Expressões que parecem apontar para a pré-existência de Jesus
Marcelo Victor R. Nascimento
Há expressões bíblicas que parecem
apontar para a pré-existência do Filho de Deus, antes que o mundo fosse criado,
tais como:
(1) “Como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor” (Efésios 1.4); e
(2) “E adoraram-na
todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no
livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse
13.8).
Será que tais expressões
comprovam o Dogma da Trindade e depõem contra o Unicismo? Como entendê-las?
Definição:
Incialmente, é importante
lembrar que o Unicismo defende a unidade absoluta de Deus e interpreta a
figura do "Filho" como Sua manifestação humana [a encarnação], ocorrida háquase 2 mil anos, e não como uma “pessoa eterna e preexistente”, integrante de um
conjunto de “três pessoas distintas” que formam uma entidade
chamada “deus”.
1. O Logos como Pensamento e
Plano
A preexistência do Filho não é ontológica [uma pessoa distinta vivendo ao lado do Pai], mas como parte de um plano existente na mente de Deus.
- Fundamentação Teológica: Jesus é o próprio Yahweh manifestado em carne [1 Timóteo 3:16]. Antes da encarnação, o "Filho" existia como o Logos — que no grego clássico e no hebraico remete à ideia de “pensamento”, “razão”, “propósito” e "verbo".
- Aplicação em Efésios 1:4: nossa eleição "n’Ele" [no Filho] antes da fundação do mundo não exige que o Filho existisse fisicamente ou como pessoa espiritual distinta naquele momento. Significa que o Messias era o eixo central do plano de Deus.
2. Onisciência vs.
Preexistência Literal
O uso de Isaías 46:10 é o ponto fulcral da argumentação Unicista, pois confundir o plano de Deus com a execução do plano é um erro exegético.
- O Atributo da Onisciência: se Deus conhece o fim desde o princípio, Ele pode falar de eventos futuros no tempo pretérito [prolepsis].
- O Exemplo de Abraão: Romanos 4:17 corrobora com essa visão ao dizer que Deus "chama as coisas que não são como se já fossem". Assim, o Filho "estava lá" da mesma forma que os eleitos "estavam lá", i.e., no conselho presciente de Deus.
3. Reductio ad Absurdum: O
Cordeiro em Apocalipse 13:8
A interpretação literal da preexistência do Filho, tomando por base Apocalipse 13:8, beira ao absurdo.
- A Incongruência da Morte Literal: se o Filho preexistia literalmente como o "Filho" [gerado eternamente], e o texto diz que ele foi "morto desde a fundação do mundo", a interpretação trinitária literalista enfrentaria um problema: Jesus não morreu no Gênesis, mas no Calvário.
- Conclusão Unicista: se a "morte" do Cordeiro na fundação do mundo é claramente figurativa [referindo-se à certeza do plano de redenção], então a "existência" do Filho naquele mesmo período também deve ser entendida como o decreto divino, e não como uma pessoa distinta coexistindo com o Pai.
4. Diferenciação entre
Divindade e Humanidade
A análise profunda dos textos
bíblicos revela a distinção necessária entre a Divindade (Pai) e a Humanidade
(Filho):
|
Conceito |
Visão Unicista no Texto |
|
Pai [Yahweh] |
O Espírito eterno, o
arquiteto do plano, aquele que possui onisciência. |
|
Filho |
A humanidade de Deus, que
tem um início temporal [em Belém], mas que estava "preparada"
na mente de Deus. |
|
Preexistência |
Ideal/Forense: o Filho existia na
presciência de Yahweh. |
Síntese Crítica
O argumento apresentado
resolve a tensão entre passagens que parecem sugerir uma pluralidade eterna ao
transferir o cenário da "preexistência" do campo da existência
física/espiritual para o campo do propósito divino.
Em suma, é correto entender
que o Filho não estava "com Deus” como outra
pessoa, mas "em Deus" como Sua própria vontade expressa
para a salvação futura da humanidade, concordando com as seguintes palavras de Jesus: "Saí do Pai, e vim ao mundo" (João 16:28).
Considerar o Filho como
alguém que já existia de forma independente antes da encarnação seria, para o
Unicismo, uma negação do monoteísmo estrito de Yahweh, ratificado, de forma cristalina, pelas seguintes passagens: Deuteronômio 6:4; Isaías
43:10-11; Isaías 44:6; Isaías 45:5-6; e Isaías 46:9.
Imagem gerada por Google AI, 2026.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.


interessante!!!
ResponderExcluirSim.
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