A Resposta à Miopia do Calvinismo: Onisciência! A Resposta à Miopia da Trindade: Onipresença!

 
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Marcelo Victor R. Nascimento

A teologia sistemática tradicional frequentemente esbarra em limitações humanas que tentam enquadrar a soberania e o poder do Altíssimo em caixas lógicas caídas. Dois grandes exemplos dessa miopia espiritual são o Trinitarismo ortodoxo e o Calvinismo clássico. Enquanto os primeiros limitam a onipresença e a capacidade de encarnação do “Pai” [Yahweh], os segundos distorcem a onisciência divina para transformar o Criador, em última análise, no autor do pecado.

Hoje, à luz da teologia unicista e munidos de duas verdades bíblicas absolutas — a Kenosis Radical e o Molinismo —, desarmaremos esses equívocos para contemplar o Deus que é perfeitamente santo e livre, e que, por um amor entranhável e inalcançável, escolheu ser chamado de Emanuel: Deus conosco.


1. O Equívoco Trinitário: Limitando a Onipresença e a Humilhação do Pai

Os trinitários defendem com afinco a suposta impossibilidade de Deus, o Pai [Yahweh], ter se tornado um homem como os demais e vindo ao mundo. Na mente deles, a ideia de que o próprio Deus Supremo esvaziou-se para viver a experiência humana é um absurdo intolerável. Com isso, eles rejeitam o cumprimento cabal de Hebreus 2:17, que afirma que o Redentor devia “em tudo ser semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus”.

Essa rejeição demonstra um desconhecimento prático sobre o que realmente significa o poder da onipresença divina. Conforme o Salmo 139, Deus tem poder para estar presente de forma imanente em mais de um lugar ao mesmo tempo. Isso, porque ainda que o céu dos céus não possa contê-Lo [1 Reis 8:27], ainda que Ele transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9] e ainda que n'Ele vivamos, nos movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos 17:28], o magnífico atributo da onipresença divina [Salmos 139:8-12] permitiu-Lhe, simultaneamente, preencher o universo e acomodar-se de forma a manifestar-se às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], onde preside sobre a assembleia celestial e sobre o Universo de uma forma geral [Salmos 82:1].

Assim sendo, foi por esse mesmo atributo que Yahweh foi capaz de manter-se assentado no trono da Sua glória e, ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta terra e, como um homem perfeito, morrer pelos pecadores.

Nota: a resposta para o “mistério da piedade” (1 Timóteo 3:16) está na Kenosis Radical. O Pai não enviou uma "segunda pessoa" distinta; Ele próprio se esvaziou de Sua glória visível, assumindo a forma de servo, limitando-se voluntariamente na carne humana sem deixar de ser o Deus que preenche o cosmos e cumpriu a seguinte promessa: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão" (Ezequiel 34:11-12).

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Referência Bibliográfica:

2. O Equívoco Calvinista: Soberania Cega e o "Deus Autor do Mal"

De forma semelhante à incapacidade trinitária, os calvinistas preferem dizer que Deus é, em última análise, o autor do mal, a fim de defender uma visão cega de soberania absoluta. Na visão deles, Deus decretou a queda do homem e dos anjos para a Sua própria glória (um absurdo).

Esta é uma leitura profundamente equivocada, pois a Bíblia é categórica em dizer: “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 João 1:5). Ou seja, não há treva alguma no ser de Deus: nem nas Suas palavras, nem nas Suas obras, nem nos Seus sentimentos, nem nos Seus pensamentos ou decretos.

Nota: a resposta para essa incongruência está na onisciência perfeita de Yahweh, visto que, enquanto os trinitários limitam o poder da onipresença, os calvinistas desconhecem o verdadeiro poder da onisciência divina. Por causa desse atributo tão maravilhoso (Sua onisciência), Deus conhece não só o presente e o futuro, mas também as escolhas que cada criatura faria em todos os mundos possíveis (premissa básica do Molinismo), i.e., Ele conhece os corações e as mentes de cada ser (homens e anjos) que vem à existência (suas inclinações e suas decisões em cada mundo possível). Apesar de ter escolhido e decretado qual mundo seria criado dentre os mundos possíveis, Ele respeitou a liberdade de escolha de cada ser humano, ou seja, cada qual seguiu o seu próprio coração. É por isso que Ele possui o direito de julgar o mundo com justiça, pois cada um tomou a sua própria decisão nas situações que se lhes apresentaram em vida.

