Dogma da Trindade: Acréscimo às Escrituras Sagradas? (Parte 2)
Marcelo Victor R. Nascimento
A Bíblia Sagrada traz advertências severas contra
alterar a mensagem divina das Escrituras Sagradas (como em Deuteronômio 4:2;
Deuteronômio 12:32; Provérbios 30:6 e Apocalipse 22:18-19), um desejo que, por certo,
faz parte dos sentimentos do coração do diabo e de seus embaixadores das trevas,
querendo perverter a fé e afastar o homem da verdade.
Quando olhamos para o modus operandi da Igreja
Romana essa certeza parece saltar aos olhos, pois, além de trazer em sua Bíblia
sete livros a mais do que a Bíblia protestante (chamados de apócrifos − de
natureza duvidosa), no Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 2175 a
2177), a Igreja afirma abertamente que a observância do sábado foi substituída
pela do domingo, algo sem qualquer respaldo bíblico.
Analisemos o aspecto da adulteração da Bíblia com base
no Dogma Católico da Trindade.
1. Divergência entre Católicos e Protestantes
A raiz de toda a discussão em relação à composição da Bíblia
e da mudança do sábado para o domingo nos dez mandamentos não está apenas no
texto em si, mas na fonte de autoridade:
|
Visão Católica |
Visão Protestante (Sola Scriptura) |
|
A fé cristã se apoia no triplo pilar: Escritura
+ Tradição Apostólica + Magistério da Igreja. A Igreja existia antes do
Novo Testamento ser escrito e tem autoridade para interpretá-lo e tomar
decisões doutrinárias. |
A Bíblia é a única autoridade
infallível e regra de fé. Qualquer tradição, dogma ou decisão de conselho
que altere ou adicione ensinamentos aos textos das Escrituras deve ser
rejeitada como erro humano. |
Existe uma distinção fundamental entre o texto
(as palavras escritas nos manuscritos sagrados) e a interpretação (a
teologia construída sobre ele).
Quando a teologia cristã posterior usou termos
filosóficos gregos na interpretação do texto sagrado, ela não alterou o texto
das Bíblias, mas passou a lê-lo através de uma lente conceitual específica.
Para os críticos, ler a Bíblia por lentes filosóficas externas já é uma forma
indireta de "acrescentar" algo que o texto original não visava
transmitir em seu contexto hebraico/semítico original. Embora cressem na revelação progressiva, os críticos defendiam que qualquer revelação não podia jamais contrapor-se às verdades já reveladas (como o monoteismo absoluto de Yahweh por exemplo).
3. Caso Prático de Adição (A Coma
Johanneum)
Um exemplo clássico de interpolação (alteração/acréscimo)
na história da tradução bíblica está em 1 João 5:7-8, praticado
de forma tendenciosa por pessoas ligadas à tradição católica trinitária.
· O texto acrescentado (séculos mais tarde): "Porque três
são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes
três são um."
· O que a Crítica Textual provou: esse trecho
(conhecido pelos eruditos como Coma Johanneum) não existe em nenhum
manuscrito grego antigo da Bíblia anterior ao século XIV. Ele era,
originalmente, uma nota de margem em manuscritos em latim (Vulgata) na
Espanha/Norte da África por volta do século IV, que acabou sendo copiada para
dentro do texto por escribas posteriores.
· A correção moderna: a imensa maioria das Bíblias
modernas (como a Bíblia de Jerusalém, a NVI, a Almeida Século
21 e edições acadêmicas) removeram esse trecho do texto principal ou
colocaram notas de rodapé explicando que se trata de uma inserção posterior não
autêntica.
Esse fato mostra claramente que a tradição exerce
influência nas pessoas responsáveis por traduzir o texto sagrado.
4. O Batismo Trinitário e as Notas da
Bíblia de Jerusalém
O texto de Mateus 28:19 diz o
seguinte: "Ide... batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo". Contudo, a Bíblia de Jerusalém e algumas enciclopédias
de renome (como a Enciclopédia Bíblica ou o Dicionário
Teológico do Novo Testamento) apresentam os seguintes argumentos:
(1) A prática do Novo Testamento: em todo o livro
de Atos dos Apóstolos e nas cartas de Paulo, os batismos relatados nunca
usam a fórmula tripla ("Pai, Filho e Espírito Santo"), mas sim a
fórmula "em nome de Jesus" ou "em nome do Senhor
Jesus" (ex: Atos 2:38, 8:16, 10:48, 19:5).
(2) A evolução da fórmula: historiadores e
teólogos (incluindo teólogos católicos que editaram a Bíblia de Jerusalém)
reconhecem que a fórmula trinitária expressa em Mateus 28:19 reflete o uso
litúrgico que se consolidou na comunidade cristã primitiva (como visto também
no documento do 1º século chamado Didachê), em contraste com a fórmula
mais antiga e direta de "em nome de Jesus" praticada pelos primeiros
apóstolos.
Como dito no item anterior, esses relatos históricos comprovam que a tradição
exerce de fato influência direta nas pessoas responsáveis por traduzir o texto sagrado.
5. Síntese do Contexto
Há uma tensão histórica real:
· De um lado, a pesquisa acadêmica e a crítica textual séria
trabalham constantemente para purificar as traduções modernas de erros, notas
de margem e acréscimos de escribas (como o caso de 1 João 5:7-8).
· Por outro lado, movimentos e teólogos críticos
apontam para o fato de que a formulação dos dogmas trinitários e certos ritos
foram gradualmente moldados pela interpretação e pela tradição da Igreja ao
longo dos séculos II ao IV, afastando-se, em parte, da simplicidade prática
descrita nos registros dos primeiros apóstolos no Novo Testamento.
6. Quadro Comparativo
|
Pensamento |
Divindade |
Objetivo
Principal |
Relação com a
Multiplicidade |
|
Mitologia Grega |
Múltiplos deuses antropomórficos e
caprichosos. |
Narrar a origem do mundo e normas
sociais através de histórias. |
Aceita a multiplicidade como parte
da natureza divina. |
|
Filosofia Grega |
Um Princípio Único, Racional,
Imutável (ex: Motor Imóvel). |
Explicar o cosmos através de causas
racionais e universais. |
Rejeita a multiplicidade divina;
busca a unidade absoluta. |
|
Dogma Cristão
Medieval |
Um Deus em três Pessoas
consubstanciais. |
Sistematizar a revelação bíblica
usando a lógica racional. |
Rejeita a multiplicidade de Deuses, mas aceita uma
pluralidade de Pessoas na única essência. |
Clique no vídeo e assista dois católicos confessando que a fé primária é a que vem de Jesus Cristo; já, o conhecimento humano é "confuso", "contraditório", "ambíguo" e "recheado de invenções humanas".
As Escrituras trazem advertências sérias para não acrescentarmos nada aos textos sagrados sob pena de incorrermos em grave delito contra o Criador, como fez originariamente a serpente no Éden ao dizer: “É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). Essas palavras astutas confundiram a mente de Eva ao ponto de levá-la a modificar a ordem divina, acrescentando-lhe algo: “Nem nele tocareis” (v.3), tal é o perigo de dar ouvidos às vãs sutilezas do adversário. Passagens como Deuteronômio 12:32, Provérbios 30:5-6 e Apocalipse 22:18-19 mencionam a proibição de fazê-lo, sob pena de ser achado mentiroso e desobediente, e ter impedida sua entrada no Reino dos Céus: “...os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre” (Apocalipse21:8) e “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino dos Deus?” (1 Coríntios 6:9).
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.




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