O Esvaziamento e a Obediência: Duplo Sinal de Humildade de Yahweh (Filipenses 2:6-8)

Imagem gerada por Google AI, 2026.

Marcelo Victor R. Nascimento

Na perspectiva da Teologia Unicista (que afirma que existe um único Deus — Yahweh —, sem distinção de pessoas em uma Trindade) o texto de Filipenses 2:7 deixa de ser lido como se uma suposta “segunda pessoa da Trindade” assumisse a natureza humana. Em vez disso, a passagem revela o mistério de como o próprio Deus manifestou-se ao mundo, a fim de cumprir o plano de salvação que Ele próprio formulou antes que o mundo existisse.

O objetivo do autor (apóstolo Paulo) é comprovar a excelência da humildade de Yahweh como um modelo a ser seguido pela igreja:

         (1) Na “forma de Deus” (Espírito Eterno), Ele escolheu vir a esta terra vazio dos Seus atributos de poder, sendo, em tudo, semelhante aos demais homens; e

         (2) Na “forma de homem”, Ele foi obediente até a morte, e morte de cruz.

Convido os leitores a realizarmos uma exegese do texto, destacando os pontos pricipais que nos ensinam como a humildade do nosso Deus é tão gloriosa e inigualável em qualquer condição e circunstância em que Ele se encontre, seja na forma de Deus seja na forma de homem.


1. O Primeiro Momento: Yahweh na Forma de Deus (Morphe Theou)

Antes da encarnação, o Deus único — Yahweh — existia exclusivamente em Sua glória transcendente, atemporal e divina (1 Reis 8:27; Jó 11:8-9; Atos 17:28). 

Na "forma de Deus", citada em Filipenses 2:6, Yahweh possuía o domínio absoluto, o esplendor e a autoridade suprema sobre toda a criação, de forma que não havia nada que O limitasse (Ele era o Criador em Sua plenitude visível e invisível no reino celestial).

Nesse modelo teológico:

·   Não há um "Filho pré-existente" como pessoa distinta: Yahweh sozinho era o Senhor de toda a criação (Isaías 44:24; Isaías 45:5).

·   A "forma de Deus" é o estado de glória, poder e majestade do único e soberano Deus.


2. A Transição: A Kenosis Radical (ekenosen)

A transição entre esses dois momentos distintos (da “forma de Deus” para a “forma de homem”), descrita em Filipenses 2:7, marca o início do cumprimento do plano de salvação formulado na eternidade.

O relato diz que, no tempo determinado, Yahweh esvaziou-se de si mesmo (ekenosen), i.e., abriu mão dos Seus atributos de poder, a fim de assumir a condição humana (com a glória e o poder que pertencem aos homens), sem, contudo, perder Sua identidade divina.

Sob a premissa da kenosis radical, Yahweh não "acrescentou" a humanidade à Sua divindade, até porque isso não caracteriza um "esvaziamento", como diz claramente o texto bíblico, mas uma "adição". Ou seja, de maneira real e concreta, Ele se fez carne (João 1:14), i.e., preparou um tabernáculo para habitar, despindo-se ativamente dos atributos de poder, a fim de ser, em tudo, semelhante aos demais homens, fazendo-se menor do que os anjos (Filipenses 2:7, Hebreus 2:7; Hebreus 2:17), e, na condição de "último Adão", cumprir toda a justiça (1 Coríntios 15:45).

Em outras palavras, o Deus Todo-Poderoso limitou-se de maneira absoluta ao entrar na dimensão do tempo e do espaço, deixando a condição de “Senhor de tudo” para ser “servo”, submetendo-se voluntariamente às limitações reais da carne humana (sentindo fome, cansaço e dor, e possuindo a capacidade de sofrer a morte, algo impossível para a divindade).