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3. Deus Não é Escravo dos Seus Atributos

Para compreendermos a grandeza do poder de Yahweh, precisamos entender que Ele está acima de classificações teológicas engessadas. Deus não está cativo, nem limitado por Seus próprios atributos de poder (diferentemente dos atributos morais, como a Sua santidade perfeita, por exemplo), pois as Escrituras nos provam tal verdade de várias maneiras, tais como:

(1) Ele domina Sua Onisciência: embora seja onisciente (sabe de tudo), Ele pode esquecer-se de algo de forma voluntária, se assim o desejar, sem que isso seja uma diminuição da Sua sabedoria. Yahweh declarou: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Isaías 43:15) e “De seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais” (Hebreus 8:12). Para o homem, esquecer-se significa uma limitação, mas Deus o faz porque quer (Quem poderia dizer que isso não é possível para Ele, se Ele garante que isso ocorre?)

(2) Ele é maior que Sua Sabedoria: a sabedoria (um atributo divino) diz que, na criação, ela aprendia com Deus, o que nos faz entender que Yahweh é maior do que tal atributo: “Então eu estava com ele, e era seu aluno; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo” (Provérbios 8:30).

(3) Ele autolimita Sua Soberania: em um ato soberano, Deus deu a Adão a liberdade de escolha entre comer ou não do fruto proibido (Gênesis 2:17). Com isso, o Senhor obrigou-se a abrir mão de Sua soberania mecanicista e absoluta sobre as decisões humanas, permitindo que o homem seguisse livremente seu próprio caminho e respondesse pelas suas escolhas.

4. Ele é a fonte de Sua Eternidade: embora classifique-se como eterno, Yahweh também se diz o “Pai da eternidade” (Isaías 9:6), mostrando-se maior do que mais um de Seus atributos, sendo Ele o gerador do próprio tempo/eternidade.

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4. O Sacrifício Pessoal e o Trono que Nunca Ficou Vazio

É exatamente essa compreensão profunda sobre a liberdade e os atributos de Deus que torna a mensagem da cruz tão avassaladora.

A honra, o louvor e a glória do grande Elohim dos Exércitos são ainda maiores quando entendemos que, por infinito amor, Yahweh esvaziou-se de Si mesmo e não mandou "outra pessoa" para morrer em Seu lugar. Ele mesmo abriu mão da Sua glória e veio resgatar pessoalmente as Suas ovelhas (Ezequiel 34:11-12)

Usando o Seu infinito poder e a Sua gloriosa capacidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo (onipresença), o Próprio Deus encarnou-se e deu, pessoalmente, a Sua vida pela humanidade, como um homem, em tudo, semelhante aos demais (Hebreus 2:17). E o detalhe mais maravilhoso de todos: Ele fez isso sem, contudo, deixar o trono do céu vazio.

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Conclusão

O Deus da Bíblia não é prisioneiro das caixas lógicas dos homens. Como unicistas, confessamos um Deus livre e supremo que (1) preenche os céus sem esvaziar Seu trono, (2) respeita nosso livre-arbítrio sem perder o controle do universo e (3) nos amou a ponto de derramar o Seu próprio sangue naquela cruz maldita (Atos 20:28). 

Outrossim, o fato de Deus ter entrado verdadeiramente no sofrimento humano por meio de Sua manifestação em carne, autolimitando-se, não anula a Sua divindade. Antes, a torna ainda mais manifesta e admirável, fazendo-O plenamente Deus, ainda mais soberano, maior e glorioso do que antes se podia imaginar. Glória, pois, a Ele eternamente. Amém!!!

Fonte: Unicidade de Deus (Facebook).


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.


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