A Expressão "Santo, Santo, Santo" Confirma o Dogma da Trindade?
Marcelo Victor R. Nascimento
Os trintários usam a passagems de Isaías 6:3 (conhecida como o
“Triságio de Isaías”), na qual os serafins clamam diante do trono de Deus "Santo, Santo,
Santo", como uma forma de defender a veracidade do seu Dogma predileto.
Contudo, de forma muito sólida com base na própria estrutura
da língua hebraica, o Unicismo (a crença de que Deus é uma única pessoa
que se manifesta como Pai, Filho e Espírito Santo, e não uma família formada
por três pessoas distintas) desfaz completamente essa tese absurda, lançando-a
por terra, pelas seguintes razões principais:
1. O Argumento Gramatical: O Superlativo
Hebraico
O hebraico bíblico clássico não possui um sufixo ou um termo
específico para expressar o grau superlativo (como o nosso
"santíssimo"). De sorte que, para elevar uma qualidade ao seu grau máximo, a
gramática hebraica utiliza o recurso da repetição ou enfaticismo por
triplicação.
· Repetição
dupla (Geminação): indica ênfase ou continuidade (ex: paz, paz em Isaías 26:3, traduzido
como "perfeita paz").
· Repetição
tripla (Triságio): indica a intensidade máxima absoluta, a perfeição ou o grau superlativo de uma
característica.
Dizer "Santo, Santo, Santo" (Qadosh, Qadosh,
Qadosh) não significa "Pai Santo, Filho Santo e Espírito Santo".
Significa tão somente dizer que o Senhor dos Exércitos é Santíssimo — Ele
possui a santidade em sua potência máxima e absoluta. Isolar a repetição tripla
para forçar uma pluralidade de pessoas divinas é um anacronismo gramatical que ignora como os próprios judeus (estritos monoteístas) entendiam seu idioma.
2. O Contexto Teológico do Unicismo
Para o Unicismo, a própria Escritura interpreta a si mesma
logo em seguida no mesmo versículo. Os serafins não dizem "Santos são
eles", mas sim: "Santo, Santo, Santo é o Senhor [YHVH,
no singular] dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua [singular]
glória." (Isaías 6:3)
· O
Alvo da Adoração é Um:
o pronome possessivo utilizado é "sua" glória (kevodo),
e não "glória deles". O serafim adora a uma única mente, uma única
vontade e uma única pessoa divina: o Deus Único e Indivisível.
· A
Revelação da Identidade:
quem é esse Deus assentado no trono que Isaías viu? No Novo Testamento, o
apóstolo João reconstrói essa exata cena e revela explicitamente quem era o ser
no trono: Jesus. João 12:41 diz: "Isaías disse isto quando viu a
glória de Jesus e falou dele".
Portanto, o Triságio não é um eco de uma comunidade triuna
nas entrelinhas do Antigo Testamento, mas a exaltação máxima da santidade
daquele que viria a se manifestar em carne: o único Deus, manifestado como o
Cristo.
3. Evidências Bíblicas da Triplicação como
Ênfase (Jeremias 7:4 e 22:29)
Se a repetição de "Santo" três vezes indicasse três
pessoas na Divindade, seríamos forçados a aplicar a mesma lógica absurda a
outros textos do Antigo Testamento onde a triplicação ocorre. O profeta
Jeremias usa exatamente o mesmo recurso literário hebraico para dar um senso de
absoluto, urgência e exclusividade, onde a matemática das pessoas
divinas simplesmente não faz sentido:
· O
Falso Refúgio no Templo (Jeremias 7:4): "Não confieis em palavras mentirosas,
dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é
este." Essa
passagem mostra, tão somente, que o povo de Judá acreditava falsamente que Deus
nunca permitiria a destruição de Jerusalém porque ali estava a Sua habitação.
Ao repetir a expressão três vezes, Jeremias está ironizando o superlativo da
falsa segurança deles. Obviamente, não existiam três templos, nem o
templo era uma trindade. A triplicação serve para demonstrar a total, máxima e
cega obsessão do povo por aquela estrutura física.
· O Clamor Solene à Nação (Jeremias 22:29): "Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor." Ao profetizar o julgamento contra o rei Conias, o profeta convoca o testemunho da criação com intensidade máxima. Ele não está chamando três terras distintas, nem dividindo a Terra em três partes. A repetição tripla aqui equivale ao nosso "Prestem atenção absoluta!", elevando o chamado ao grau máximo de solenidade.
Nota: o profeta Ezequiel também usa esse recurso literário (triságio) em Ezequiel 21:27 como símbolo de uma “destruição completa” e o apóstolo João também o faz em Apocalipse 4:8, dizendo “Santo Santo Santo”, a fim de exaltar a santidade de Yahweh. Salvo melhor juízo, além de alinhar-se ao padrão da língua hebraica, as palavras citadas por João mostram claramente que a tese trinitária (de que o triságio indica a existência de três pessoas distintas na divindade) não possui fundamento algum. Isso, porque logo depois de destiná-las à pessoa de Yahweh (que estava assentado em um trono de glória), é dito, em Apocalipse 5:6-7, que João vê um Cordeiro (referência a Jesus, a suposta segunda pessoa da trindade) indo até Yahweh, a pessoa a quem fora dirigido o triságio (“Santo Santo Santo”), comprovando que tais palavras não querem dizer que há três pessoas distintas na divindade (pois elas foram dirigidas a uma única pessoa), mas tratam-se tão somente de um superlativo que dá ênfase a uma determinada qualidade da pessoa de Yahweh.
Conclusão Consolidada
A teologia trinitária faz uma leitura seletiva: isola Isaías
6:3 para enxergar três pessoas na repetição de "Santo", mas ignora
Jeremias 7:4 e Jeremias 22:29, onde a mesmíssima estrutura gramatical é usada.
Portanto, para o Unicismo, a verdade bíblica permanece
inalterada e coerente, i.e., assim como a repetição em Jeremias aponta para um
único templo (falsa segurança máxima) e uma única terra (chamado
solene máximo), o Triságio de Isaías aponta para um único Deus, cuja
Santidade é Absoluta e Máxima (Santíssimo).
Clique no vídeo e ouça uma bela explicação sobre o "Triságio de Isaías".
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.



Parabéns pelo texto meu irmão ! você escreve muito bem e estas prestando um excelente serviço ao Reino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo !
ResponderExcluirAmém!!!
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