O "DNA" Espiritual de Yahweh: O Segredo da Kenosis
Marcelo Victor R. Nascimento
O fôlego de vida que emana do Criador para
dar vida aos seres humanos não é apenas um "combustível" biológico
impessoal, mas sim o próprio arquivo espiritual e indestrutível da identidade
de cada indivíduo — a memória do homem interior —, que será devolvida irretocável
por ocasião da ressurreição no fim de todas as coisas [uma espécie de “HD”
espiritual].
Vejamos como essa realidade se coaduna com
o fato de Jesus ter sofrido a Kenosis, i.e., o esvaziamento de si mesmo [dos
atributos de poder] ao vir à Terra (Filipenes 2:7), e continuar sendo o grande EU SOU (João 8:58)?
1 - A Anatomia do Homem
Interior
Para entender o que é esse “HD” espiritual, olhemos primeiro para a nossa própria existência.
- No plano físico, cada pessoa possui características fisiológicas únicas em toda a existência: tipos de sangue específicos, órgãos internos que por vezes rejeitam transplantes, impressões digitais exclusivas, íris dos olhos singulares e DNA completamente distintos dos demais seres humanos [molécula que armazena todas as informações genéticas] .
- Em relação ao "homem interior", cada ser humano traz ao mundo personalidade e comportamentos que o tornam único em toda a existência, uma espécie de assinatura eterna que nunca se perde. Mesmo os gêmeos idênticos são completamente distintos nesses aspectos, embora possam ser completamente idênticos na aparência.
2. Na Criação do Homem: O
"Upload" do Homem Interior
No Éden, quando Deus moldou o corpo de Adão a partir do pó da terra, aquela estrutura de carne, vasos e órgãos estava perfeitamente montada, mas totalmente estática e sem identidade.
- O segredo da criação do ser humano não foi a animação biológica de um boneco de barro, mas sim um "upload" espiritual direto da parte do Criador: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem foi feito alma vivente." (Gênesis 2:7)
- Ao soprar o fôlego de vida, Yahweh não estava apenas enchendo os pulmões de Adão com oxigênio. Naquele sopro divino estava gravado o primeiro "DNA" espiritual da humanidade. Junto com o fôlego, Deus inseriu na nova estrutura cerebral em Adão, sua personalidade única, sua capacidade de se comunicar, sua consciência moral, seus instintos e o selo da imagem e semelhança divina. O fôlego de vida trouxe a memória inicial de como o homem deveria operar e se relacionar com o seu Criador.
3. Na Encarnação e Vida
de Jesus: O "HD" de Yahweh em um Corpo Humano
Essa mesma mecânica
espiritual atinge o seu ápice na pessoa de Jesus Cristo. Como Ele esvaziou-se completamente de
Seus atributos de poder (onipresença,
onisciência, onipotência, imutabilidade, imortalidade, eternidade, auto
existência, indivisibilidade, infinitude, eternidade, soberania suprema, etc.), a fim de tornar-se, em tudo, semelhante aos demais homens (Hebreus
2:17), surge uma pergunta crucial: como a identidade de Yahweh permaneceu n'Ele?
A resposta está no fôlego de vida que gerou e sustentou o Messias na carne:
- O Esvaziamento de Poder: no ventre de Maria, o Verbo abriu mão da glória cósmica, da presença e, consequentemente, da operação de Seus poderes divinos. Ele não nasceu com um "botão secreto" de onipotência para usar quando quisesse. Ele se tornou um bebê frágil, dependente e limitado como os demais, para ser um "Cordeiro" como os demais (sem mancha).
- A Preservação da Memória: o que veio do céu para o ventre de Maria não foram os raios do poder divino, mas sim o "DNA" espiritual de Yahweh — a memória irretocável de Sua própria identidade gravada no fôlego de vida. Jesus cresceu e viveu trazendo em Seu homem interior os atributos morais da divindade.
O "HD" que
operava no homem interior de Jesus era a própria identidade de Yahweh. Embora
Seus músculos fossem humanos e limitados, Sua mente espiritual guardava a
assinatura moral e a memória intocável do Deus Vivo.
4. O Paralelo Perfeito:
Da Criação à Ressurreição
A engrenagem do fôlego de vida opera em um ciclo perfeito nas Escrituras:
- Na Criação: o fôlego entra no corpo de pó e faz o "upload" da identidade e da personalidade humana pela primeira vez, um "HD" limpo que registrará a memória dos sentimenos, vontades e atitudes de cada pessoa (a Bíblia diz que Jesus cresceu em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens - Lucas 2:52).
