O Paradoxo Católico do Bebê que Governava o Mundo de uma Manjedoura

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Marcelo Victor R. Nascimento

Há um paradoxo de um bebê na manjedoura (frágil, dependente e em pleno desenvolvimento humano) ser, ao mesmo tempo, aquele que sustenta a estrutura física e molecular de todo o universo (Colossenses 1:17; Hebreus 1:3).

Para a Igreja Romana, Jesus era um ser híbrido (com duas naturezas) que vivia ao mesmo tempo em duas esferas: a terrena e a celestial, algo completamente esdrúxulo e sem respaldo bíblico, só aceito no mundo filosófico.

O Unicismo, por sua vez, resolve essa questão compreendendo a relação entre a humanidade genuína de Jesus e a onipresença absoluta de Yahweh.


1. O Esvaziamento Real (Kenosis) e a Semelhança Humana

Para que Jesus fosse verdadeiramente homem e nosso representante real, Ele não poderia possuir ou portar os atributos de poder em Sua própria humanidade.

·  Humanidade Real, Não Híbrida: Jesus não tinha "duas mentes" ou "duas naturezas" operando em um único corpo. Ele se esvaziou completamente desses atributos de poder. Ele sentiu fome real, cansaço real, limitação física e cresceu em sabedoria como os demais homens (Lucas 2:52; Hebreus 5:8).

· Sem Atributos Incomunicáveis: Jesus manifesta Deus na carne sem possuir os atributos incomunicáveis (Mateus 1:23). Ele viveu a nossa realidade de forma integral. Se Ele usasse um "mecanismo de escape" divino para sustentar o universo ou para resistir às tentações, Ele não seria em tudo semelhante a nós como a Bíblia diz que Ele era (Hebreus 2:17).

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2. A Onipresença como Solução do Mistério

Para o unicismo, a encarnação não significa que Deus "deixou o céu vazio” para espremer-se inteiramente dentro de um corpo humano de carne e osso. Deus é Espírito infinito; Ele não pode ser contido ou limitado pelo espaço geográfico (1 Reis 8:27; Jó11:8-9; Atos 17:28).

Portanto, o conceito de dupla manifestação simultânea baseia-se diretamente no atributo da onipresença:

· Na Terra (O Filho): Yahweh manifestou-se de forma visível, tangível e localizada como homem, operando dentro das limitações humanas para servir de mediador e sacrifício perfeito.

· No Céu (O Pai): simultaneamente, o mesmo e único Yahweh continuava preenchendo todo o cosmos, assentado em Seu trono de glória, governando e sustentando todas as coisas através de Seu Espírito onipresente.

O atributo da onipresença permitiu a Yahweh ser simultaneamente transcendente (1 Reis 8:27; Jó11:8-9; Atos 17:28) e imanente, i.e., preencher o universo e, ao mesmo tempo, acomodar-se, de forma a manifestar-se às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], onde preside sobre a assembleia celestial e sobre o Universo de uma forma geral [Salmos 82:1].

Por esse mesmo atributo, Yahweh teve a capacidade de manter-se assentado no trono da Sua glória e, ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta terra e, como um homem perfeito [Hebreus 2:17], morrer pelos pecadores, cumprindo o que havia prometido: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão" (Ezequiel 34:11,12).


3. O Diálogo de Jesus sobre a Onipresença

Entre os textos bíblicos que revelam o poder da onipresença divina, i.e., a capacidade de Yahweh estar em mais de um lugar ao mesmo tempo (de forma imanente) está João 3:13 que diz o seguinte: "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, QUE ESTÁ NO CÉU."

Nessa passagem, enquanto Jesus estava fisicamente na Terra conversando com Nicodemos, Ele afirma estar “no céu" ao mesmo tempo. Isso demonstra claramente que Jesus é o próprio Yahweh desprovido de Seus atributos de poder, numa dupla manifestação simultânea.

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4. A Diferença Fundamental entre as duas visões

Esta é a diferença de engenharia teológica entre o que a Bíblia diz e o conceito filosófico da Igreja Romana:

Ponto de Comparação

Visão Unicista

Visão Trinitária

Quem sustenta o universo enquanto o bebê dorme?

O Pai (Yahweh/Espírito). A humanidade de Jesus é real e totalmente esvaziada; o Espírito de Deus (o Pai), que é onipresente e distinto da carne, mantém o cosmos.

O Filho (O Logos divino). A própria pessoa do Filho sustenta o cosmos através de sua própria natureza divina, que permanece ativa e ilimitada fora da carne.

Como a divindade é vista em relação à carne?

Deus manifestado na carne. Jesus homem é o tabernáculo do único Deus onipresente. Não há "duas mentes" ou "duas naturezas" ativas em Jesus.

Duas naturezas coexistindo em uma única pessoa. O Filho age em duas esferas simultaneamente (como homem limitado e como Deus ilimitado).


A Síntese Teológica

Diante de tudo que foi tratado nesta matéria, passagens como Colossenses 1:17 e Hebreus 1:3 não exigem a existência de uma "segunda pessoa da Trindade" pré-existente para fazer a manutenção do cosmos.

Para o Unicismo, quem sustenta o universo enquanto o bebê dorme é o único Deus, Yahweh, que opera além das limitações da carne, enquanto se revela na história de forma amorosa e redentora como um homem perfeito, a quem resolveu chamar de "Filho" (Hebreus 1:5: Lucas 1:32), o título dado ao "Plano de Redenção", formulado antes que o mundo existisse (1 Pedro 1:20).

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Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.

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