Por que Deus é chamado de Deus? [Parte 2] - Os Atributos Morais
Marcelo Victor R. Nascimento
Além do Poder: O Caráter Inigualável que Separa
Deus de Todo o Cosmos
Quando pensamos na grandeza de Deus, a mente
humana tende a correr imediatamente para os atributos de poder. Pensamos no
Deus que esmaga impérios, que abre o Mar Vermelho, que governa as galáxias e
que detém a onipotência absoluta.
No entanto, o poder, por si só, apenas assusta;
ele cria o cenário do mundo, mas não transforma o coração do homem.
Se olharmos atentamente para as Escrituras
Sagradas sob a luz da fé unicista, descobriremos que o que torna Yahweh
absolutamente único, distinto e infinitamente superior a qualquer ser no
universo não é apenas a força do Seu braço. É a santidade inigualável do Seu
caráter moral. Nada no cosmos — sejam anjos, querubins, principados,
potestades ou hostes espirituais — é capaz de imitar o caráter do Deus
Verdadeiro.
1. O Limite de Todas as Criaturas
No reino espiritual e material, existem seres
de grande poder. A Bíblia nos fala sobre governantes celestiais, anjos caídos
de imensa força e autoridades espirituais. Mas todas as criaturas, por mais
elevadas que sejam, operam dentro de uma lógica limitada: a lógica da justiça
própria, do interesse, do poder pelo poder ou do amor condicional.
Na lógica humana e angelical, alguém só se sacrifica por quem merece, por uma causa nobre ou por aqueles que ama profundamente. Como o apóstolo Paulo bem resumiu em Romanos 5:7: “Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.”
Se Deus fosse apenas um ser de poder supremo,
Ele governaria o universo como um ditador cósmico, esmagando os rebeldes à
distância. Mas o caráter de Deus quebra completamente a psicologia de toda a
criação.
2. O Escândalo do Amor Sacrificial: Morrer por
Inimigos
O verdadeiro "RG" da divindade de Yahweh, o selo que O separa de qualquer outra criatura no cosmos, está registrado no versículo seguinte: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores [inimigos], Cristo morreu por nós.” (Romanos 5:8)
Aqui está o divisor de águas do universo.
Nenhuma potestade, nenhum anjo e nenhum homem possui a capacidade moral de se
esvaziar de sua própria glória para sofrer e morrer por aqueles que o cospem, o
negam, o cravam na cruz e o odeiam.
Esse é o Amor Ágape: um amor que não
depende do merecimento de quem recebe, mas flui estritamente da natureza santa
de Quem ama. Deus não nos conquistou nos humilhando com Sua força; Ele nos
conquistou nos constrangendo com o Seu caráter.
3. A Perspectiva Unicista: O Poder Servindo ao
Caráter
Para nós que abraçamos a verdade absoluta do
Unicismo, essa revelação se torna ainda mais profunda e gloriosa. Nós
compreendemos que Deus é Espírito (João 4:24) e, como Espírito invisível, Ele
habita em luz inacessível, preenchendo o universo com Sua onipresença.
Mas o Espírito não pode sangrar. O Espírito, em
Sua glória abstrata, não pode morrer. Então, por que o Deus Todo-Poderoso
decidiu se manifestar em carne?
4. Para que o Seu caráter moral de Salvador
pudesse ser executado.
O poder de Deus serviu ao Seu caráter. Em
Isaías 45:21, Ele declara: “Não há outro Deus senão eu; Deus justo e
Salvador, não há outro fora de mim”.
Para ser plenamente Justo (exigindo que
a dívida do pecado fosse paga) e, ao mesmo tempo, plenamente Salvador
(derramando misericórdia sobre nós), o próprio Yahweh teve que assumir a nossa
culpa.
O Unicismo rasga o véu da teologia fria: Deus
não terceirizou o amor. Ele não enviou uma "segunda pessoa" menor ou
um terceiro para sofrer a agonia da cruz enquanto assistia do céu de braços
cruzados. Foi o próprio Pai, o único Criador e Dono do universo, quem vestiu a
pele de criatura, sentiu a dor dos pregos e estendeu os braços no Calvário por
Seus próprios inimigos.
Conclusão: O Verdadeiro Brilho da Divindade
Diante de uma manifestação de puro poder, o
cosmos estremece e sente medo. Mas diante do caráter de Jesus na cruz, a
humanidade cai de joelhos, perdoada, constrangida e transformada.
O que diferencia Yahweh de todos os
principados, potestades e falsos deuses não é o fato de Ele ser capaz de criar
o universo com a Palavra — embora Ele o faça. O que O torna o único Deus
Verdadeiro é que Ele, sendo o Rei Absoluto, escolheu lavar os pés dos Seus
discípulos e dar a Sua vida por aqueles que O traíram.
Jesus Cristo é a prova definitiva de que a
maior grandeza de Deus não está no tamanho do Seu trono, mas na profundidade do
Seu amor, que tem como fundamento a liberdade das criaturas para dizer "sim" ou "não".
A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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