"Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai." (João 16:28)
Marcelo Victor R. Nascimento
O Salmo 36:9 mostra que Deus não é somente
a fonte inesgotável e a origem de toda vida, mas é o sustentador da nossa
existência física e espiritual, oferecendo renovação, verdade e satisfação
plena.
Quando associamos esse Salmo a João 16:28 e Isaías 55:11, temos a clara percepção da mecânica bíblica da encarnação sob a ótica do Unicismo e da Kenosis (Filipenses 2:7). Compreendemos que a "vida eterna" não é uma segunda pessoa autônoma, mas a própria emanação ativa do único Deus (Yahweh) vinda ao mundo.
Vejamos como essa conexão consolida a análise e expõe
ainda mais a fragilidade do argumento trinitário de que Deus é formado por uma
família de divindades:
I - O Fluxo da Vida Divina: Da Fonte
(Yahweh) à Manifestação (Jesus)
(1) Yahweh é a Fonte Exclusiva (Salmo
36:9): no Antigo Testamento, a identidade de Yahweh está intrinsecamente ligada
à origem de toda a existência: "Pois em ti [Yahweh] está o manancial
da vida; na tua luz veremos a luz." — Salmo 36:9. Se Yahweh é o único
manancial (a fonte originária) da vida, qualquer outra manifestação de
"vida eterna" na história não pode ser uma fonte paralela ou
concorrente. Ela tem que ser, por definição, a própria água desse manancial
fluindo em direção à humanidade.
(2) A Emanação da Fonte: é aqui que a fala
de Jesus em João 16:28 ganha seu real e profundo significado ontológico: "Saí
do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai." —
João 16:28. Jesus não diz que "se despediu" do Pai em uma assembleia
celestial de três pessoas e veio ao mundo. Ele diz que saiu do Pai; no
grego, o termo usado é exerchomai (sair de dentro de, emanar). Portanto,
Jesus é a Palavra, a expressão visível que estava latente no próprio seio do
Pai e que agora se projeta para fora, assumindo a limitação da carne na kenosis.
Ele é a extensão palpável do Manancial da Vida divina alcançando a Terra.
(3) O Envio da Palavra Eficaz (Isaías
55:11): a jornada do Filho (a emanação de Deus) segue perfeitamente o padrão
profético da Palavra de Yahweh descrito em Isaías: "Assim será a minha
palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o
que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei." — Isaías 55:11.
Segundo o apóstolo João, o “Filho” é o Verbo (a Palavra) personificado. Assim
como a palavra sai da boca de um homem, realiza a sua função e
"retorna" ao seu intelecto como objetivo cumprido, Jesus (o Verbo em kenosis)
emanou do Pai, operou a salvação na Terra de forma totalmente submissa e, após
ressuscitar, "retornou" à glória do Espírito invisível, tendo
cumprido cabalmente o propósito de Yahweh.
II - O Quadro Completo e
Incontestável
Ao unirmos todas as peças desse quebra-cabeça teológico, o cenário se torna perfeitamente coeso, dispensando qualquer necessidade de dogmas trinitários posteriores:
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YaHWeH (o Manancial da Vida/o Único Deus) |
Salmo 36:9 e Deuteronômio 6:4 |
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↓
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Emanação do Verbo de Deus (João 16:28 e Isaías 55:11) |
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Jesus [YaHWeH é salvação] (o Verbo de Deus encarnado/a Vida manifestada e tocada) |
João 1:14 e 1 João 1:1-3 |
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↓
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Jesus [YaHWeH é Salvação] (a Vida Eterna/o verdadeiro Deus) |
1 João 5:20 e João 17:3 |
III - O Golpe de Misericórdia na Tese
Trinitária
Se a "vida eterna" em 1 João 1:2 é o próprio
Jesus que foi visto e tocado, e o Salmo 36:9 diz que a "fonte da
vida" é Yahweh, então Jesus é a própria vida de Yahweh projetada na
carne.
Quando João diz que “a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João17:3), não há uma barreira entre "Pai" e "Filho", pois Este é a emanação direta d'Aquele, para que o homem pudesse conhecer o Deus invisível, "tocá-Lo" pessoalmente e experimentar o Seu amor entranhável.
A salvação pela graça, mediante a fé no Evangelho,
opera justamente porque cremos que a Palavra enviada por Yahweh (Jesus) cumpriu
com perfeição o resgate que o Manancial da Vida planejou.
ReflexãoFinal:
A grande verdade das Escrituras Sagradas é que, de uma maneira real e concreta, em Jesus: o infinito Deus se fez finito; o eterno Deus limitou-se no tempo; o onipotente Deus limitou-se ao poder humano; o onipresente Deus se fez apenas presente; o onisciente Deus cresceu em sabedoria e aprendeu a obediência por aquilo que padeceu; o imutável Deus mudou com o tempo [não em termos morais]; o Deus invisível se revelou aos homens; o Senhor de todas as coisas se fez servo; Aquele que não pode ser tentado deixou-se tentar; Aquele que é três vezes santo se fez maldição por nós; e o Deus imortal se fez mortal e verdadeiramente morreu por nós.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.



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