Nota: tanto do ponto de vista da filosofia quanto da psicologia e da teologia, a identidade de qualquer ser — seja ele humano ou divino — não se resume apenas aos seus "atributos de poder" (como força, riqueza, inteligência, conhecimento, habilidades), visto que o poder dita o que um ser pode fazer, enquanto os demais elementos definem quem o ser realmente é. Exemplificando: se um rei  perde o seu trono e o seu exército, ele perde o seu poder, mas não perde a sua identidade, pois o que resta dele — sua honestidade, sua dignidade, seu caráter e outros aspectos que compõem o verdadeiro núcleo do ser — representa a sua verdadeira essência. A identidade é composta do caráter, dos valores, dos atributos morais, da personalidade, dos pensamentos, dos sentimentos, das vontades, das escolhas e do nome que carrega a reputação e a história daquele ser. Assim sendo, a divindade de Jesus não estava expressa em superpoderes intrínsecos ocultos, mas na perfeição do Seu caráter que lhe permitiu amar perfeitamente, perdoar perfeitamente, exercer a justiça perfeitamente e ser perfeitamente santo. Ou seja, a Sua divindade na Terra foi vista através de Sua identidade moral e de Sua filiação, e não através da Sua musculatura metafísica (“Vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” — João 1:14).


3. O Segundo Momento: Yahweh Manifestado como Homem na Carne (Morphe Doulou)

Com a Kenosis consumada, surgiu o segundo momento distinto: Yahweh vivendo e atuando plenamente como homem na pessoa de Jesus Cristo (Filipenses 2:8). Como criança, Jesus cresceu submisso aos seus pais adotivos, em um ambiente humilde e religioso, tendo, por hábito, ir à sinagoga aos sábados e crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens (Lucas 4:16; Lucas 2:51-52). 

Já, como adulto, no que se fere ao Seu ministério, o marco inicial foi o batismo no Rio Jordão, quando tinha por volta de trinta anos (Mateus 3:16; Lucas 3:23). Em tal acontecimento, cumpriu-se o que o profeta Isaías havia predito: o Espírito Santo repousou sobre Ele (Isaías 11:2; Isaías 42:1; Isaías 61:1), capacitando-o para a difícil missão, conforme declara o escritor bíblico no Livro de Atos, com as seguintes palavras bastante claras e precisas:  “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38). Nesse mesmo livro, o escritor vai mais além e diz que o Pai é quem operava os sinais: "Varões israelitas, ouvi estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós..." (Atos 2:22), exatamente como Jesus havia dito aos discípulos: "As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras" (João 14:10).

Nesse estado de limitação voluntária, as coisas passaram a ocorrer da seguinte maneira:

·  O Relacionamento Pai-Filho: o trono celestial não ficou vazio. O atributo da onipresença divina (Salmo 139:7-12) permitiu a Yahweh manifestar-se de forma imanente em dois lugares ao mesmo tempo, i.e., como "Pai", assentado sobre o trono da majestade, onde preside a assembleia dos poderosos e rege o universo (1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3; Salmos 82:1), e, como “Filho”, realizando Sua obra de amor, como um homem, em tudo, semelhante aos demais (Hebreus 2:17), debaixo dos olhos atentos do Pai que confirmava os Seus passos, inclusive fazendo declarações em voz humana audível a todos, tais como: "Este é o meu filho amado" (Mateus 3:17; Mateus 17:5; João 12:28).

·   Obediência até a Morte: a obediência de Jesus não se tratou de submissão de um "Deus menor" a um "Deus maior", mas a escolha do próprio Yahweh — agora na condição e limitação de servo/homem — em viver em perfeita retidão humana e experimentar a morte na carne (que Ele mesmo escolheu assumir).

