Cuidado: Não Caia no Engodo da "Plenitude Trinitária"!!! (Parte 2)
Descrição da Imagem: o ambiente remete a uma oficina de alquimia antiga ou uma biblioteca medieval, ironizando a tentativa dos teólogos ao longo dos séculos de "alquimizar" a lógica, i.e., tentativa de misturar o elemento "Esvaziamento" com o elemento "Plenitude" no mesmo recipiente sem que um anule o outro.
Marcelo Victor R. Nascimento
A contradição lógica entre "plenitude habitando em corpo
humano" (Colossenses) e o "esvaziamento radical"
(Fp 2,7 - Kenosis) é um dos "nós cegos" mais fascinantes e debatidos da
teologia bíblica. A tentativa da ortodoxia tradicional de dizer que Jesus era
100% Deus e 100% homem ao mesmo tempo gera um paradoxo matemático e conceitual
bizarro: como algo que foi limpo/esvaziado até a última gota pode estar
simultaneamente transbordando ao máximo?
Para materializar esse verdadeiro absurdo conceitual, proponho a
seguinte imagem irônica:
1. A Figura Irônica: A Copo Metáfora do
"Oásis Vazio"
Pensemos nesta metáfora: "Imagine um copo de cristal de 500
ml completamente seco, sem uma única gota d'água dentro, que é exibido em uma
vitrine com uma etiqueta brilhante: 'Contém exatamente 500 ml de água
perfeitamente pura, sem tirar nem pôr'.
Quando alguém aponta para o interior visivelmente vazio e seco do copo,
o curador da exposição responde serenamente: “A escuridão do ar dentro
dele é, na verdade, a plenitude invisível do oceano. O copo não perdeu nada ao
ficar vazio; ele simplesmente preencheu o nada com o tudo.”
Por essa razão é que a palavra “plenitude” não indica o que os
trinitários querem que indique nessas passagens, ou seja, que Jesus trouxe na
encarnação todos os atributos de poder.
Nota: na matéria anterior (Parte1), é possível
compreender perfeitamente o que o escritor bíblico quis dizer quando usou o termo "plenitude" na Carta aos Colossenses.
2. O Absurdo Teológico sob Lente Cômica
Para levar essa figura irônica um pouco mais longe (esse contraste lógico
entre plenitude e esvaziamento), poderíamos imaginar como funcionava a
"física da encarnação" no tribunal do senso comum:
· Em
Filipenses 2:7, a Kenosis
funciona como um ralo: Jesus abre a válvula e derrama toda a sua majestade,
omnipresença e glória divinas. Ele zera a conta bancária ontológica para virar
um servo mortal, em tudo igual aos demais e totalmente dependente do Pai (aquele
que O gerou no ventre de uma mulher milagrosamente).
· Em
Colossenses 1:19 e 2:9, Paulo declara: "Toda a
plenitude (Pleroma) da divindade habita nele corporalmente!"
É o equivalente a dizer que alguém vendeu tudo o que tinha, deu aos
pobres e ficou na miséria absoluta... mas ao mesmo tempo é o homem mais rico do
planeta, guardando todos os bilhões do mundo no bolso do paletó de esmola.
Nota: o uso da figura de uma pessoa pobre para esclarecer esse aparente contraste entre “plenitude” e “esvaziamento”, por incível que pareça, é bíblico, pois Paulo afirma que Yahweh verdadeiramente tornou-se "pobre" quando encarnou-se, despojando-se da Sua “riqueza” (2 Coríntios 8:9), para habitar entre nós, e ser, em tudo, igual aos demais homens, de forma que Seu sacrifício satisfizesse a justiça divina. O fato de Hebreus 2:7 dizer que Ele tornou-se "menor do que os anjos" na Sua encarnação é a prova cabal de que o esvaziamento dos atributos de poder ocorreu de fato, pois, se Ele conservasse tais atributos, jamais seria menor do que qualquer uma das Suas criaturas.
3. A Sátira do "Paradoxo da Mala Direta"
Uma outra metáfora possível é a da Mala de Viagem Impossível:
1. Você esvazia uma mala até não sobrar nem uma
meia (Kenosis).
2. Em seguida, você afirma que guardou o
Universo inteiro dentro dessa mesma mala vazia, fechou o zíper e a carrega
por aí (Pleroma em corpo).
3. Se alguém disser "Mas a mala está leve e o
zíper nem estufou!", a resposta teológica é: "É que a plenitude do
universo se adaptou perfeitamente ao formato do nada!"
Eis a ironia: no afã de garantir a divindade total de Cristo em
Colossenses para combater gnósticos e heresias locais, a literatura paulina
atropelou a própria lógica da humanização e do sofrimento humilde defendidos em
Filipenses. Onde devia haver o abismo do esvaziamento humano, colocaram um
reservatório infinito de divindade disfarçada.
