Cuidado: Não Caia no Engodo da "Plenitude Trinitária"!!! (Parte 1)
Marcelo Victor R. Nascimento
É fascinante observar como a
teologia tradicional — moldada pela Escolástica Protestante e inspirada na
metafísica grega — consegue ignorar parte do texto bíblico para sustentar dogmas
estáticos. Um dos casos mais emblemáticos de leitura distorcida ocorre na interpretação
de Colossenses 1:19 e Colossenses 2:9.
Os defensores da Trindade
costumam citar a declaração de que em Cristo "habita corporalmente toda
a plenitude da divindade" para tentar provar que Jesus exerceu
simultaneamente uma dupla natureza (divina e humana) durante toda a sua jornada
terrena. Contudo, quando analisamos as Escrituras sob a luz da kenosis
radical — a verdade incontestável do esvaziamento de Cristo —, o argumento
trinitário rói até a raiz.
Segue, abaixo, quatro razões
fundamentais pelas quais a exegese trinitária desses versículos está
completamente equivocada.
1. A Questão
Gramatical: O Verbo Está no Presente
Paulo escreve que a
plenitude habita (no presente do indicativo) em Cristo. Essa carta não
foi escrita durante o ministério terreno de Jesus, mas após a sua morte,
ressurreição e ascensão gloriosa ao céu.
A exaltação e a plenitude
corporal que Paulo descreve são o resultado direto de Cristo ter triunfado e
sido coroado de glória. Tentar aplicar essa habitação plena à fase de sua
humilhação terrena é ignorar o tempo verbal e a cronologia da revelação apostólica. Até porque, onde houve esvaziamento não pode haver plenitude em hipótese alguma por uma questão de lógica.
Ainda que se queira alegar que o verbo no tempo aoristo em Colossenses 1:19 indica um ato decretivo eterno de Deus, e não uma aquisição posterior de plenitude, o Unicismo sabe muito bem que o plano de salvação foi traçado antes que o universo fosse criado, por causa da onisciência de Yahweh (Isaías 46:10), e que, portanto, não guarda relação com questões anatômicas (metafísicas) de Jesus.
2. A Lógica da
Kenosis: Onde Há Esvaziamento, Não Há Plenitude
Em Filipenses 2:7, a Escritura é categórica: Jesus Cristo a si mesmo se esvaziou (ekenōsen) daquilo que o impedia de ser um homem em tudo igual aos demais, i.e., despojou-se dos seus atributos de poder (Hebreus 2:17). A matemática espiritual é simples e irrefutável: onde houve um esvaziamento radical, não pode haver plenitude simultânea (Yahweh abriu mão de seus atributos de poder, a fim de viver como homem real).
Ainda que se queira lançar mão da "imutabilidade divina" para afirmar que o esvaziamento radical representa "mudança de natureza", é fundamental ressaltar que as passagens bíblicas que falam da tal imutabilidade dizem respeito à Sua fidelidade, amor, alianças e promessas (Malaquias 3:6; Tiago 1:17).
Ademais, falar em "plenitude da divindade" atuando em um Jesus invalida o próprio sacrifício, pois O torna diferente dos demais homens, além do fato de abrir mão de Seu poder divino não representar uma "fraqueza", mas uma demonstração de sua onipotência, pois é soberano até mesmo sobre seus próprios atributos.
ESVAZIAMENTO
(Kenosis em Filipenses 2:7)
│
▼
RECURSOS
DIVINOS DEPOSTOS/VIDA TERRENA
│
▼
GLORIFICAÇÃO E EXALTAÇÃO
(Colossenses 2:9)
│
▼
TODA A
PLENITUDE PARA SALVAÇÃO HABITA NELE, POR CAUSA DA SUA VITÓRIA
3. A
Exclusividade Absoluta: Não Resta Plenitude para Mais Ninguém
Se considerarmos que o apóstolo Paulo está tratando de uma questão anatômica (metafísica) nessas passagens da Carta de Paulo aos Colossenses, a consequência lógica e teológica é devastadora para o dogma trinitário: não resta plenitude para mais nenhuma outra suposta "pessoa" divina. Contudo, a Bíblia Sagrada mostra que o Pai revelou-se plenamente no Filho, ainda que vazio dos atributos de poder, não havendo um "Deus em três pessoas", as quais compartilham "fatias da divindade" (1 Timóteo 3:16).
As Escrituras são claras: há um único Deus cuja divindade está concentrada unicamente n’Ele (de forma absoluta e indivisível), comprovando a Unicidade Bíblica (de capa-a-capa das Escrituras Sagradas).
4. O Verdadeiro
Contexto de Paulo: Cristo versus a Filosofia Humana
Para entender Colossenses
2:9, basta ler o que vem imediatamente antes e depois. O assunto de Paulo não é
a formulação de um credo filosófico sobre a substância (ousia) de Deus,
mas uma advertência pastoral direta: não procurem a salvação em mais
ninguém.
A Bíblia Sagrada é clara: "Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens..." — Colossenses 2:8. Ou seja, Paulo está dizendo à igreja de forma cristalina que eles não precisam recorrer a:
· Filosofias gregas ou mitos gnósticos;
· Conceitos humanos, por mais profundos que pareçam;
· Intermediários espirituais ou dogmas elaborados.
Nesse único Nome — nessa
única Pessoa —, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.
A mensagem apostólica é de suficiência absoluta: Cristo é o centro, a
totalidade e a única revelação do Deus Todo-Poderoso, em quem Yahweh estava reconciliando consigo o universo (2 Coríntios 5:18-19).
Conclusão
O equívoco trinitário em Colossenses nasce da necessidade de projetar os concílios dos séculos IV e V sobre o texto bíblico. Quando desmascaramos essas leituras tendenciosas e abraçamos a kenosis radical, a mensagem de Paulo reluz com clareza unicista: o Deus invisível se fez perfeitamente conhecido em Jesus, o único Senhor em quem habita toda a plenitude, o verdadeiro Emanuel (que traduzido é "Deus conosco").
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.



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