A Fórmula Batismal [Parte 2]: Batismo Trinitário [Mateus 28:19] - Hipóteses e Refutações
Marcelo Victor R. Nascimento
Para qualquer estudante
sincero das Escrituras, existe um enigma gritante nas páginas do Novo
Testamento. De um lado, o texto de Mateus 28:19 traz a ordem de batizar "em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". Do outro lado, o livro
de Atos dos Apóstolos e as cartas do apóstolo Paulo registram a igreja
primitiva realizando 100% dos batismos exclusivamente EM NOME DE JESUS CRISTO.
Não é preciso ser um
perito em exegese (análise detalhada de textos) para perceber que essas duas
realidades não estão em harmonia. Alguém mudou o padrão.
Para desvendar esse
mistério sob a ótica da Unicidade Absoluta de Deus, analisamos as 6
hipóteses que tentam explicar essa divergência — e como a própria história e a
Bíblia refutam cada uma delas.
Hipótese 1: “Os apóstolos
não entenderam bem a ordem de Jesus”
A Refutação: essa
suposição é absurda. Jesus sempre falou aos discípulos em uma linguagem clara e
acessível (Marcos 4:33). Além disso, após ressuscitar, Ele passou 40 dias com
eles, instruindo-os especificamente sobre o Reino de Deus (Atos 1:3). Jesus
jamais seria um instrutor relapso que deixaria Seus principais embaixadores
confusos sobre o mandamento mais importante da Grande Comissão. Se eles
batizaram no Nome de Jesus, foi porque entenderam perfeitamente o que Ele quis
dizer.
Hipótese 2: “Os apóstolos
desobedeceram a Jesus por conta própria”
A Refutação: inimaginável.
Estamos falando de homens que foram cheios do Espírito Santo no Dia de
Pentecostes (Atos 2:4) e que, em sua maioria, sofreram mortes violentas e
martírio exatamente por se recusarem a negar a verdade do Evangelho. O próprio
Cristo profetizou que eles seriam odiados por todas as nações por causa do Seu
Nome (Mateus 24:9). Homens não dão a vida por uma mentira ou por uma rebeldia
litúrgica.
Hipótese 3: “A ordem
descrita em Mateus 28:19 não foi dada por Jesus, tendo havido uma adulteração
dos originais”
A Refutação: esta é a
hipótese que encontra o maior e mais devastador suporte na erudição histórica,
eclesiástica e secular. Diversos documentos e enciclopédias de altíssima
credibilidade mundial confessam que a fórmula trinitária foi inserida
posteriormente na Bíblia por conveniência litúrgica e teológica da Igreja
Romana.
Abaixo, analisamos as evidências documentais incontestáveis que provam como o texto de Mateus 28:19 foi alterado ao longo dos séculos:
- A Enciclopédia Britânica (11ª Edição, Vol. 3, p. 365-366 e p. 82): A maior autoridade em enciclopédias seculares do mundo confessa abertamente o erro. Na página 365, ela afirma: "A fórmula batismal foi alterada do nome de Jesus Cristo para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo pela Igreja Católica no século II". Logo adiante, na página 82, ela chancela o padrão da igreja primitiva: "Sempre nas fontes antigas menciona que o batismo era em nome de Jesus Cristo".
- A Enciclopédia Católica de 1913 (Vol. 2, p. 365): Aqui a evidência é interna e confessional. O próprio corpo de teólogos e historiadores católicos reconhece a intervenção humana no sacramento, deixando registrado textualmente: "Aqui o católico reconhece que o batismo foi mudado pela igreja católica”.
- O Livro Introdução ao Cristianismo, de Joseph Ratzinger (Ex-Papa Bento XVI): Em suas edições (p. 81-83 da 1ª Edição de 1968; e p. 61-63, 71, 75, 134-136 da 2ª Edição de 2006), o falecido pontífice escreveu: "A fórmula básica do nosso batismo apostólico (Mateus 28:19) cristalizou-se no decorrer dos séculos II e III, em nexo com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma". Esta declaração é de uma importância monumental: Ratzinger, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e depois papa, teve acesso irrestrito à Biblioteca Secreta do Vaticano. Ele sabia perfeitamente que os manuscritos mais antigos e puros não continham a fórmula trinitária.
- A Enciclopédia de Religião de Hastings (Vol. 2, p. 377-378-389): A obra detalha a transição histórica e afirma que "O batismo cristão foi administrado usando o Nome de Jesus. O uso da fórmula trinitária de qualquer espécie não foi sugerido na história da igreja primitiva; o batismo sempre esteve no nome do Senhor Jesus, até o tempo de Justin Mártir, quando a fórmula da trindade foi usada”. Além disso, comentando Atos 2:38 na página 377, a enciclopédia traz uma chave jurídica profunda: "NOME era um sinônimo antigo de pessoa. O pagamento sempre era feito em nome de uma pessoa que se referia à propriedade. Portanto, alguém sendo batizado em Nome de Jesus torna-se sua propriedade pessoal”.
- O Dicionário Prático Ilustrado (Edição 1957, p. 1908): Este dicionário histórico aponta diretamente para o mentor intelectual da mudança, identificando o teólogo e escritor romano Tertuliano como o verdadeiro "autor do batismo da Igreja Romana" — ou seja, o criador da fórmula tripartida aplicada às águas.
- O Compêndio da História da Igreja, do Frei Dagoberto Romag (Vol. I - “A Antiguidade Cristã”, p. 90-93 e 143-145): O renomado historiador franciscano coloca uma data e um autor na alteração do texto sagrado. Ele afirma categoricamente que "a ordem do batismo escrita em Mateus 28:19 saiu da pena de Tertuliano no ano de 197 d.C.”. Fica evidente que o texto que lemos hoje nos Evangelhos não foi dito por Jesus na Galileia, mas fabricado em Roma quase duzentos anos depois.
