O Rei Eterno - Mais uma Tese Trinitária Refutada
Imagem gerada por Google AI, 2026.
Marcelo Victor R. Nascimento
Na teologia católica, o Pai é a pessoa de quem toda a autoridade e a criação emanam (o Rei), Jesus é a pessoa que herdou o trono de Davi, i.e., que estabeleceu o Reino de Deus na Terra, e o Espírito Santo é a pessoa que representa a presença ativa desse Reino até a volta de Cristo. Portanto, a realeza de Deus é vista como uma engrenagem composta por três pessoas, uma depedendo da outra como uma família.
No unicismo, no entanto, dizer que Deus é o Rei
Eterno significa que a Sua realeza não depende da criação para existir, nem
de outras pessoas. Ele não "se tornou" Rei a partir do
momento em que criou os súditos; a realeza é um atributo intrínseco do Seu ser
único, completo e maravilhoso.
1. O Reino no Plano dos Decretos Eternos
(Presciência)
Para um Deus que está fora do tempo e para quem o fim é conhecido desde o princípio (Isaías 46:10), o Seu reino e os Seus súditos nunca foram uma "ideia futura", mas uma realidade imediata em Sua mente divina (algo presente do ponto de vista divino).
- Na eternidade, antes da criação do mundo físico, o reino de Deus como conhecemos existia na Sua vontade e presciência.
- Biblicamente, as coisas que Deus decreta na eternidade (criação e redenção) são tão reais para Ele que são tratadas no presente ou no passado. Por exemplo, a Bíblia diz que o Cordeiro (Jesus) foi "morto desde a fundação do mundo" (Apocalipse 13:8). Da mesma forma, os salvos foram escolhidos n’Ele "antes da fundação do mundo" (Efésios 1:4).
- Portanto, Deus sempre reinou sobre os Seus próprios decretos, propósitos e sobre a criação que, para a Sua mente infinita, já estava perfeitamente presente.
2. O Reino Espiritual Incomensurável
Deus é Espírito (João 4:24) e habita na eternidade (Isaías 57:15). O "reino" original de Deus não é feito de limites geográficos, planetas ou galáxias.
- O reino de Deus é a esfera da Sua própria glória, santidade, justiça e poder supremo.
- Ele sempre reinou sobre Seus atributos e sobre a Sua própria infinitude. Não havia nada que escapasse ao Seu domínio, porque não existia nada fora d'Ele. A Sua soberania era exercida sobre a totalidade da realidade — que, na eternidade passada, era Ele mesmo.
Nota: a Bíblia nos revela que Deus é maior do que os Seus próprios atributos e não está cativo a nenhum deles, exceto aos atributos morais que norteiam o Seu caráter imutável. No entanto, com relação aos demais atributos divinos, que guardam relação com o poder de Deus, a Bíblia nos mostra, por exemplo: (1) ONISCIÊNCIA: embora seja onisciente, Ele pode esquecer-se de algo, se assim o desejar: “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais” (Hebreus 8.12). Quem, em sã consciência, poderia assegurar que, mesmo querendo, Deus não tenha a capacidade de esquecer-se de algo? (2) SABEDORIA: embora tenha criado tudo com sabedoria [um dos atributos de Deus], o Livro de Provérbios diz que ela aprendia com Deus na criação: “Então eu estava com ele, e era seu aluno; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo” (Provérbios 8.30); (3) ONIPOTÊNCIA: embora Deus seja Todo Poderoso, o fato de Deus ter dado a Adão a liberdade de escolha entre comer ou não do fruto proibido mostra que o Todo Poderoso Deus obrigou-se a abrir mão de Sua soberania plena e absoluta, a fim de permitir que o homem pudesse tomar livremente as Suas próprias decisões; e (4) ETERNIDADE: embora Deus seja eterno, as Escrituras Sagradas dizem que Yahweh é o “Pai da eternidade” (Isaías 9.6).
3 - A Refutação ao Pensamento
Trinitário/Politeísta
Essas verdades reforçam o argumento unicista de que Deus é completo em Si mesmo e não precisa de "outros" para absolutamente nada:
- Assim como Deus não precisava de "outra pessoa" para ser Amor, Ele também não precisava de "súditos criados" ou de "outras pessoas divinas" para ser Rei e exercer o Seu reinado.
- Se o trinitarismo argumenta que Deus precisava de uma comunidade eterna para exercitar o amor, eles teriam que argumentar, pela mesma lógica, que Deus precisava de subalternos na eternidade para exercitar a Sua realeza — o que faria d'Ele um Rei incompleto até a criação dos anjos ou dos homens.
Nota: para a teologia unicista, a soberania de Deus exige uma "unidade numérica estrita", tendo como base várias passagens das Escrituras, como
Isaías 44:6 ("Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não
há Deus"). Se no Céu houvesse três pessoas distintas, haveria uma divisão
de glória e autoridade, mas a Bíblia diz, por exemplo, no livro de Apocalipse
4:2, as seguintes palavras: "...um estava assentado sobre o trono".
Deus, sendo o Espírito Supremo e Único, possui em si mesmo toda a capacidade de
legislar, governar e julgar, sem a necessidade de uma "comunidade divina", destacando Sua atossuficiência monárquica.
Conclusão
A Bíblia declara no Salmo 10:16: "O
Senhor é Rei eterna e perpetuamente". Deus sempre possuiu o Reino
porque o Reino, em última análise, procede d'Ele e da Sua própria autoridade
autossuficiente. O universo material e os seres viventes são apenas a
materialização no tempo daquilo que Deus, como Rei Absoluto, já governava em
Seu plano eterno.
Outrossim, a revelação
bíblica é suficiente para a salvação da humanidade, mas não esgota "quem Deus é" ou tudo "o que Ele já fez". Aceitar que Deus pode ter governado reinos invisíveis e
anteriores ao universo é um ato de humildade exegética: significa reconhecemos
que o único Deus soberano é infinitamente maior do que as páginas da história
humana conseguem registrar. Aquilo que Gênesis chama de "o
princípio" é apenas o princípio daquilo que Ele escolheu nos
contar.
Imagem gerada por Google AI, 2026.
"As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre..." (Deuteronômio 29:29).
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.

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