O coração VAZIO: a origem do MAL.
Marcelo Victor R. Nascimento
Se Deus preenche todo o universo
e não há lugar onde Ele não esteja (Salmo 139:8-12), como pode existir um "vazio da presença de Deus"
chamado mal? Esse vazio só pode existir em um único território no cosmos — o
coração livre da criatura.
Para entender como isso funciona sem violar a soberania de Deus, a filosofia teológica divide essa questão em duas realidades: a presença física/essencial [como fonte e sustentação da vida] e a presença moral/relacional.
1. Deus está presente em
essência, mas ausente em comunhão
Do ponto de vista físico e de
sustentação da realidade, Deus está em todos os lugares (“n'Ele vivemos,
nos movemos e existimos”, tamanha é a grandeza da Sua presença - Atos
16:28). Ele sustenta a própria existência do pecador e os átomos do universo
enquanto o pecado acontece. Se Deus se retirasse completamente de um lugar em
termos de poder e essência, aquele lugar simplesmente deixaria de existir,
desintegrando-se no nada.
No entanto, quando dizemos que o
mal é a "ausência de bem", estamos falando de uma ausência
moral e relacional.
- Deus respeita tanto a barreira da liberdade (da Sua criação) que, embora esteja presente ao redor e sustentando a vida da
criatura, Ele não força a Sua santidade e a Sua vontade para dentro
do coração dela.
- O coração livre é o único santuário no
universo onde Deus deu à criatura a chave da porta pelo lado de dentro (Apocalipse 3:20).
Quando o coração livre escolhe o
egoísmo, o orgulho ou a independência, ele cria um "vácuo"
de Deus em sua própria disposição moral. Deus está ali sustentando o ser, mas a
Sua influência e o Seu caráter foram rejeitados por aquela vontade. O mal,
portanto, é a escuridão que a própria criatura projeta quando decide dar as
costas para a Luz que a rodeia.
2. A Autolimição de Deus
Na teologia, existe um conceito
que explica exatamente essa sua intuição: a ideia de que Deus, para dar
espaço para que outras pessoas livres existissem, voluntariamente
"encolheu" ou limitou a imposição da Sua vontade em
certos pontos do cosmos.
Se Deus impusesse a Sua presença
e o Seu querer de forma absoluta em todos os cantos, a liberdade da criatura
seria esmagada pela magnitude d'Ele. Seria impossível escolher o oposto. Para
que o homem pudesse ser um agente livre, Deus criou esse "espaço
protegido" chamado livre-arbítrio.
O coração livre é, de fato, o único lugar onde Deus aceita ser temporariamente "rejeitado" ou "ausente", permitindo que a criatura experimente como é viver com as próprias forças.
3. O Fim do Vácuo na Nova
Jerusalém
Essa dinâmica do "vazio
no coração" é estritamente temporária e pedagógica. Na Terra, o
coração livre pode se fechar e gerar o mal por contraste. Mas a história da
redenção serve justamente para curar essa vulnerabilidade da criatura finita.
Na eternidade, a omnipresença de
Deus e a liberdade humana finalmente entrarão em perfeita harmonia. O salvo
continuará tendo o coração livre, mas, preenchido pelo conhecimento do amor
sacrificial de Jesus e pela visão face a face da glória divina, ele nunca
mais desejará fechar a porta para Deus.
O vácuo moral deixará de existir porque a própria liberdade do homem escolherá ser inundada, voluntária e eternamente, pela plenitude do bem.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade:
quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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