- Na Kenosis (Jesus): o Espírito manifesta-se na carne desprovido de poder metafísico, mas carregando, no homem interior, a memória e a identidade viva de Yahweh.
- Na Morte: quando o corpo morre e o material genético se decompõe por completo na terra, esse registro espiritual retorna a Deus e fica sob a custódia do Criador (Eclesiástes 12:7). O cérebro físico vira pó, mas a memória do homem interior permanece intacta, no fôlego de vida que retorna a Deus.
- Na Ressurreição de Jesus: o fôlego retorna ao corpo sepultado, trazendo de volta a memória irretocável de Sua jornada vitoriosa na Terra, provando que a morte física não tem o poder de apagar o "DNA" do homem interior.
- Na nossa Ressurreição: o fôlego emanará de Deus para os nossos corpos referitos milagrosamente pelo poder de Deus, fazendo o "download" imediato de quem nós fomos, com nossas memórias e personalidades restauradas para o Juízo e para a eternidade (Apocalipse 20:12-13).
Síntese:
Se Jesus abriu mão de todos os atributos de poder e glória metafísica, o que O fazia ser Yahweh na Terra? Ao esvaziar-se na Kenosis, Ele dependeu totalmente do Pai, i.e., Ele não trouxe do céu a armadura do poder cósmico, mas trouxe a memória espiritual viva de Yahweh (a Sua identidade, o Seu caráter perfeito, a Sua santidade inabalável e o Seu amor, os quais estavam intactos em Seu homem interior). Assim sendo, o que provava que Jesus era o Deus Vivo caminhando entre os homens não era a força do braço divino, mas sim a assinatura moral e a essência espiritual [Sua identidade].
No sepulcro, quando Yahweh Lhe deu o fôlego de vida de volta, toda a memória espiritual de Quem Ele era antes da crucificação retornou ao Seu corpo glorificado. A exemplo do que ocorreu com Jesus, o mesmo sucederá com todos aqueles que estiverem mortos por ocasião da Sua volta. O fôlego de vida que emana de Yahweh terá consigo a memória espiritual — o “DNA” do homem interior — que se unirá ao corpo ao soar da última trombeta no Último Dia (1 Coríntios 15:52; 1 Tessalonicenses 4:16; Apocalipse 20:12-13).
Conclusão: A Unicidade da Manifestação
O Unicismo brilha com toda a sua clareza quando entendemos essa verdade. Yahweh não dividiu Sua essência em "três pessoas". Ele simplesmente tornou-se carne (João 1:14). Na encarnação, Ele se despiu do poder para que pudéssemos vê-Lo e tocá-Lo (1 João 4:1-3), mas manteve a Sua identidade celestial — o Seu "DNA" Espiritual — para que pudéssemos ser salvos por Ele.
Jesus é Yahweh manifestado em carne,
i.e., esvaziado de poder, mas absolutamente idêntico em caráter, visto que não
se tratava de outra pessoa, mas do único Deus de Israel (1 Timóteo 3:16), que
nos garantiu: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo,
procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu
rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei
as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam
espalhadas, no dia nublado e de escuridão" (Ezequiel 34:11,12).
Nota:
ainda que o céu dos céus não possa conter Yahweh [1 Reis 8:27], ainda que Ele
transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9], e ainda que n'Ele vivamos, nos
movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos 16:28], o magnífico
atributo da onipresença divina [Salmos 139:8-12] permitiu-Lhe acomodar-se e manifestar-se às
Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8;
Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], onde preside sobre a
assembleia celestial e sobre o Universo [Salmos 82:1]. Foi por esse mesmo
atributo, que Yahweh foi capaz de manter-se assentado no trono da Sua glória e,
ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta
terra e, como um homem perfeito, morrer pelos pecadores. Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!
A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o Deus imortal se fez mortal e morreu por nós; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; e Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós.
Referência Bibliográfica:
GRANADOS, T.M. Cada pessoa, única e incomparável. Catholic Net. Disponível em:https://es.catholic.net/op/articulos/44214/cat/416/cada-persona-unica-e-incomparable.html
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


Bom foi uma reflexão interessante do jeito pela qual foi abordado os momentos da unicidade de Deus usando termos da Computação DNA etc... para se referir dos Atributos de Deus, Pai - Filho - Espírito Santo e do Fôlego de Vida dado ao Homem.
ResponderExcluirExato. Uma linguagem atual para que as pessoas tenham uma maior compreensão, como fez Jesus quando usou expressões que seus expectadorestinham eram familiarizados.
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