Nota: ao esvaziar-se de seus privilégios e atributos de poder, Yahweh não assumiu apenas a anatomia humana, mas também a posição de total submissão e confiança que um filho deve ter em relação ao pai. O próprio Jesus fez questão de deixar isso claro em seus discursos, mostrando que Sua dependência do Pai não era parcial, mas absoluta. Podemos ver essa dependência total manifestada em quatro áreas principais: (1) Dependência nas Ações e Milagres: Jesus confessou de forma clara que não operava por autonomia própria. No Evangelho de João, Ele afirma categoricamente: "O Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer" (João 5:19). Ou seja, os milagres que Ele realizava não eram fruto de uma força mágica que Ele controlava de forma independente, mas sim da resposta do Pai através do Espírito Santo às Suas orações (“Bem sei que sempre me ouves” — João11:42); (2) Dependência nas Palavras e Ensinamentos: até mesmo o que Jesus falava vinha da sua profunda comunhão e dependência do Pai. Ele não expressava opiniões humanas ou filosofias próprias: "Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que devo dizer e sobre o que devo falar" (João 12:49); (3) Dependência na Vontade e Sustento (a Oração): a vida de oração de Jesus era a prova máxima de sua dependência como Filho. Sendo um homem perfeito, Ele passava noites inteiras orando no monte, de sorte que, se Ele tivesse poder intrínseco oculto em operação, a oração seria apenas um teatro. Mas, como dependia do Pai para receber força, discernimento e sustento emocional, a oração era o seu oxigênio. No momento mais agonizante de sua vida, no Getsêmani, Ele submeteu Sua própria vontade humana à vontade do Pai: "Não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lucas 22:42); (4) Dependência na Própria Vida e Ressurreição: Jesus dependeu do Pai inclusive para o Seu destino final. Ao morrer na cruz, Suas últimas palavras foram de entrega e confiança absoluta na fidelidade do Pai: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23:46).  Ele confiou, com inteira certeza de fé, que o Pai O sustentaria na morte e O traria de volta à vida, até porque um morto não pode ressuscitar a si próprio (Atos 2:24; Atos 2:32; Atos 3:15; atos 4:10, Atos 5:30; Atos 10:40; Atos 13:30; Atos 13:37; Romanos 4:24; Romanos 6:4; Romanos 8:11; Romanos 10:9; 1 Coríntios 6:14; 1 Coríntios 15:15; 2 Coríntios 4:14).


4. O Rico Tornou-se Pobre:

A passagem de 2 Coríntios 8:9 revela, de forma irrefutável, que o esvaziamento de Yahweh foi real e não um jogo de faz de conta como sugerem alguns teólogos, i.e., Ele verdadeiramente abandonou Sua glória, Seu poder absoluto e a condição divina que desfrutava quando estava na “forma de Deus”, tendo nascido na "forma de homem" (na condição humana), em uma situação social humilde, e morrido de morte maldita pelos pecados da humanidade.

A pobreza (o esvaziamento) foi o preço real do Seu amor por nós, para que fôssemos preenchidos com o caráter divino, o perdão, a reconciliação com o Pai e a dignidade de filhos de Deus.

Nota: se, no nascimento, Yahweh esvaziou-se ao assumir a condição de homem, na cruz, Ele foi muito além: esvaziou-se de sua própria dignidade e dos direitos que possuía como um ser humano justo, descendo ao nível mais baixo que um homem poderia chegar na sociedade do Seu tempo, caracterizado pelos seguintes aspectos: (1) O Esvaziamento do Poder de Autodefesa: no Jardim do Getsêmani, ao ser preso, Jesus verbalizou essa realidade ao dizer que, se quisesse, poderia rogar ao Pai e Ele colocaria à sua disposição mais de doze legiões de anjos (Mateus 26:53), de sorte que a crucificação só aconteceu porque Ele subjulgou a Sua vontade à vontade do Pai, e, até o último suspiro, escolheu a total vulnerabilidade física; (2) A Pobreza da Nudez e da Exclusão Social: a crucificação romana era projetada para desumanizar a vítima. Jesus experimentou a pobreza material em seu nível mais literal, pois teve Suas vestes despojadas e foi crucificado fora das portas de Jerusalém, o que simbolizava a rejeição total da sociedade e da comunidade religiosa, cumprindo a profecia de Isaías que dizia que o Messias seria "rejeitado entre os homens" (Isaías 53:3); (3) A Pobreza Espiritual: O Desamparo na Cruz: o momento mais denso da crucificação ocorreu quando Jesus, em agonia, clamou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27:46), em virtude de experimentar a interrupção da comunhão íntima com o Pai, o qual retirou-se d’Ele, como ocorreu com o rei Saul na seguinte passagem: "E o Espírito do Senhor se retirou de Saul" (1 Samuel 16:14). Naquele momento terrível, Jesus recebeu o peso do julgamento que cabia à humanidade, enfrentando a morte em absoluta solidão. Em suma, foi na cruz que a verdadeira identidade de Yahweh foi revelada, pois, para o mundo, um homem pregado em um madeiro era o símbolo do fracasso e da fraqueza. No entanto, foi exatamente ali que o caráter e os atributos morais de Jesus — que definem sua verdadeira identidade divina — brilharam com maior intensidade. Em vez de responder com ira ou destruição, Ele usou suas últimas forças para liberar o perdão, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34). Assim sendo, Sua identidade divina não foi validada por um ato de força cósmica, mas pela perfeição do Seu amor sacrificial.


