Perdoar pecados e ressuscitar mortos: prerrogativas exclusivas de Yahweh
Marcelo Victor R. Nascimento
O Mistério do
"Deus Vazio" e a Fraude do Sacerdotalismo
A tentativa trinitariana de fragmentar o
Altíssimo em uma comunidade de pessoas divinas esbarra constantemente nas
passagens onde Jesus exerce prerrogativas que o próprio Antigo Testamento
reserva a Yahweh com exclusividade absoluta.
Perdoar pecados (Marcos 2:10; Lucas 7:48)
e ressuscitar os mortos (Marcos 5:42; Lucas 7:14; João 11:44) são as
assinaturas digitais do Criador na história humana (Salmos 32:1-2; Isaías 55:7).
Para os defensores do dogma do Concílio de Niceia, esses
milagres provariam que a suposta "Segunda Pessoa da Trindade"
não se despojou de Sua onipotência ao encarnar. Contudo, sob as lentes
infalíveis do Unicismo e da Kenosis Radical, essas obras
não revelam um Filho coexistente operando com poderes independentes; elas
revelam o Deus Único e Autêntico agindo de dentro de um corpo humano esvaziado.
1. O Monoteísmo Estrito: Yahweh Não Divide Sua
Glória
O Antigo Testamento estabelece um decreto
inegociável sobre a identidade e a exclusividade das obras divinas: "Eu,
eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim..."
(Isaías 43:25) "Porque eu sou Yahweh, este é o meu nome; a minha
glória, pois, a outrem não darei..." (Isaías 42:8)
Se a teologia trinitária estivesse correta ao
afirmar que uma "segunda pessoa" distinta do Pai estava
perdoando pecados por direito coeterno próprio, Deus estaria violando Seu
próprio veredito de não dividir Sua glória com ninguém.
Nota: quando Jesus
olha para o paralítico ou para a mulher pecadora e diz: "Os
teus pecados te são perdoados", os escribas e fariseus
horrorizados entenderam a implicação imediata: "Quem pode
perdoar pecados, senão Deus só?" (Marcos 2:7). Eles estavam
certos na premissa, mas cegos para a realidade: Jesus não era uma
divindade concorrente ou secundária, mas o próprio Yahweh manifestado em
carne (1 Timóteo 3:16).
2. A Kenosis Radical e as Obras de Testemunho
Como conciliar o fato de Jesus ser Yahweh com a realidade de que Ele operava em estado de esvaziamento (Kenosis), desprovido de Seus atributos incomunicáveis de poder?
A resposta é dada pelo próprio Messias, pois Ele nunca reivindicou que os milagres brotavam de uma natureza divina intrínseca e autônoma na carne. Pelo contrário, Ele posicionou Suas obras como um testemunho de envio e legitimação, i.e., que Ele era o Messias: "Porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou. E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim." (João 5:36-37)
- O Espírito Santo em Ação: sob a Kenosis Radical, Jesus é o "Deus vazio", i.e., Ele não ressuscitou Lázaro ou o filho da viúva de Naim operando como um "super-homem" divino oculto. Ele o fez como o homem perfeito que recebeu o Espírito Santo (a emanação do ser do Pai) sem medida, por ocasião do batismo nas águas (João 3:34; Lucas 3:22; Atos 10:38).
- A Prova da Origem Divina: as obras de Yahweh manifestadas em Jesus não provam que a carne retinha onipotência, mas atestam a origem divina d’Aquele homem. O Pai invisível operava através do Filho visível para validar que a humanidade estava, finalmente, diante do seu único Deus e Salvador face a face: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador” (Isaías 43:11). Yahweh estava pessoalmente em Jesus reconciliando o mundo consigo (2 Coríntios 5:19).
3. A Distorção de João 20:23 e o Mito do Poder
Sacerdotal
Imagem gerada por Googole AI, 2026.
Ao longo dos séculos, o tradicionalismo trinitário (especialmente o catolicismo) utilizou passagens como João 20:22-23 para tentar transferir essa prerrogativa exclusiva de Yahweh a sacerdotes humanos: "E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos."
3.1. A exegese clericalista: o Clero sugere que os apóstolos
e seus supostos sucessores receberam uma procuração divina para absolver culpas
em confessionários. Essa interpretação é frontalmente antibíblica por uma razão
anatômica e teológica: o perdão de pecados exige a leitura infalível do
coração.
Nota: o homem, por mais
piedoso que seja, vê apenas o que está diante dos olhos, mas Yahweh examina os
pensamentos e as intenções profundas (1 Samuel 16:7). Conceder a um homem o
poder de absolver pecados de forma judicial seria o equivalente a transformá-lo
em um deus onisciente, o que colide com o ensino geral das Escrituras.
3.2. O Verdadeiro Sentido de "Perdoar e
Reter": a autoridade concedida por Jesus à Igreja em João 20 não é sacerdotal,
mas declarativa e disciplinar. O texto se alinha perfeitamente com a
instrução de Jesus em Mateus 18:17 sobre a ordem e a pureza da comunidade dos
santos.
3.3. Mecanismos: a Igreja exerce a função de "perdoar e reter" pecados através de dois mecanismos práticos estabelecidos pelo Evangelho:
- A Proclamação do Evangelho (Declarativa): quando a Igreja prega a Palavra, ela anuncia os termos exatos da salvação. Ao declarar que aquele que crê e se arrepende está perdoado, ela está proclamando o perdão de Deus. Ao avisar que o impenitente permanece sob condenação, ela está retendo os pecados com base na autoridade da verdade revelada.
- A Disciplina Comunitária (Administrativa): a comunidade não julga o invisível do coração, mas avalia o visível das atitudes — o princípio de Jesus de avaliar os falsos e verdadeiros pelos "frutos produzidos" (Mateus 7:15-23). A Igreja recebeu o dever de acolher calorosamente todos os que demonstram a genuinidade de um arrependimento prático e, reciprocamente, a severa responsabilidade de afastar da comunhão (excomungar) aqueles que mantêm uma conduta abertamente reprovável contra a fé apostólica.
Conclusão
Perdoar pecados e dar vida aos mortos continuam
sendo propriedades exclusivas do Deus Único. No Éden, Adão buscou uma autonomia
blasfema para ser como Deus; no Getsemani e na Cruz, o Deus Verdadeiro se
esvaziou de Sua glória para, como homem, resgatar a criação.
As obras extraordinárias de Jesus não anulam
Sua Kenosis, mas coroam Sua identidade: Ele é Yahweh vindo
em carne. Sua Igreja não assume o papel de Deus no tribunal da alma,
mas atua como Sua embaixadora fiel na Terra, zelando pela pureza da fé,
acolhendo os contritos e aplicando a disciplina necessária aos que profanam o
santo Nome.
A
grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta,
em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo;
o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao
poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus
cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável
Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se
revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não
pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez
maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.



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