O Getsêmani, um divisor de águas para compreender a natureza de Deus
Marcelo Victor R. Nascimento
O Getsêmani trás lições
importantes em prol da Teologia Unicista e da Kenosis Radical [esvaziamento dos atributos incomunicáveis] sofrida pela Palavra de Deus, quando se fez carne e habitou entre os homens [Filipenses 2:7; João 1:14].
O conflito de vontades [do
Pai e do Filho], as orações e as súplicas realizadas por Jesus ao Pai são a prova
cabal da Sua completa e real humanidade [Hebreus 5:7].
1. A Dualidade de
Manifestação: Trono vs. Terra
Uma das alegações contra a
Unicidade de Deus, daqueles que creem na existência de três pessoas distintas formando
uma entidade chamada “deus”, é a seguinte: “Se Jesus é Yahweh, como Ele pode orar a Ele
próprio?"
- A "Forma de Deus"
e a "Forma de Servo": sob a ótica Unicista, Deus não se dividiu em pessoas
distintas, mas manifestou-se em diferentes modos de existência, em virtude de
possuir o atributo da onipresença, que o capacita a ser transcendente e imanente
ao mesmo tempo.
Nota de Contexto: ao mesmo tempo que Yahweh transcende os limites das dimensões, como mostra Jó 11:8-9, Ele teve o poder de revelar-se assentado sobre um trono glorioso, presidindo a assembleia celestial [Salmos 82:1; Daniel 7:9-13; Ezequiel 1:26; 1 Reis 22:19; Isaías 6:1].
- O Trono não ficou vazio: sendo onipresente, Yahweh,
como o Espírito absoluto e onipotente, continuou governando o universo como “Pai”,
enquanto, simultaneamente, vivia a experiência humana limitada como “Filho”, por causa de Seu amor entranhável pela criação [João 3:16].
Nota de Contexto: a Kenosis Radical
aplicou-se apenas à manifestação terrena [o Filho], a fim de que a
Palavra de Deus feita carne pudesse assumir o papel de “Cordeiro de Deus”
[João 1:29].
2. O Conflito de Vontades: A
Prova da Kenosis Radical
O Getsêmani [Mateus 26.39] é apresentado como o argumento definitivo contra a "divindade plena em atributos" de Jesus durante Seu ministério.
- Vontades Distintas: se Jesus tivesse retido todos os atributos divinos, especialmente a onisciência, Sua vontade seria intrinsecamente idêntica à do Pai. O fato de Jesus expressar o desejo de "passar o cálice" revela que Sua humanidade possuía um instinto de sobrevivência real e independente.
- A Fragilidade da Carne: naquele momento de terrível angústia, Jesus afirmou "o espírito está preparado, mas a carne é fraca", mostrando toda Sua fragilidade humana. Ele queria fazer a vontade do Pai, mas a natureza humana o contrariava por causa do instinto de sobrevivência comum a todos os seres humanos.
Nota de Contexto: a kenosis foi tão profunda
que a natureza humana de Jesus podia sentir medo e relutância, algo impossível
para o Deus absoluto.
3. A Humilhação e a
Obediência (Filipenses 2.5-8)
A passagem de Filipenses reforça a ideia de que a "igualdade com Deus" [a forma divina] não era algo a ser retido por Jesus, quando estivesse na terra, pois Ele precisava assumir a forma humana.
- A Necessidade de Duas Vontades: se Jesus fosse Deus operando na terra com Sua vontade divina plenamente ativa e sem limitações, a "obediência" seria impossível, pois Deus não pode obedecer a Si mesmo. Obedecer implica submeter a própria vontade à vontade de outro.
- A Duplicidade de Vontades: a existência de vontades distintas prova que Jesus possuía uma vontade humana real, capaz de desejar algo diferente [autopreservação] daquilo que o Espírito Santo [Deus] havia determinado [o sacrifício].
- O Esvaziamento (Kenosis): nessa passagem, é dito que Jesus "fez a si mesmo de nenhuma reputação". Isso significa que Ele voluntariamente abriu mão da Sua glória, esvaziando-se por completo de Seus atributos exclusivos, de forma a viver completamente o sofrimento humano [permitindo-se tentar]. Se Ele perdoava pecados ou operava milagres [coisas que só Deus podia fazer], era por autoridade delegada do Pai e não por uso de Sua própria natureza divina [que havia se esvaziado].
Nota de Contexto: as obras que Jesus realizava
[exclusivas de Yahweh] eram, também, testemunhas vivas de que Ele era o
Messias, i.e., de que era o Deus conosco [Isaías 42:1-7; Isaías 7:14].
4. Síntese da Perspectiva
Proposta
|
Ponto de Análise |
Conclusão Unicista [Kenótica] |
|
Oração no Getsêmani |
Diálogo entre a humanidade
limitada [Filho] na terra e a divindade onipresente [Pai], entronizada no céu. |
|
Desejo de evitar o cálice |
Prova que Jesus tinha vontade
humana real, não controlada por uma onisciência ativa. |
|
Simultaneidade |
Yahweh estava no trono [como
legislador] e na terra [como o substituto obediente]. |
|
A natureza de Jesus |
Jesus não era um "semideus"
com poderes ocultos, mas um homem que dependia do Espírito para vencer Sua
própria vontade humana. |
Conclusão:
Os argumentos apresentados nesta análise sugerem que a teologia trinitariana, ao tentar manter a divindade plena de Jesus
na terra, acaba por esvaziar a Sua humanidade, pervertendo diversos textos bíblicos.
Já, a visão do Unicismo
combinada com a Kenosis Radical preserva a integridade de ambas, i.e., Yahweh
permanece o Único Deus assentado no trono, enquanto Jesus é o Homem perfeito
que, embora seja a manifestação de Yahweh, viveu em total dependência e
submissão, provando que a humanidade pode ser redimida através da obediência
absoluta.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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