- O Livro Judaísmo e as Origens do Cristianismo (Vol. 2, p. 156): A obra resgata a pureza do texto antes das adulterações promovidas pelo império político-eclesiástico, afirmando: "O texto de Mateus 28:19 antes do Concílio de Niceia era escrito assim: ‘Ide e tornai todos os gentios discípulos em meu nome, ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei”.
- Bíblia de Jerusalém (1ª Edição, p.1758): conforme uma “Nota de Rodapé”, a passagem de Mateus 28.19 parece refletir a influência do uso litúrgico fixado, posteriormente, pelos sacerdotes da igreja romana do século IV, não fazendo parte dos originais das Escrituras Sagradas.
O peso dessas provas históricas destrói
completamente o dogma trinitário do batismo. Quando unimos a erudição secular
(Britânica), a teologia protestante (Hastings), o resgate histórico judaico e a
própria admissão do Vaticano (Enciclopédia Católica e Ratzinger), a conclusão é
uma só: Mateus 28:19 sofreu uma interpolação (inserção de texto posterior),
i.e., os apóstolos nunca batizaram em títulos porque o texto original de Mateus
ordenava que eles fossem a todas as nações "EM MEU NOME".
Hipótese 4: “O batismo no
Nome de Jesus em Atos é apenas 'simbólico'”
A Refutação: teólogos
trinitários costumam argumentar que a expressão “em Nome de Jesus” no livro de
Atos significa apenas que os apóstolos tinham autoridade para batizar,
mas que na beira da água eles repetiam as palavras de Mateus 28:19.
Essa alegação não passa
de "achismo" e um acréscimo forçado ao texto sagrado. Se a expressão
fosse apenas uma figura de linguagem, teríamos que anular o poder real de todas
as outras passagens bíblicas.
Quando Pedro disse ao
coxo na porta do Templo: "Em nome de Jesus Cristo, levanta e anda"
(Atos 3:6), ele proferiu o Nome audivelmente, e o milagre aconteceu. Quando
Jesus ordenou que nossas orações fossem feitas ao Pai em Seu Nome, não
era simbólico. Paulo decreta em Colossenses 3:17 que TUDO o que
fizermos, por palavras ou obras, deve ser feito no Nome do Senhor Jesus. O
batismo está incluído nesse "tudo".
O Poder Oculto do Nome: como bem lembra a teologia bíblica, o Nome de Jesus funciona como a
"senha" legal perante a justiça divina. Sendo nós pecadores, a reta
justiça de Deus nos puniria. No entanto, quando o Nome de Jesus Cristo é
invocado sobre nós (especialmente no batismo), Deus enxerga os méritos do Seu
Filho e a obra da cruz, aplacando a Sua ira e nos aceitando como filhos.
Reduzir esse Nome a um mero simbolismo é fechar o Reino dos Céus para os homens
(Mateus 23:13).
Hipótese 5: “A ordem
trinitária de Mateus 28:19 é que é simbólica”
A Refutação: se
os trinitários têm o direito de dizer que o batismo no Nome de Jesus em Atos é
figurado, por que não aplicar a mesma lógica a Mateus 28:19?
Sob a ótica unicista, faz
muito mais sentido lógico entender os termos de Mateus como representativos.
Afinal, Pai não é nome, Filho não é nome, e Espírito Santo também não é nome.
São títulos e manifestações de um único Deus. O Nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo revelado ao mundo é um só: JESUS. O batismo em Atos
cumpre Mateus de forma literal ao aplicar o Nome real por trás dos títulos.
Hipótese 6: “Deve-se
aglutinar as duas fórmulas no batismo”
A Refutação:
Este é o caso clássico da fórmula adotada pela Congregação Cristã no Brasil
(CCB), onde o ministro proclama: “Irmão, em nome de Jesus Cristo, te batizo
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Embora tenha sido uma
saída pacífica encontrada pelos pioneiros da denominação para não contrariar
nenhum versículo de forma direta, essa prática carece de qualquer precedente
histórico ou apostólico. Na verdade, soa como um "jeitinho" teológico
que gera uma redundância desnecessária, repetindo a mesma pessoa duas vezes
("Jesus" e "Filho").
A CCB sustenta que essa
fórmula foi uma revelação divina direta aos seus fundadores. Contudo, se ficar
provado historicamente que Mateus 28:19 sofreu de fato uma
interpolação/adulteração posterior romana (exatamente como aconteceu com o
texto de 1 João 5:7), essa suposta revelação cai por terra, e todas as
denominações que dependem da fórmula trinitária terão de admitir seu erro
doutrinário.
Conclusão: A Senha da
Propriedade Divina
Na antiguidade jurídica,
a palavra NOME era sinônimo da própria pessoa e de seus direitos legais.
Como aponta a Enciclopédia de Hastings, os pagamentos no mundo romano
eram feitos em nome de alguém para indicar transferência de propriedade.
Quando a pessoa é
batizado de forma bíblica e literal “em Nome de Jesus Cristo” [Yeshua Hamashiach], ela está sendo
registrada como propriedade pessoal e exclusiva de Deus. O Nome de Jesus é o
selo de posse, a chave de acesso ao trono da graça e o único NOME debaixo do
céu dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12). Não
abra mão da realidade pelo símbolo.
O que você pensa sobre essas evidências históricas?
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Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Um só
batismo, em nome de Jesus Cristo. Joinville: Clube de Autores.


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