atributo da onipresença divina [Salmos 139:8-12] permitiu-Lhe preencher o universo e, simultaneamente, acomodar-se, de forma a manifestar-se às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], onde preside sobre a assembleia celestial e sobre o Universo de uma forma geral [Salmos 82:1].
Foi por esse mesmo atributo que Yahweh foi capaz de
manter-se assentado no trono da Sua glória (como “Pai”) e, ao mesmo tempo,
esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta terra e, como um
homem perfeito [Hebreus 2:17], morrer pelos pecadores(como “Filho”), cumprindo
o que havia prometido: "Porque
assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas,
e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no
meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e
livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de
escuridão" (Ezequiel 34:11-12).
Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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