O Livro de Hebreus: Um Tratado Unicista (Parte 1)
Marcelo Victor R. Nascimento
O livro de Hebreus é uma peça-chave para comprovar que o
Unicismo é a doutrina que mais aproxima-se
da verdade e da simplicidade das Escrituras Sagradas, lançando por terra a Doutrina da Trindade com todo seu arcabouço
filosófico.
Quando nos despimos dos óculos trinitários, a progressão entre
o Capítulo 1 e o Capítulo 2 faz com que narrativa bíblica ganhe um contorno
teológico de extraordinária beleza e profundidade.
1. Hebreus 1: A Origem e a Plenitude
Divina
No primeiro Capítulo, o autor não está apresentando
uma "segunda pessoa de uma tríade" (uma família divina), mas
demonstrando a origem divina incontestável daquele que viria a ser o
Messias.
· Ele é o "resplendor da glória e a expressão
exata do ser de Deus" (Hb 1:3).
· É a Palavra por meio da qual o Universo foi criado e é
sustentado.
· É a revelação máxima do próprio Yahweh para a
humanidade, infinitamente superior a qualquer mensageiro angelical.
A intenção do autor em Hebreus 1 é estabelecer a estatura
absoluta d'Aquele que se manifestaria no tempo: Ele é a própria manifestação
visível do Deus invisível, o Emanuel (Isaías 7:14; Mateus 1:23).
2. Hebreus 2: O Triunfo do Amor
Divino e o Esvaziamento Real
Se o Capítulo 1 estabelece quem Deus é em Sua glória
transcendente, o Capítulo 2 revela até onde o amor divino foi capaz de
ir por causa do resgate das Suas ovelhas (Ezequiel 34:11).
· A Escolha do Esvaziamento: em vez de
manter-se em Sua majestade inacessível, o amor o constrangeu a realizar a kenosis
real — despojando-se de Seus atributos de poder e majestade para ser feito "um
pouco menor do que os anjos" (Hb 2:7).
· Sem Simulacros ou Hibridismo: a força do Capítulo 2 está no v.17: "Pelo que convinha que, em tudo, fosse
feito semelhante aos irmãos". Se Ele retivesse uma onipotência ou
onisciência ativa "sob o véu da carne", o sacrifício seria um teatro
e o amor seria apenas uma demonstração superficial.
· A Vitória do Homem Perfeito: ao viver em
fraqueza, sofrer a tentação real, sentir a dor e encarar a morte física sem
lançar mão de atalhos divinos, Ele venceu o diabo e o pecado na mesma
condição em que a humanidade havia caído, podendo ser chamado de "último Adão" (1Coríntios 15:45).
A Dinâmica
Expositiva de Hebreus 1 e 2
HEBREUS CAPÍTULO 1
A Revelação da
Origem e Grandeza Divina
(O Logos/Verbo
Criador, a Imagem Expressa do Pai, o Trono Eterno)
│
"POR ISSO..." (A Motivação: AMOR)
▼
HEBREUS CAPÍTULO 2
A Kenosis Radical
e a Humanidade Real
(Feito menor que
os anjos, despojado de poder, igual aos irmãos)
Conclusão
Essa transição entre o Capítulo 1 e o Capítulo 2
desmonta a necessidade de filosofias abstratas e credos estáticos, como orientou-nos o apóstolo Paulo (Colossenses 2:8):
1. Hebreus 1 mostra a Fonte: o Deus Supremo, o Verbo
glorioso e eterno que saiu da Sua boca e criou todas as coisas.
2. Hebreus 2 mostra o Alcance do Amor: o Criador que,
movido por amor infinito, esvaziou-se de todo o Seu poder para vestir a nossa
carne, sofrer o nosso sofrimento e tornar-se o nosso perfeito Sumo Sacerdote e
Libertador.
Esta é a simplicidade do Evangelho: a grandeza do Altíssimo manifestada na baixeza da kenosis para a salvação do homem.
Reflexão Final:
Ainda que o céu dos céus não possa conter Yahweh [1
Reis 8:27], ainda que Ele transcenda as dimensões conhecidas [Jó11:8-9] e ainda
que n'Ele vivamos, nos movamos e existamos, tamanha é a Sua grandeza [Atos
17:28], o magnífico atributo da onipresença divina [Salmos 139:8-12]
permitiu-Lhe, simultaneamente, preencher o universo e acomodar-se, de forma a
manifestar-se às Suas criaturas assentado em um trono glorioso [1 Reis 22:19;
Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3], onde preside sobre
a assembleia celestial e sobre o Universo de uma forma geral [Salmos 82:1].
Foi por esse mesmo atributo que Yahweh foi capaz de manter-se assentado no trono da Sua glória e, ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo [Filipenses 2:7], a fim de vir a esta terra e, como um homem perfeito [Hebreus 2:17], morrer pelos pecadores, cumprindo o que havia prometido: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão" (Ezequiel 34:11,12). Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.
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