Cuidado: Não Caia no Engodo da "Plenitude Trinitária"!!! (Parte 2)

Imagem gerada por Google AI, 2026.

Descrição da Imagem: o ambiente remete a uma oficina de alquimia antiga ou uma biblioteca medieval, ironizando a tentativa dos teólogos ao longo dos séculos de "alquimizar" a lógica, i.e., tentativa de misturar o elemento "Esvaziamento" com o elemento "Plenitude" no mesmo recipiente sem que um anule o outro.

Marcelo Victor R. Nascimento


A contradição lógica entre "plenitude habitando em corpo humano" (Colossenses) e o "esvaziamento radical" (Fp 2,7 - Kenosis) é um dos "nós cegos" mais fascinantes e debatidos da teologia bíblica. A tentativa da ortodoxia tradicional de dizer que Jesus era 100% Deus e 100% homem ao mesmo tempo gera um paradoxo matemático e conceitual bizarro: como algo que foi limpo/esvaziado até a última gota pode estar simultaneamente transbordando ao máximo?

Para materializar esse verdadeiro absurdo conceitual, proponho a seguinte imagem irônica:


1. A Figura Irônica: A Copo Metáfora do "Oásis Vazio"

Pensemos nesta metáfora: "Imagine um copo de cristal de 500 ml completamente seco, sem uma única gota d'água dentro, que é exibido em uma vitrine com uma etiqueta brilhante: 'Contém exatamente 500 ml de água perfeitamente pura, sem tirar nem pôr'.

Quando alguém aponta para o interior visivelmente vazio e seco do copo, o curador da exposição responde serenamente: “A escuridão do ar dentro dele é, na verdade, a plenitude invisível do oceano. O copo não perdeu nada ao ficar vazio; ele simplesmente preencheu o nada com o tudo.”

Por essa razão é que a palavra “plenitude” não indica o que os trinitários querem que indique nessas passagens, ou seja, que Jesus trouxe na encarnação todos os atributos de poder.

Nota: na matéria anterior (Parte1), é possível compreender perfeitamente o que o escritor bíblico quis dizer quando usou o termo "plenitude" na Carta aos Colossenses.


2. O Absurdo Teológico sob Lente Cômica

Para levar essa figura irônica um pouco mais longe (esse contraste lógico entre plenitude e esvaziamento), poderíamos imaginar como funcionava a "física da encarnação" no tribunal do senso comum:

·  Em Filipenses 2:7, a Kenosis funciona como um ralo: Jesus abre a válvula e derrama toda a sua majestade, omnipresença e glória divinas. Ele zera a conta bancária ontológica para virar um servo mortal, em tudo igual aos demais e totalmente dependente do Pai (aquele que O gerou no ventre de uma mulher milagrosamente).

·   Em Colossenses 1:19 e 2:9, Paulo declara: "Toda a plenitude (Pleroma) da divindade habita nele corporalmente!"

É o equivalente a dizer que alguém vendeu tudo o que tinha, deu aos pobres e ficou na miséria absoluta... mas ao mesmo tempo é o homem mais rico do planeta, guardando todos os bilhões do mundo no bolso do paletó de esmola.

Nota: o uso da figura de uma pessoa pobre para esclarecer esse aparente contraste entre “plenitude” e “esvaziamento”, por incível que pareça, é bíblico, pois Paulo afirma que Yahweh verdadeiramente tornou-se "pobre" quando encarnou-se, despojando-se da Sua “riqueza” (2 Coríntios 8:9), para habitar entre nós, e ser, em tudo, igual aos demais homens, de forma que Seu sacrifício satisfizesse a justiça divina. O fato de Hebreus 2:7 dizer que Ele tornou-se "menor do que os anjos" na Sua encarnação é a prova cabal de que o esvaziamento dos atributos de poder ocorreu de fato, pois, se Ele conservasse tais atributos, jamais seria menor do que qualquer uma das Suas criaturas.

Imagem gerada por Google AI, 2026.


3. A Sátira do "Paradoxo da Mala Direta"

Uma outra metáfora possível é a da Mala de Viagem Impossível:

1. Você esvazia uma mala até não sobrar nem uma meia (Kenosis).

2. Em seguida, você afirma que guardou o Universo inteiro dentro dessa mesma mala vazia, fechou o zíper e a carrega por aí (Pleroma em corpo).

3. Se alguém disser "Mas a mala está leve e o zíper nem estufou!", a resposta teológica é: "É que a plenitude do universo se adaptou perfeitamente ao formato do nada!"

Eis a ironia: no afã de garantir a divindade total de Cristo em Colossenses para combater gnósticos e heresias locais, a literatura paulina atropelou a própria lógica da humanização e do sofrimento humilde defendidos em Filipenses. Onde devia haver o abismo do esvaziamento humano, colocaram um reservatório infinito de divindade disfarçada.


