Como a Trindade foi Consolidada e Capturou o Mundo Protestante (Parte 3)
Marcelo Victor R. Nascimento
É bastante curioso o fato de as grandes instituições
acadêmicas e seminários teológicos globais ignorarem (ou minimizarem) a
evidente fusão entre a filosofia grega e o cristianismo como uma combinação para
a preservação de poder, para a hegemonia histórica e para a manutenção da estrutura
do meio acadêmico.
Na visão da teologia unicista, essa resistência
institucional não é apenas uma falha intelectual, mas a materialização exata da
advertência profética de Paulo em Atos 20:29-30.
Abaixo, veja como explicar esse fenômeno estrutural
para os seus leitores:
1. O "Pacto de Silêncio"
Acadêmico: A Teologia Como Ciência Histórica
Nas grandes universidades mundiais (como Oxford,
Harvard, Tübingen ou Princeton), a teologia é tratada e estudada através do
método histórico-crítico.
· Eles admitem a helenização, mas não a rejeitam: curiosamente, se lermos
os grandes historiadores da igreja e peritos em patrística nessas instituições
(como Adolf von Harnack ou Jaroslav Pelikan), há um reconhecimento declarado
que a Trindade e a Imortalidade da Alma foram moldadas por Platão, Aristóteles
e pelo neoplatonismo.
· O problema é o ponto de partida: para a academia
secular ou tradicional, esse processo de fusão (chamado de desenvolvimento
do dogma) é visto como uma "evolução natural" e positiva da
religião, e não como uma corrupção. Eles tratam a filosofia grega como uma
"ferramenta necessária" que ajudou o cristianismo a ser compreendido
pelo Império Romano.
· A blindagem institucional: se a academia
admitir que essa fusão helenística foi uma apostasia espiritual que corrompeu a
verdade original, todo o castelo de cartas da teologia sistemática ocidental
desmorona. Séculos de literatura, cátedras universitárias, currículos de
seminários e a própria autoridade das lideranças religiosas perderiam a
validade. É mais fácil tratar a filosofia como "revelação
progressiva" do que admitir um erro milenar.
2. A Indústria do Ensino Teológico e
o "Mercado" da Ortodoxia
A maioria das grandes instituições teológicas no mundo
é financiada ou mantida por denominações históricas (católicas, ortodoxas,
anglicanas, reformadas e evangélicas tradicionais).
· O selo de "ortodoxia": para que um
seminário seja respeitado, receba verbas, credenciamento governamental e atraia
alunos, ele precisa se declarar "ortodoxo". No meio acadêmico e
eclesiástico, o padrão de ortodoxia é definido pelos primeiros credos
ecumênicos (Niceia e Calcedônia).
· O custo da dissidência: qualquer
instituição teológica que se levante para ensinar que a Trindade é um conceito
platônico e que a Imortalidade da Alma é uma herança de Sócrates e Platão é
imediatamente rotulada como "herética" ou "seita". Ela
perde o credenciamento, os alunos são boicotados e os professores são
demitidos. A sobrevivência financeira e o prestígio intelectual dessas
instituições dependem da manutenção do status quo.
3. O Cumprimento de Atos 20:29-30: Os
"Lobos" por Cima do Rebanho
A advertência que Paulo faz aos presbíteros de Éfeso
em Atos 20:29-30 é cirúrgica. Ele não diz que o ataque viria de fora (de
perseguidores pagãos), mas que surgiria de dentro: "Porque eu
sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis,
que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens
que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si."
Quando sobrepomos essa profecia à história, a
engrenagem se revela:
· Os "lobos" que não pouparam o rebanho: Foram os
teólogos-filósofos dos séculos III e IV (os pais da igreja helenizados) que, ao
assumirem o controle intelectual da igreja, começaram a perseguir e excomungar
os cristãos simples (frequentemente chamados de "monarquianos" ou
"patripassianos" pelos historiadores) que defendiam o monoteísmo
estrito e a unicidade de Deus.
· Falar coisas perversas (distorcidas): No grego
original, a palavra para "coisas perversas" é diastrepho, que
significa "distorcer, desviar, deformar". É exatamente o que os
concílios fizeram ao pegar passagens bíblicas claras e distorcê-las através de
conceitos metafísicos estranhos às Escrituras para justificar a divisão de Deus
em três "pessoas" subsistentes e criar a doutrina da sobrevivência da
alma sem a necessidade da ressurreição física.
· Atrair os discípulos após si: Ao criarem um
sistema teológico complexo que apenas iniciados na filosofia grega conseguiam
debater, esses bispos e filósofos tiraram a Escritura das mãos do povo simples
e colocaram a salvação sob o crivo de sua própria autoridade intelectual e
eclesiástica.
Conclusão
A academia não ignora o fato histórico da
helenização; ela apenas se recusa a admitir as consequências espirituais
e teológicas desse fato.
Reconhecer que Platão e Aristóteles são os verdadeiros pais do trinitarismo e da imortalidade da alma exigiria que as grandes instituições teológicas assinassem sua própria certidão de óbito espiritual. Por isso, elas preferem manter o prestígio de suas cátedras acadêmicas a confessar que, ao longo dos séculos, o rebanho foi conduzido exatamente por aquela liderança que o apóstolo Paulo, com lágrimas nos olhos, previu que se levantaria para deformar o Evangelho de Cristo.
Ilustração
No vídeo abaixo, o filósofo e pensador Luiz Felipe Pondé, colunista do jornal Folha de São Paulo, faz considerações bastante apropriadas para esta análise sobre a influência da filosofia no cristianismo e como ela moldou o pensamento da cristandade em geral e do próprio filósofo.
Clique no vídeo e assista.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase
dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.




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