O coração VAZIO: a origem do MAL.

 

Imagem gerada por Google AI, 2026.


Marcelo Victor R. Nascimento


Se Deus preenche todo o universo e não há lugar onde Ele não esteja (Salmo 139:8-12), como pode existir um "vazio da presença de Deus" chamado mal? Esse vazio só pode existir em um único território no cosmos — o coração livre da criatura.

Para entender como isso funciona sem violar a soberania de Deus, a filosofia teológica divide essa questão em duas realidades: a presença física/essencial [como fonte e sustentação da vida] e a presença moral/relacional.


1. Deus está presente em essência, mas ausente em comunhão

Do ponto de vista físico e de sustentação da realidade, Deus está em todos os lugares (“n'Ele vivemos, nos movemos e existimos”, tamanha é a grandeza da Sua presença - Atos 16:28). Ele sustenta a própria existência do pecador e os átomos do universo enquanto o pecado acontece. Se Deus se retirasse completamente de um lugar em termos de poder e essência, aquele lugar simplesmente deixaria de existir, desintegrando-se no nada.

No entanto, quando dizemos que o mal é a "ausência de bem", estamos falando de uma ausência moral e relacional.

  • Deus respeita tanto a barreira da liberdade (da Sua criação) que, embora esteja presente ao redor e sustentando a vida da criatura, Ele não força a Sua santidade e a Sua vontade para dentro do coração dela.
  • O coração livre é o único santuário no universo onde Deus deu à criatura a chave da porta pelo lado de dentro (Apocalipse 3:20).

Quando o coração livre escolhe o egoísmo, o orgulho ou a independência, ele cria um "vácuo" de Deus em sua própria disposição moral. Deus está ali sustentando o ser, mas a Sua influência e o Seu caráter foram rejeitados por aquela vontade. O mal, portanto, é a escuridão que a própria criatura projeta quando decide dar as costas para a Luz que a rodeia.


2. A Autolimição de Deus

Na teologia, existe um conceito que explica exatamente essa sua intuição: a ideia de que Deus, para dar espaço para que outras pessoas livres existissem, voluntariamente "encolheu" ou limitou a imposição da Sua vontade em certos pontos do cosmos.

Se Deus impusesse a Sua presença e o Seu querer de forma absoluta em todos os cantos, a liberdade da criatura seria esmagada pela magnitude d'Ele. Seria impossível escolher o oposto. Para que o homem pudesse ser um agente livre, Deus criou esse "espaço protegido" chamado livre-arbítrio.

O coração livre é, de fato, o único lugar onde Deus aceita ser temporariamente "rejeitado" ou "ausente", permitindo que a criatura experimente como é viver com as próprias forças.


3. O Fim do Vácuo na Nova Jerusalém

Essa dinâmica do "vazio no coração" é estritamente temporária e pedagógica. Na Terra, o coração livre pode se fechar e gerar o mal por contraste. Mas a história da redenção serve justamente para curar essa vulnerabilidade da criatura finita.

Na eternidade, a omnipresença de Deus e a liberdade humana finalmente entrarão em perfeita harmonia. O salvo continuará tendo o coração livre, mas, preenchido pelo conhecimento do amor sacrificial de Jesus e pela visão face a face da glória divina, ele nunca mais desejará fechar a porta para Deus.

O vácuo moral deixará de existir porque a própria liberdade do homem escolherá ser inundada, voluntária e eternamente, pela plenitude do bem.

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Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.




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