4. A Leitura Unicista: O Monoteísmo Estreito como Chave de Resolução

Sob a perspectiva do Unicismo (ou Modalismo/Teologia do Nome), o preposto "paradoxo" entre kenosis e pleroma deixa de existir, pois a própria estrutura trinitária e as categorias da filosofia grega (como substância, hipóstase e naturezas) são identificadas como a verdadeira raiz da confusão conceitual.

Nela, a equação se resolve da seguinte forma:

· A Kenosis como Fato Insofismável: o esvaziamento de Filipenses 2:7 é compreendido em sua literalidade absoluta. O Deus Único (o Pai, Espírito) não se "dividiu" nem enviou uma segunda pessoa eterna ao mundo; Ele se manifestou em carne (1 Tm 3:16), assumindo voluntariamente a limitação, a fraqueza e a finitude da condição humana, ou seja, a kenosis é o próprio Deus experimentando de verdade a pequenez da existência terrena como "Filho".

·  A "Plenitude" em Colossenses no Seu Devido Contexto: a leitura de Colossenses 2:8-9 como uma definição ontológica de "duas naturezas fundidas" é vista como tendenciosa por parte dos trinitários e absurda, pois sugere um ser híbrido. Lendo o texto dentro do seu contexto de advertência contra a "filosofia e vãs sutilezas" (v.8), a intenção de Paulo não era criar um enigma metafísico, mas declarar uma suficiência soteriológica: o cristão não precisa buscar nada fora de Jesus. N'Ele está tudo o que Deus é, e o suficiente para a salvação, dispensando os intermediários angélicos ou ascéticos pregados pelos falsos mestres de Colossos.

· A Rejeição do Helenismo Teológico: para o Unicismo, a contradição só surge quando a fé cristã primitiva abandonou o monoteísmo estrito bíblico (Shema Yisrael - "O Senhor nosso Deus é o único Senhor") e importou conceitos do neoplatonismo e da filosofia grega nos concílios ecumênicos posteriores. Ao tentar enraizar Deus em definições filosóficas pagãs de "substância" e "pessoas", a teologia dogmática teria destruído a simplicidade do monoteísmo bíblico, criando o problema da "garrafa cheia e vazia ao mesmo tempo", onde originalmente só existia a revelação do Deus único agindo em carne humana.

Fonte: Unicidade de Deus (Facebook).


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.

Comentários

  1. O Mistério Trinitário tem que ser compreendido sob a luz da fé. Na Bíblia trás em certos momentos a atuação de cada Pessoa distinta ou em conjunto dando à perceber cada pessoa atuando naquele momento, ex no batismo de Jesus por João Batista, percebemos Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo. Resumindo são três pessoas distintas com a mesma natureza e essência. Jesus esvaziou-se para cumprir sua missão aqui na Terra mais não perdeu sua natureza nem a sua essência, logo toda via e entretanto Jesus é inteiramente divino e inteiramente humano. Nunes

    ResponderExcluir
  2. Meu querido irmão Nunes, a Paz de Deus!!!
    Primeiramente, gostaria de agradecê-lo pelo comentário sobre essa construção filosófica chamada trindade, cuja origem, segundo a história, remonta aos primeiros séculos da era cristã, com base na interpretação de três indivíduos que estavam imersos na filosofia grega e que vieram para o mundo cristãos carregando suas crenças pessoais: Justino Mártir, Tertuliano e Orígenes de Alexandria.
    Em segundo lugar, sugiro que o irmão leia as diversas matérias deste blog que tratam do Verbo Eterno (a Palavra de Deus). Isso, porque, antes de se fazer carne e habitar entre nós, Jesus era a Palavra de Deus, i.e., o Espírito que saiu da boca de Deus e que criou todas as coisas (Salmo 33:6; João 1:14; Apocalipse 19:13).
    Essa é a chave para entendermos o mistério da piedade, assim descrito por Paulo: "Sem dúvida, grande é o mistério da piedade: “Deus manifestou-se em carne foi justificado em espírito, visto pelos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.” (1Timóteo 3:16).
    Exemplo:
    1 - A Voz de Deus e o Espírito Santo: Duas Emanações, Um Único Ser (Parte 1);
    2 - A Voz de Deus e o Espírito Santo: Duas Emanações, Um Único Ser (Parte 2); e
    3 - A Voz de Deus e o Espírito Santo: Duas Emanações, Um Único Ser (Parte 3).
    Deus te abençoe, meu irmão, e continue comentando!!! Qualquer dúvida, estou aqui!!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Santíssima Trindade: quase dois mil anos de engano religioso

A Fórmula Batismal [Parte 1]: Atos dos Apóstolos e as Cartas Paulinas

Parte 1 - Refutação ao Credo de Atanásio [a Declaração de Fé Trinitária]