Deus Ungiu a Jesus de Nazaré com Espírito Santo e Poder (Atos 10:38)

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Marcelo Victor R. Nascimento

O texto de Atos 10:38 é uma das declarações cristológicas mais transparentes e fundamentais de todo o Novo Testamento: "...como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele." (Atos 10:38)

Quando analisado estritamente sob a perspectiva do Unicismo (a Unicidade de Deus) e do Esvaziamento (kenosis) de Yahweh, este versículo não apresenta qualquer contradição ou divisão de pessoas na Divindade; pelo contrário, ele estabelece com clareza o modelo do Messias como o verdadeiro e perfeito Servo de Deus.


1. A Estrutura da Unção: Quem Ungiu Quem?

Na teologia trinitária convencional, tenta-se ver em Atos 10:38 a presença das três pessoas (Deus o Pai, o Espírito Santo e a segunda pessoa, o Filho). No entanto, sob a ótica da Unicidade, a interpretação exegética fundamenta-se nos papéis funcionais da encarnação:

·   Deus (O Pai/O Espírito): é o Deus único e invisível, a mente e a fonte divina de todo o poder.

·  Jesus de Nazaré: é o Homem real, de carne e osso, nascido em Nazaré, pertencente à raça humana e à descendência de Davi.

·  O Espírito Santo e o Poder: é a emanação de Deus agindo e capacitando aquele vaso humano.

O texto diz expressamente que Deus ungiu a Jesus de Nazaré. Não diz que uma "natureza divina intrínseca de Jesus" realizou as obras, nem que o "Filho Eterno ungiu Sua carne humana". Mostra o Deus Altíssimo, no céu, ungindo o Homem Jesus, na terra.

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2. O Significado Profético de "Messias" (Mashiach) e "Cristo" (Christos)

A palavra Messias (no hebraico) e Cristo (no grego) significa literalmente "O Ungido". Se Jesus operasse na Terra usando um poder divino próprio retido, Ele não precisaria ser ungido no Batismo. O próprio fato de Ele necessitar da unção com o Espírito Santo prova que:

(1) Ele estava verdadeiramente esvaziado (kenosis) dos atributos metafísicos de poder (Filipenses 2:7).

(2) Sendo um homem, em tudo, igual aos Seus irmãos (Hebreus 2:17), Ele viveu e operou na Terra debaixo da mesma dependência do Espírito que os profetas e a Igreja necessitam, elevando essa dependência ao grau da perfeição, diferentemente do primeiro Adão.

(3) No processo de encarnação, Ele foi feito menor do que os anjos (Hebreus 2:7), até porque, se assim não fosse e se Ele trouxesse Seu atributos de poder, jamais  seria menor do que as criaturas celestiais, e sim um super-homem completamente diferente dos demais.

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A unção no Jordão (Lucas 3:22; 4:18) foi o momento público em que o Pai consagrou o Homem Jesus para o Seu ministério terrestre, derramando sobre Ele o Espírito Santo sem medida (João 3:34), em cumprimento às seguintes profecias: 

    (1) "E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor." (Isaías 11:2); 

    (2)  "Eis aqui o meu Servo,a quem sustenho, o meu Eleito, em quem compraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele." (Isaías 42:1); 

    (3)  "O Espírito do Senhor Jeová está sobre mim, porque o Senhor me ungiu..."(Isaías 61:1).


3. A Causa das Obras: "Porque Deus Era Com Ele"

A parte final do versículo de Atos 10:38 revela a chave da vida e do ministério de Jesus: "...porque Deus era com ele". Em harmonia com essas palavras, a construção de Pedro, em Atos 2:22, diz o seguinte: "Varões israelitas, ouvi estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós..." (Atos 2:22).

Tais palavras de Pedro refletem com exatidão a própria declaração de Jesus em João 14:10: "O Pai, que está em mim, é quem faz as suas obras.". Portanto: 

· Quem era a fonte da cura e do milagre? Resposta: o Pai (o Deus único, Yahweh), que preparou um tabernáculo para morar.

· Quem era o canal ou o vaso? Resposta: o homem Jesus de Nazaré, o Filho de Deus.

Pedro não diz que Jesus curava porque "Ele era a segunda pessoa de uma trindade", mas sim porque Deus estava com Ele. O Pai veio habitar no Filho mediante o Espírito Santo, realizando os milagres através da humanidade obediente de Jesus, o Cristo.

Nota: as Escrituras Sagradas trazem em seu bojo provas concretas de que Jesus dependia inteiramente do Pai para realizar Suas obras e que se submeteu integralmente a Ele. Logo depois do batismo no Rio Jordão e da tentação no deserto é dito que Ele “...pelo poder do Espírito [revestido de poder], voltou Jesus para a Galileia ... E ensinava nas suas sinagogas” (Lucas 4:14-15), onde pregou a seguinte verdade: "O Espírito do Senhor é sobre mim...” (Lucas 4:18). Até as palavras, Jesus disse que não eram Suas: "Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai me tem dito." (João 12:49,50). O divino Mestre testifica que libertava as pessoas dos demônios não por virtude própria: "…se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus." (Mateus 12:28b). Até mesmo depois de ressurreto, a Bíblia mostra que os Seus ensinamentos vinham de Deus: “Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera” (Atos 1:2) e que Ele não sabia o dia em que voltaria para buscar Sua igreja: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai." (Marcos 13:32). Por certo, Jesus não faltou com a verdade quando disse tais palavras, mostrando Sua total depedência de Yahweh, em perfeita harmonia com a inerrância das Escritura Sagradas, i.e., consigo próprio, pois Ele é a Palavra de Deus (a Verdade).