5. Resumo Comparativo dos Dois Momentos

Aspecto

1º Momento: Yahweh na Forma de Deus

2º Momento: Yahweh na Forma de Homem

Condição

Glória transcendente, soberania e poder absoluto.

Servo submisso, sujeito às fraquezas da carne.

Atributos

Atuação na plenitude dos atributos divinos.

Atributos de poder voluntariamente ausentes pela Kenosis.

Papel

O Criador e Soberano do Universo.

O Homem obediente até a morte de cruz.

Perspectiva Unicista

O Deus Único em Sua natureza espiritual e gloriosa.

O Deus Único manifestado no véu da humanidade.



Síntese:

Em síntese, Filipenses 2:7 retrata a maior demonstração de amor e humildade de toda a existência: o próprio e único Deus supremo (Yahweh), esvaziou-se de si mesmo (dos atributos de poder) e viveu como um homem comum (sem pecado) em completa submissão para realizar, Ele mesmo, a redenção da humanidade (Ezequiel 34:11-12).

Outrossim, é importante ressaltar que, ainda que Yahweh tenha uma grandeza tal que o céu dos céus não O podem conter (1 Reis 8:27) e transcenda os limites das dimensões conhecidas (Jó 11:8-9), o atributo da onipresença permitiu-Lhe acomodar-Se e apresentar-Se aos seres celestiais assentado em um trono (1 Reis 22:19; Salmos 47:8; Isaías 6:1-3; Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:2-3), onde preside sobre a assembleia celestial e rege o Universo (Salmos 82:1).

Da mesma forma, tal atributo conferiu-Lhe poder para manter-se assentado no trono da Sua glória (como “Pai”) e, ao mesmo tempo, esvaziar-se de Si mesmo (Filipenses 2:7), a fim de vir a esta terra e, como um homem perfeito (Hebreus 2:17), morrer pelos pecadores (como “Filho”), cumprindo o que havia prometido na seguinte passagem: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia de nuvens e de escuridão" (Ezequiel 34:11-12). Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!

Clique no vídeo e assista esta matéria comentada.


Nota Teológica:

O esvaziamento dos atributos de poder, descrito em Filipenses 2:7, possui fundamentos profundos e grande importância para o plano de salvação. A dinâmica desse esvaziamento funcionou com base em três pontos principais:

1. O Batismo como a "Unção" para o Ministério

Antes do batismo, a Bíblia não registra nenhum milagre público de Jesus. Assim sendo, o evento no Jordão funcionou como uma unção real e pública. Na teologia bíblica, afirma-se explicitamente que "Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele" (Atos 10:38).

2. Cheio do Espírito Santo

Logo após o batismo e o período de provação no deserto, as Escrituras narram que Jesus retornou para a Galileia "no poder do Espírito" (Lucas 4:14). Quando Ele entrou na sinagoga de Nazaré para inaugurar seu ministério, Ele leu o profeta Isaías e aplicou a si mesmo as palavras: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres..." (Lucas 4:18), ratificando o que ocorrera no batismo.

3. O Próprio Testemunho de Jesus

Em debates com os líderes religiosos de Sua época, o próprio Jesus fez questão de dar todo crédito ao Espírito Santo. Quando foi acusado de expulsar demônios pelo poder do mal, Ele corrigiu os críticos dizendo: "Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus" (Mateus 12:28).

Por que isso é importante?

Ao realizar milagres através do Espírito Santo e não por uma "mágica" de uma suposta natureza divina oculta, Jesus demonstrou duas coisas cruciais:

·    Validação Humana: Ele provou que estava vivendo a experiência humana de forma real, dependendo da fé, da oração e do direcionamento divino, exatamente como qualquer outro ser humano, e que Suas palavras e ações não faziam parte de um teatro; e

·    Modelo para os Discípulos: Ele estabeleceu o padrão para Seus discípulos. Mais tarde, no Pentecostes, os apóstolos receberam o mesmo Espírito Santo que os capacitou a realizar obras semelhantes, mostrando que o poder não vinha do homem Jesus em si, mas do Pai que estava no céu.


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.

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