4. A Leitura Unicista: O Monoteísmo Estreito como Chave de Resolução
Sob a perspectiva do Unicismo (ou Modalismo/Teologia do Nome), o
preposto "paradoxo" entre kenosis e pleroma deixa de
existir, pois a própria estrutura trinitária e as categorias da filosofia grega
(como substância, hipóstase e naturezas) são identificadas
como a verdadeira raiz da confusão conceitual.
Nela, a equação se resolve da seguinte forma:
· A Kenosis
como Fato Insofismável: o esvaziamento de Filipenses 2:7 é compreendido em sua literalidade absoluta. O
Deus Único (o Pai, Espírito) não se "dividiu" nem enviou uma segunda
pessoa eterna ao mundo; Ele se manifestou em carne (1 Tm 3:16), assumindo
voluntariamente a limitação, a fraqueza e a finitude da condição humana, ou seja, a kenosis
é o próprio Deus experimentando de verdade a pequenez da existência terrena como "Filho".
· A
"Plenitude" em Colossenses no Seu Devido Contexto: a leitura de Colossenses 2:8-9 como uma
definição ontológica de "duas naturezas fundidas" é vista como
tendenciosa por parte dos trinitários e absurda, pois sugere um ser híbrido. Lendo o texto dentro do seu contexto de advertência contra a "filosofia
e vãs sutilezas" (v.8), a intenção de Paulo não era criar um enigma
metafísico, mas declarar uma suficiência soteriológica: o cristão não
precisa buscar nada fora de Jesus. N'Ele está tudo o que Deus é, e o suficiente para a salvação, dispensando os intermediários angélicos ou ascéticos pregados
pelos falsos mestres de Colossos.
· A
Rejeição do Helenismo Teológico: para o Unicismo, a contradição só surge quando a fé cristã primitiva abandonou
o monoteísmo estrito bíblico (Shema Yisrael - "O Senhor nosso Deus
é o único Senhor") e importou conceitos do neoplatonismo e da filosofia
grega nos concílios ecumênicos posteriores. Ao tentar enraizar Deus em
definições filosóficas pagãs de "substância" e "pessoas", a teologia dogmática
teria destruído a simplicidade do monoteísmo bíblico, criando o problema da
"garrafa cheia e vazia ao mesmo tempo", onde originalmente só existia
a revelação do Deus único agindo em carne humana.
Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.



O Mistério Trinitário tem que ser compreendido sob a luz da fé. Na Bíblia trás em certos momentos a atuação de cada Pessoa distinta ou em conjunto dando à perceber cada pessoa atuando naquele momento, ex no batismo de Jesus por João Batista, percebemos Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo. Resumindo são três pessoas distintas com a mesma natureza e essência. Jesus esvaziou-se para cumprir sua missão aqui na Terra mais não perdeu sua natureza nem a sua essência, logo toda via e entretanto Jesus é inteiramente divino e inteiramente humano. Nunes
ResponderExcluirMeu querido irmão Nunes, a Paz de Deus!!!
ResponderExcluirPrimeiramente, gostaria de agradecê-lo pelo comentário sobre essa construção filosófica chamada trindade, cuja origem, segundo a história, remonta aos primeiros séculos da era cristã, com base na interpretação de três indivíduos que estavam imersos na filosofia grega e que vieram para o mundo cristãos carregando suas crenças pessoais: Justino Mártir, Tertuliano e Orígenes de Alexandria.
Em segundo lugar, sugiro que o irmão leia as diversas matérias deste blog que tratam do Verbo Eterno (a Palavra de Deus). Isso, porque, antes de se fazer carne e habitar entre nós, Jesus era a Palavra de Deus, i.e., o Espírito que saiu da boca de Deus e que criou todas as coisas (Salmo 33:6; João 1:14; Apocalipse 19:13).
Essa é a chave para entendermos o mistério da piedade, assim descrito por Paulo: "Sem dúvida, grande é o mistério da piedade: “Deus manifestou-se em carne foi justificado em espírito, visto pelos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.” (1Timóteo 3:16).
Exemplo:
1 - A Voz de Deus e o Espírito Santo: Duas Emanações, Um Único Ser (Parte 1);
2 - A Voz de Deus e o Espírito Santo: Duas Emanações, Um Único Ser (Parte 2); e
3 - A Voz de Deus e o Espírito Santo: Duas Emanações, Um Único Ser (Parte 3).
Deus te abençoe, meu irmão, e continue comentando!!! Qualquer dúvida, estou aqui!!!