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4. Aplicação no Mosaico do "Último Adão" (1 Coríntios 15:45)

Atos 10:38 amarra com precisão o conceito do Último Adão:

(1) A Humanidade Real: o Primeiro Adão era um homem feito do pó que falhou ao agir em independência de Deus (era da terra).

(2) A Dependência Perfeita: o Último Adão (Jesus) é o Homem perfeito que nunca tomou iniciativas autônomas ("o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma" — João 5:19). Ele dependeu 100% da unção do Espírito Santo para pregar, curar, expelir demônios e conhecer os segredos dos corações (veio do céu).

(3) A Vitória do Homem Ungido: ao vencer o Diabo, curar os oprimidos e libertar os cativos, como um Homem ungido por Deus, Jesus provou que a humanidade, quando em total submissão e união com Deus, pode triunfar sobre o império das trevas.

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Resumo Sintético sob a Linha da Unicidade

Elemento do Texto (Atos 10:38)

Significado Teológico Unicista

"Deus"

O Pai, o único Deus verdadeiro, que é Espírito (João 4:24).

"Jesus de Nazaré"

O tabernáculo que Deus preparou para si, também chamado de "Cordeiro de Deus" e "Último Adão", sem poderes autônomos por causa da kenosis.

"Ungiu com o Espírito Santo e poder"

A capacitação divina concedida ao homem Jesus no batismo para o exercício do ministério messiânico.

"Porque Deus era com Ele"

A indicação de que o Pai veio habitar no Filho (João 14:10), sendo a causa de todos os sinais, prodígios e maravilhas.

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Nota Teológica:

As Escrituras Sagradas revelam duas verdades com relação à natureza dos seres: (1) Yahweh é indivisível, imutável e absoluto (Malaquias 3:6; Deuteronômio 6:4); e (2) Os homens são seres integrais, i.e., são almas viventes (seres viventes) formadas por carne e fôlego de vida (Gênesis 2:7).

Assim sendo, não há base bíblica para a existência de um ser híbrido, ou seja, um ser “meio-homem” e “meio-deus”, por exemplo. Atribuir a Jesus duas consciências ou duas vontades operacionais intrínsecas fragiliza a Unicidade de Deus, pregada pelas Escrituras (Deuteronômio 6:4), transformando Suas limitações humanas em mera encenação (Mc 13:32).

Dessa forma, não há fundamento na Bíblia para filosofias e conceitos pagãos, tais como: “União Hipostática” e “Natureza Teantrópica de Jesus”, os quais roubam a beleza da vitória de Jesus. Ao contrário, a Bíblia ensina, em Filipenses 2:7, o esvaziamento de Yahweh (eautòn ekénosen), i.e., o despojamento voluntário das prerrogativas de poder e imortalidade, o que não significa que Yahweh tenha perdido Sua identidade ao encarnar-se, formada por: caráter, personalidade, atributos morais, consciência, convicções, valores, crenças e o Nome de Yahweh.

Jesus viveu em condições puramente humanas, sujeito às tentações (Hb 4:15) e à morte real — coisas impossíveis a Deus em Sua essência (1 Tm 6:16; Tg 1:13). De sorte que o Novo Testamento rejeita a união e fusão de duas substâncias na pessoa de Jesus. Ele é tratado como um ser integral, exatamente como os demais homens (Hebreus 2:17).

A divindade de Jesus, o Cristo, é explicada pela habitação plena do Pai naquele tabernáculo (em termos de identidade), como mostram as seguintes passagens:

(1) “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” (2 Coríntios 5:19);

(2) “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.” (1 Timóteo 3:1).

(3) “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamarão seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.” (Mateus 1:23).

(4) “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino.” (Hebreus 1:8).

(5) “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:9).

(6) “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, EU SOU [Ehyeh].” (João 8:58). Obs: Jesus identifica-se com o mesmo nome de Deus.

Com relação às obras milagrosas e o conhecimento dos segredos dos corações dos homens, as Escrituras dizem que foram operados pelo Espírito Santo que estava sobre Jesus (João 3:34; João 14:10; At 10:38; Atos 2:22), e não por um poder inerente da carne. 

Logo, Jesus não venceu o pecado por possuir uma "rede de proteção" divina interna, escondida sob a pele (um trunfo), mas porque amou o Pai até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O ressuscitou dos mortos, declarou-O Seu Filho com poder (Romanos 1:14) e Lhe deu o Nome que está sobre todo nome (Filipenses 2:9-11).

Por fim, é importante compreender que o trono celestial não ficou vazio quando Yahweh veio a este mundo como um ser humano, mas, pelo atributo da onipresença, Ele foi capaz de permanecer presidindo a assembleia dos poderosos no céu (Salmo 82:1) e vir a esta terra como um homem perfeito [Hebreus 2:17], a fim de cumprir o que havia prometido: "Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia de nuvens e de escuridão" (Ezequiel 34:11-12). 

Glória, pois, a Ele eternamente!!! Amém!!!


Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima Trindade, quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de Autores.

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