Dogma da Trindade: Acréscimo às Escrituras Sagradas? (Parte 2)

Imagem gerada por Google AI, 2026.

Detalhes da Imagem: retrata um estúdio de estudos bíblicos focado na análise crítica do texto, cujo ponto focal é um antigo manuscrito grego aberto que mostra um trecho específico onde a fórmula trinitária ("Pai, Filho e Espírito Santo") parece ter sido inserida ou destacada de forma diferente do restante do texto original, sugerindo uma alteração textual (uma interpolação). À direita, duas placas antigas mostram a evolução dos símbolos: uma de um período mais antigo mostrando apenas duas figuras separadas, e outra posterior com o nó da Trindade integrado.

Marcelo Victor R. Nascimento


A Bíblia Sagrada traz advertências severas contra alterar a mensagem divina das Escrituras Sagradas (como em Deuteronômio 4:2; Deuteronômio 12:32; Provérbios 30:6 e Apocalipse 22:18-19), um desejo que, por certo, faz parte dos sentimentos do coração do diabo e de seus embaixadores das trevas, querendo perverter a fé e afastar o homem da verdade.

Quando olhamos para o modus operandi da Igreja Romana essa certeza parece saltar aos olhos, pois, além de trazer em sua Bíblia sete livros a mais do que a Bíblia protestante (chamados de apócrifos − de natureza duvidosa), no Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 2175 a 2177), a Igreja afirma abertamente que a observância do sábado foi substituída pela do domingo, algo sem qualquer respaldo bíblico.

Analisemos o aspecto da adulteração da Bíblia com base no Dogma Católico da Trindade.


1. Divergência entre Católicos e Protestantes

A raiz de toda a discussão em relação à composição da Bíblia e da mudança do sábado para o domingo nos dez mandamentos não está apenas no texto em si, mas na fonte de autoridade:

Visão Católica

Visão Protestante (Sola Scriptura)

A fé cristã se apoia no triplo pilar: Escritura + Tradição Apostólica + Magistério da Igreja. A Igreja existia antes do Novo Testamento ser escrito e tem autoridade para interpretá-lo e tomar decisões doutrinárias.

A Bíblia é a única autoridade infallível e regra de fé. Qualquer tradição, dogma ou decisão de conselho que altere ou adicione ensinamentos aos textos das Escrituras deve ser rejeitada como erro humano.

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2. O Problema da Interpretação vs. Texto

Existe uma distinção fundamental entre o texto (as palavras escritas nos manuscritos sagrados) e a interpretação (a teologia construída sobre ele).

Quando a teologia cristã posterior usou termos filosóficos gregos na interpretação do texto sagrado, ela não alterou o texto das Bíblias, mas passou a lê-lo através de uma lente conceitual específica. Para os críticos, ler a Bíblia por lentes filosóficas externas já é uma forma indireta de "acrescentar" algo que o texto original não visava transmitir em seu contexto hebraico/semítico original. Embora cressem na revelação progressiva, os críticos defendiam que qualquer revelação não podia jamais contrapor-se às verdades já reveladas (como o monoteismo absoluto de Yahweh por exemplo).


3. Caso Prático de Adição (A Coma Johanneum)

Um exemplo clássico de interpolação (alteração/acréscimo) na história da tradução bíblica está em 1 João 5:7-8, praticado de forma tendenciosa por pessoas ligadas à tradição católica trinitária.

· O texto acrescentado (séculos mais tarde): "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um."

· O que a Crítica Textual provou: esse trecho (conhecido pelos eruditos como Coma Johanneum) não existe em nenhum manuscrito grego antigo da Bíblia anterior ao século XIV. Ele era, originalmente, uma nota de margem em manuscritos em latim (Vulgata) na Espanha/Norte da África por volta do século IV, que acabou sendo copiada para dentro do texto por escribas posteriores.

· A correção moderna: a imensa maioria das Bíblias modernas (como a Bíblia de Jerusalém, a NVI, a Almeida Século 21 e edições acadêmicas) removeram esse trecho do texto principal ou colocaram notas de rodapé explicando que se trata de uma inserção posterior não autêntica.

