Os MITOS trinitários sobre a morte de Jesus
Marcelo Victor R. Nascimento
Para o pensamento trinitário, a crucificação representa um grande dilema lógico (uma verdadeira "pedra no sapato") que eles tentam contornar dividindo o Messias: afirmam que Deus não pode morrer e que, portanto, apenas o "corpo humano" de Jesus expirou na cruz, enquanto sua suposta consciência divina permaneceu intacta e operante.
Essa visão, contudo, anula o sacrifício perfeito de Jesus, como um "cordeiro" imaculado igual aos demais. À luz do Unicismo
e da Kenosis Radical, a verdade bíblica é muito mais profunda: Yahweh se
esvaziou completamente de Seus atributos divinos incomunicáveis ao se fazer
carne (Filipenses 2:7). Na cruz, Jesus Cristo experimentou a morte de forma real, total e
absoluta.
Os trinitarianos costumam isolar dois textos do Evangelho de
João para tentar provar que Jesus não morreu de fato, alegando que Ele
ressuscitou a si mesmo por um poder divino intrínseco e ativo durante a morte.
Uma análise cuidadosa desfaz esse equívoco.
Mito 1: "Derribai este templo, e em
três dias o levantarei" (João 2:19)
À primeira vista, o leitor desatento pode concluir que a
ressurreição foi uma obra autônoma de Jesus, realizada enquanto Ele estava no
sepulcro. Mas o texto precisa ser interpretado com simplicidade e coerência.
Quando uma pessoa diz "Amanhã, levantar-me-ei
cedo", todos entendem que ela manifesta uma intenção baseada na certeza da
vida que espera ter ao amanhecer. Da mesma forma, Jesus afirmou que levantaria
o templo do Seu corpo crendo piamente que isso ocorreria através da vida que
receberia do Pai — a essência divina espiritual.
O próprio Messias eliminou qualquer ideia de independência ou poder paralelo ao declarar de forma categórica: "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma..." — João 5:30. Mas, se nem em vida Ele podia fazer absolutamente nada, quanto mais morto.
A promessa de Jesus de "levantar o templo" era uma
expressão de total confiança no decreto do Pai, e não a prova de que uma parte
d'Ele continuava viva e operando milagres no mundo dos mortos (um erro teológico crasso).
Mito 2: O Poder de Dar a Vida e Tornar a
Tomá-la (João 10:17-18)
O segundo argumento trinitário se apoia na afirmação de
Jesus: "Tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la".
Eles sugerem que esse "poder" indica uma divindade ativa que operou a
própria ressurreição.
Precisamos entender o significado real da palavra "poder" (exousia, que denota autoridade ou direito legítimo) no contexto da missão de Cristo:
- O poder para DAR a vida: não significava que Jesus iria amarrar os próprios punhos, chicotear-se, tecer a coroa de espinhos e cravá-la na própria cabeça, i.e., Ele não iria até Pilatos se autoproclamando culpado, não se deitaria na cruz e martelaria os cravos em si mesmo. Esse poder era, na verdade, a autoridade para permitir que tudo aquilo ocorresse, entregando-se voluntariamente em obediência.
- O poder para TORNAR A TOMÁ-LA: da mesma forma, o direito de voltar a viver não era uma autoativação mística pós-morte. O próprio texto conclui revelando a fonte dessa autoridade: "Este mandamento recebi de meu Pai" (mostrando Sua fé viva na providência de Yahweh).
As Evidências da Morte Concreta e a
Inatividade no Sepulcro
Mas, como podemos ter certeza de que Jesus morreu de fato e
que foi Deus quem o ressuscitou?
Em primeiro lugar, por que a Bíblia diz explicitamente que Ele morreu: “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” — Lucas 23:46
Em segundo lugar, Aquele que morreu não podia ressuscitar por si mesmo, visto que a ressurreição só é possível mediante a morte real e concreta, e o morto nada pode fazer. Essa inatividade absoluta do estado de morte é confirmada de forma contundente nos seguintes versos do Livro de Eclesiastes:
- “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento” — Eclesiastes 9:5
- “Tudo quanto te venir à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” — Eclesiastes 9:10.
O próprio Jesus estabeleceu o período exato em que permaneceria retido no sepulcro como a prova cabal de Sua missão messiânica, utilizando uma tipologia direta do Antigo Testamento: “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no coração da terra.” — Mateus 12:40
Para que essa palavra se cumprisse, o tempo foi literal e o estado de morte foi contínuo. Ele permaneceu o período completo "no coração da terra", selado em uma sepultura guardada por soldados, o que elimina qualquer teoria de que Ele teria apenas desmaiado ou que a morte não teria sido real.
Conclusão: O Pai o Ressuscitou dos Mortos
O poder de Jesus dependia inteiramente do Pai, o Espírito
eterno. A Kenosis Radical nos mostra que o esvaziamento de Deus na carne foi
real: Jesus experimentou a morte integral como homem. Ele não estava
"fingindo" estar morto enquanto sua suposta segunda pessoa da
trindade governava o universo.
Quem o trouxe de volta à vida? As Escrituras repetem exaustivamente em todo o Novo Testamento que Deus (o Pai) O ressuscitou dos mortos (Atos 2:24, Gálatas 1:1, Romanos 10:9). Ou seja, Yahweh devolveu-Lhe o fôlego de vida e Sua memória espiritual (espécie de "DNA" do homem interior), o mesmo processo de restauração que ocorrerá com toda a humanidade no juízo final, quando a identidade de cada indivíduo será preservada, mesmo daqueles cujos restos mortais se perderam no tempo.
O Unicismo preserva a glória
de Yahweh e a realidade do sacrifício: o Filho morreu de verdade, e o Pai, o
único Deus vivo, o despertou da sepultura.
“O Filho do homem ficará três dias e três noites no
coração da terra” (Mateus 12:40)
Ainda que o céu dos céus não possa conter Yahweh [1 Reis 8:27], ainda que Ele transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9] e ainda que n'Ele vivamos, nos movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos 16:28], o magnífico atributo da onipresença divina [Salmos 139:8-12] permitiu-Lhe acomodar-se e manifestar-se às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], onde preside sobre a assembleia celestial e sobre o Universo [Salmos 82:1]. Foi por esse mesmo atributo, que Yahweh foi capaz de manter-se assentado no trono da Sua glória e, ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta terra e, como um homem perfeito [Hebreus 2:17], morrer pelos pecadores, cumprindo o que havia prometido: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão" (Ezequiel 34:11,12). Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


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