Por que Deus é chamado de Deus? [Parte 1] - Os Atributos de Poder
Marcelo Victor R. Nascimento
Você já parou
para pensar no real significado da palavra "Deus"? No
nosso dia a dia, usamos esse termo de forma tão natural que, às vezes,
esquecemos de olhar para a sua raiz e para o que ele realmente exige.
Para quem defende
a suficiência e a infalibilidade das Escrituras, a própria Bíblia se encarrega
de estabelecer as características que separam o Criador de qualquer criatura.
Nesta matéria,
vamos analisar a origem desse termo e os quesitos teológicos absolutos que
classificam Yahweh como o único Deus Verdadeiro — e como essa
divindade se manifestou perfeitamente na pessoa de Jesus Cristo,
conforme a fé unicista.
1. O
Significado por Trás do Título "Deus"
A palavra "Deus" que usamos em nosso idioma não é um nome próprio. Ela funciona como um título de categoria ou posição, assim como as palavras "Rei", "Juiz" ou "Presidente".
- A Origem da Palavra: O termo em português vem do latim Deus, que se conecta ao grego Theos. A raiz antiga dessa palavra (dyeu-) carregava a ideia de "brilhar" ou "céu iluminado". Na antiguidade, os povos olhavam para a imensidão do céu como o lugar do poder e do mistério, associando a divindade a essa grandeza soberana.
- Os Termos Originais no Hebraico: No Antigo Testamento, quando as Escrituras se referem ao Criador, as palavras mais utilizadas são El ou Eloah (que significam "O Forte", "O Poderoso") e Elohim. Na gramática hebraica, Elohim é um plural de majestade ou excelência. Não indica a existência de "vários deuses", mas sim a plenitude absoluta de poder concentrada em um único Ser.
Portanto, chamar
o Criador de "Deus" é reconhecer que Ele é a autoridade máxima, a
força suprema acima de tudo o que existe.
2. Os Quesitos
Bíblicos para Alguém ser Classificado como Deus
Para que um ser
receba legitimamente o título de Deus Absoluto, ele precisa preencher
requisitos que nenhuma criatura — seja humana, angelical ou um ídolo feito por
mãos humanas — consegue imitar.
São
características exclusivas da natureza de Yahweh:
A.
Autoexistência (Asseidade)
Tudo no universo
precisa de uma causa para existir. Você precisou dos seus pais, a colheita
precisa da semente. Deus não precisa de nada nem de ninguém. Ele
é a causa primeira de todas as coisas, mas não foi causado por ninguém. Quando
Moisés perguntou o Seu nome no deserto, a resposta foi categórica: "EU
SOU O QUE SOU" (Êxodo 3:14). Yahweh é o eterno presente, Aquele
que tem vida em Si mesmo.
B. O Poder da
Criação
Para ser Deus, o
ser deve ser o autor do tempo, do espaço e da matéria, o que significa que Ele
mesmo está fora dessas limitações. "No princípio, criou Deus os
céus e a terra" (Gênesis 1:1). Se algo foi criado, isso não é
Deus; Deus é Aquele que cria.
C. Os
Atributos Infinitos
A Bíblia revela que Yahweh possui atributos que pertencem única e exclusivamente a Ele (chamados na teologia de "atributos incomunicáveis" ou "atributos de poder"), tais como:
- Onipotência: Detém todo o poder; para Ele não há impossíveis (Lucas 1:37).
- Onisciência: Conhece o passado, o presente, o futuro e até as intenções mais ocultas do coração antes mesmo que elas se formem (Salmo 139:1-4).
- Onipresença: Não está limitado a barreiras geográficas ou a um corpo físico; Seu Espírito preenche o universo inteiro (Jeremias 23:24).
- Imutabilidade: Ele não muda de essência, caráter ou natureza. "Porque eu, o Senhor [Yahweh], não mudo" (Malaquias 3:6).
D. Monoteísmo
Estrito (Exclusividade)
A própria
definição de "Supremo" exige que Ele seja único. Não há espaço para
dois seres absolutos no trono do universo. "Ouve, Israel, o Senhor
nosso Deus é o único Senhor" (Deuteronômio 6:4). Em Isaías 43:10,
o próprio Yahweh declara: "Antes de mim deus nenhum se formou, e
depois de mim nenhum haverá".
3. A Revelação
Unicista: Yahweh com Rosto Humano
A grande beleza
da teologia unicista está em compreender que todos esses quesitos e atributos
intransferíveis de Yahweh encontram seu cumprimento exato, perfeito e
definitivo na pessoa de Jesus Cristo.
O Deus invisível
do Antigo Testamento, que possui toda a onipotência e o direito de propriedade
sobre a criação, tornou-Se visível a nós. As próprias Escrituras transferem, de
forma matemática e inquestionável, as características exclusivas de Yahweh para
Jesus.
Acompanhe os paralelos nas Escrituras:
|
Atributo Divino |
Yahweh no Antigo Testamento |
Jesus no Novo Testamento |
|
O
Criador de Tudo |
"Eu
sou o Senhor que faço todas as coisas..." (Isaías 44:24) |
"Todas
as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez."
(João 1:3) |
|
O
Primeiro e o Último |
"Eu
sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus." (Isaías
44:6) |
"Não
temas; eu sou o primeiro e o último; e o que vive; fui morto, mas eis aqui
estou vivo..." (Apocalipse 1:17-18) |
|
O
Único Salvador |
"Eu,
eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador." (Isaías 43:11) |
"E
em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome
há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." (Atos 4:12) |
|
O
Pastor Supremo |
"O
Senhor [Yahweh] é o meu pastor; nada me faltará." (Salmo 23:1) |
"Eu
sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas." (João
10:11) |
Ainda que o céu dos céus não possa conter Yahweh [1 Reis 8:27], ainda que Ele transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9] e ainda que n'Ele vivamos, nos movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos 16:28], o magnífico atributo da onipresença [Salmos 139:8-12] permitiu-Lhe manifestar-se às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], d'onde preside sobre a assembleia celestial e sobre o Universo [Salmos 82:1]. Foi por esse mesmo atributo que Yahweh foi capaz de manter-se assentado no trono da Sua glória e, ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta terra e, como um homem perfeito, morrer pelos pecadores, pagando seus pecados. Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!
Conclusão: O
Mistério da Piedade Revelado
Yahweh é
classificado como Deus porque Ele preenche perfeitamente os requisitos de
autoexistência, soberania, criação e infinitude. No entanto, a maior e mais
profunda prova da Sua divindade é que Ele não escolheu permanecer oculto em Sua
glória espiritual e invisível, mostrando não só o Seu caráter infinitamente amoroso, justo e bom, mas provando que é maior do que os Seus próprios atributos.
Ele aproximou-se das Suas criaturas, assumiu a forma de servo e habitou entre nós. Como o apóstolo Paulo resumiu com precisão em 1 Timóteo 3:16: "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória."
Para a fé
unicista, a matemática celestial é simples, bíblica e profunda: Jesus é
o próprio Yahweh manifestado em carne. Ele é o Grande Eu Sou que se
revelou ao mundo para nos salvar.
A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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