Esse fato mostra claramente que a tradição exerce influência nas pessoas responsáveis por traduzir o texto sagrado.

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4. O Batismo Trinitário e as Notas da Bíblia de Jerusalém

O texto de Mateus 28:19 diz o seguinte: "Ide... batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". Contudo, a Bíblia de Jerusalém e algumas enciclopédias de renome (como a Enciclopédia Bíblica ou o Dicionário Teológico do Novo Testamento) apresentam os seguintes argumentos:

(1) A prática do Novo Testamento: em todo o livro de Atos dos Apóstolos e nas cartas de Paulo, os batismos relatados nunca usam a fórmula tripla ("Pai, Filho e Espírito Santo"), mas sim a fórmula "em nome de Jesus" ou "em nome do Senhor Jesus" (ex: Atos 2:38, 8:16, 10:48, 19:5).

(2) A evolução da fórmula: historiadores e teólogos (incluindo teólogos católicos que editaram a Bíblia de Jerusalém) reconhecem que a fórmula trinitária expressa em Mateus 28:19 reflete o uso litúrgico que se consolidou na comunidade cristã primitiva (como visto também no documento do 1º século chamado Didachê), em contraste com a fórmula mais antiga e direta de "em nome de Jesus" praticada pelos primeiros apóstolos.

Como dito no item anterior, esses relatos históricos comprovam que a tradição exerce de fato influência direta nas pessoas responsáveis por traduzir o texto sagrado.


5. Síntese do Contexto

Há uma tensão histórica real:

· De um lado, a pesquisa acadêmica e a crítica textual séria trabalham constantemente para purificar as traduções modernas de erros, notas de margem e acréscimos de escribas (como o caso de 1 João 5:7-8).

· Por outro lado, movimentos e teólogos críticos apontam para o fato de que a formulação dos dogmas trinitários e certos ritos foram gradualmente moldados pela interpretação e pela tradição da Igreja ao longo dos séculos II ao IV, afastando-se, em parte, da simplicidade prática descrita nos registros dos primeiros apóstolos no Novo Testamento.


6. Quadro Comparativo

Pensamento

Divindade

Objetivo Principal

Relação com a Multiplicidade

Mitologia Grega

Múltiplos deuses antropomórficos e caprichosos.

Narrar a origem do mundo e normas sociais através de histórias.

Aceita a multiplicidade como parte da natureza divina.

Filosofia Grega

Um Princípio Único, Racional, Imutável (ex: Motor Imóvel).

Explicar o cosmos através de causas racionais e universais.

Rejeita a multiplicidade divina; busca a unidade absoluta.

Dogma Cristão Medieval

Um Deus em três Pessoas consubstanciais.

Sistematizar a revelação bíblica usando a lógica racional.

Rejeita a multiplicidade de Deuses, mas aceita uma pluralidade de Pessoas na única essência.

Clique no vídeo e assista dois católicos confessando que a fé primária é a que vem de Jesus Cristo; já, o conhecimento humano é "confuso", "contraditório", "ambíguo" e "recheado de invenções humanas".



Reflexão Final:

As Escrituras trazem advertências sérias para não acrescentarmos nada aos textos sagrados sob pena de incorrermos em grave delito contra o Criador, como fez originariamente a serpente no Éden ao dizer: “É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). Essas palavras astutas confundiram  a mente de Eva ao ponto de levá-la a modificar a ordem divina, acrescentando-lhe algo: “Nem nele tocareis” (v.3), tal é o perigo de dar ouvidos às vãs sutilezas do adversário. Passagens como Deuteronômio 12:32, Provérbios 30:5-6 e Apocalipse 22:18-19 mencionam a proibição de fazê-lo, sob pena de ser achado mentiroso e desobediente, e ter impedida sua entrada no Reino dos Céus: “...os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre” (Apocalipse21:8) e “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino dos Deus?” (1 Coríntios 6:9).

Fonte: Unicidade de Deus (Facebook).


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.

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